“Esquece. Ninguém sabe de nada.”

‘Não, nós não sabemos de “esquema” algum contra o Vasco. Se soubéssemos, denunciaríamos. Nos daria audiência, credibilidade. Todo jornalista sonha em desvendar uma filha da putagem de interesse popular. Dá retorno.

Esquece. Ninguém sabe de nada.’

Ou:

‘Não, não acredito em manipulação. Se acreditar, não posso fazer o que faço.’

Duas frases de Rica Perrone, em dois textos distintos. Não, não estão fora de contexto. Mas são claramente antagônicas. O que ele faria, então, se descobrisse uma falcatrua? Denunciaria ou desistiria de fazer o que faz?

Caro leitor, peço que leia os dois textos a seguir:

Gilmar Ferreira no Extra
Rica Perrone e a Flapress

Dava pra criar o seguinte diálogo:

– “E agora? O que dizer de um campeonato decidido com um gol ilegal, já nos descontos? Ponham-se no meu lugar: O que dizer de mais um clássico entre Flamengo e Vasco decidido no erro da arbitragem? Mais, até: o que dizer de uma final entre Flamengo e Vasco decidida na arbitragem e com o equívoco sempre a favor do Flamengo? ”

– “Esquece. Ninguém sabe de nada.”

–  “Sei que é difícil para os torcedores dos dois times aceitarem a constatação: os que vencem, por mera paixão; os que perdem, por indignação.

Mas os erros existem e como ocorrem de forma sistemática deixam de ser meros equívocos.”

– “Esquece. Ninguém sabe de nada.”

Esquecer? Não, obrigado.

Passei a frequentar uma comunidade do América no facebook. Mais de duas mil pessoas.

É, amigo, o América ainda existe fora de campo. Dentro de campo agoniza. Fora vive.

Para minha surpresa, li um depoimento de uma torcedora americana, lembrando, furiosa, dos (supostos) roubos ocorridos em 1974 e na final de 1982, ambos contra o Vasco e criticando aqueles que tiveram pena dos vascaínos por causa da final contra o Flamengo.

Ou seja: não vamos esquecer. O torcedor não esquece. Aceita. Engole. Não esquece.

Esquecimento, aliás, foi o que ocorreu com toda a imprensa esportiva brasileira por cerca de setenta e duas horas, entre o sábado, 7 de dezembro de 2013 e a terça-feira seguinte, 10 de dezembro. A escalação irregular de André Santos caiu no esquecimento completo. Ninguém questionou. Nem o Lance, que havia publicado a suspensão na sexta-feira, dia 6.

Perguntei sobre isso prum amigo, cardeal da imprensa esportiva carioca. Nenhuma resposta.

Não há explicação plausível que não passe pela mais simples teoria da conspiração.

Cabe então a sites como o Panorama levantar as lebres que você não pode levantar, quer seja por falta de provas quer seja por puro falta de interesse pessoal ou corporativo. Sempre com muita responsabilidade.

Será que é mesmo tudo uma grande coincidência? Sempre pro mesmo lado? Sempre com o mesmo bandeira? Mesmo com o Vasco pedindo explicitamente a não escalação desse assistente?

Difícil de esquecer…

Ah, a imagem do texto mostra a frase “Je me souviens”, usada até hoje pela província do Quebec em seu brasão, placas de trânsito etc. “Je me souviens” significa “eu me lembro” das ações britânicas ao invadirem a província.