Esperando o dia seguinte

Acabou o primeiro turno. Ponto final, martelo batido, c’est fini! Estamos com as piores estatísticas, os piores números, os piores desempenhos, amargando uma lanterna difícil de engolir. Mas o que mais dói enquanto torcedora, é que temos as piores perspectivas. Eu paro, olho nosso elenco, o novo técnico (que nunca fez nada de brilhante), a diretoria, as posturas… A vontade que dá é de baixar a cabeça e ficar bem quietinha, esperando a segundona chegar.

vasco

Os que convivem mais de perto comigo sabem que eu até sei lidar com os maus momentos do Vasco. Apesar do sofrimento nas outras quedas e dos perrengues nos retornos, foram raros os momentos de real destempero. Mas dessa vez a coisa tá incômoda, meus amigos. Mas está em um grau de não conseguir abrir as páginas esportivas desde sábado. Não tô lendo nada, assistindo nada.

Pra “melhorar”, tem clássico dos milhões decisivo essa semana. “Um campeonato à parte”, “o jogo que será um divisor de águas para o Gigante da Colina!”. Nem preciso catar muito pra saber que de uma forma ou de outra, esses jargões são ventilados por aí. Não, amigos. Às favas a nossa rivalidade com o clube da globo! Às favas! Temos condições de entrar na briga pela Copa do Brasil e manter forças pra sair do Z4? Penso na saída da Copa como um mal necessário pra seguir numa batalha muito mais importante, assim como nem lamentei tanto nossa última derrota, porque essa custou uma cabeça que já deveria ter rolado há tempos: a do Roth. (lembrando que sempre fui anti-roth. Esse ser humano jamais deveria pisar em São Januário novamente).

Claro que vencer a urubuzada é sempre uma delícia, ainda mais em um jogo eliminatório; mas se isso custar desempenho no brasileirão, &*%$-se. De verdade. Ganhamos deles e dos tricoletes e nada mudou. Nenhuma boa fase começou, estamos combalidos e apequenados, na última colocação de um campeonato que tem Chapecoense, Joinville, Avaí, Goiás… Com toda licença, os supracitados são sim clubes respeitados, mas não tem um terço da grandeza histórica que o Vasco da Gama.

Ok, história não ganha pontos, não vence campeonato, camisa não pesa mais como antes, não tem mais time bobo no Brasil (ao menos nas três séries principais), e é por isso que o os clubes precisam pensar macro. Precisam de planejamento, precisam cuidar muito bem da sua base, precisam saber que montar um elenco em 2015 pode trazer frutos apenas em 2017 e é preciso paciência, porque as coisas não mudam da noite pro dia. Precisam saber que um campeonato regional falido não é referência, precisam reconhecer a importância da sua torcida e começar a tratá-la como parceira, oferecendo um programa de sócios decente. Precisa aprender que, definitivamente, respeito não se impõe, não se grita. Enfim, os clubes grandes, profissionais e que suportam o calendário malamanhado que a CBF tem precisam de tudo – ou quase tudo – que a direção do Vasco não está sendo/fazendo.

Por isso eu digo, o que mais tem sido doloroso não é o saldo do primeiro turno do brasileiro. Não são os piores resultados, é a pior perspectiva para o resto do ano (quiçá, para o resto do mandato do atual presidente). Isso sim, amigos, é um sangramento diário na cruz de malta que temos no peito.

S.V.

/+/

 

*Este é um texto escrito na última terça (18/08), portanto em “nossa última derrota” entenda-se a derrota para o Coritiba, que resultou na demissão do Celso Roth)