Entrevista com os candidatos à presidência do Vasco da Gama – parte 3

Seguem as últimas perguntas comuns encaminhadas aos três atuais candidatos à presidência.

13- O Senhor concorda com as acusações de que houve fraude nas últimas eleições? Houve “mensalão”? Se sim, como pretende combater essa prática nessa eleição?

Alexandre Campello (AC): A eleição anterior foi acompanhada pelo ministério público e o presidente em exercício, naquela ocasião, validou os 1.730 sócios que entraram em um dia. O jurídico da Frente Vasco Livre está atento a qualquer tentativa de fraude e esperamos que na próxima eleição essa polêmica não aconteça.

Julio Brant (JB): Tivemos denúncia de um Grande Benemérito e a imprensa divulgou amplamente. Temos os relatos nas redes sociais, tivemos mais de 1.000 associações em 1 dia. Estamos trabalhando na justiça para assegurarmos eleições limpas e seguras. Já tivemos sucesso em 2 ações e teremos em outras.

Otto de Carvalho (OC): Houve um movimento incomum de associação nos meses fevereiro, março e abril de 2013, no entanto foi apresentado uma denuncia e nada foi comprovado. Fizeram um recadastramento dos sócios, mas o resultado deste recadastramento nunca foi apresentado, então é um pouco difícil afirmar qualquer coisa.

Nossa proposta é fazer um recadastramento o mais rápido possível e após esse recadastramento manter o cadastro limpo. Na lista apreendida pela justiça em fevereiro deste ano existiam mais de 184 mil nomes. Isso mostra a bagunça que é o cadastro do Vasco.

Na mudança de estatuto trazemos a responsabilidade pelo cadastro para o Presidente da Assembleia Geral, que além de garantir a lisura do processo eleitoral do Vasco, será o responsável pelo acompanhamento mensal da lista de sócios. Na nossa proposta de estatuto obrigamos o recadastramento a cada triênio sendo um ano antes do pleito.

14- Relação com as emissoras de TV: pretende mudar algo nessa relação?

AC: Sim, como toda relação comercial do clube, que precisa ser acompanhada mais amiúde, se houver alguma oportunidade de ampliar as receitas de TV, Radio, Transmissão pela internet, seja no futebol, basquete ou outro esporte nós vamos brigar para maximizar nossas receitas com transmissão de jogos.

JB: O Vasco tem um contrato assinado, cumpriremos os contratos celebrados. Os 3 primeiros anos de mandato, provavelmente será com o contrato atual. Não temos informações sobre o contrato, inclusive o CADE investiga os detalhes do mesmo. E ao que parece, depois desse contrato, já existe um acordo para que seja um modelo parecido com a Premier League, para deixar mais justa a distribuição de cotas de TV. Vamos lutar para o melhor contrato possível do clube e ouvir outras emissoras, é importante não ficar preso a uma. Vamos conversar com Palmeiras e São Paulo, que também recebem menos que Flamengo e Corinthians. O caminho é mudar a imagem do Vasco, pois isso atrairá mais mídia e mais retorno pro parceiro e pra TV.

OC: O atual presidente assinou com a televisão até 2024, então o clube está amarrado até lá. É um absurdo a Lei permitir que isso seja feito, pois nesse quesito infelizmente não temos muito como mexer. Posso garantir que nossa relação com a imprensa vai melhorar, pois entendemos que o dialogo sempre é a melhor solução do que fechar treinos e expulsar jornalistas.

Melhoraremos a sala de imprensa e reservaremos horários específicos dos treinos para que os jornalistas acompanhem, além de participação dos sócios via mídia digital, que hoje é um mercado que cresce muito.

15- Como será a relação do Vasco da Gama com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro na sua administração? E com os demais clubes cariocas? E com a CBF e os demais clubes brasileiros?

AC: Todo o relacionamento com as federações (FERJ, CBF e CONMEBOL) será diferente, queremos participar de todas as discussões para melhoria do futebol brasileiro, o Vasco enviará representante em todos os eventos das federações. O Vasco é um clube que sempre esteve na vanguarda e na minha gestão não será diferente. Eu penso que o relacionamento com os demais clubes deve ser feito dentro do cavalheirismo, vamos praticar a fidalguia nesse relacionamento com dirigentes e atletas dos outros clubes. Obviamente, sempre colocando os interesses do Vasco em primeiro lugar, mas respeitando os interesses coletivos. É dessa forma que o Vasco será respeitado por todos.

JB: Temos que ter uma boa relação com os clubes, não queremos declarar guerra a ninguém, nem a federação, desde que respeitem o Vasco e não tentem prejudicar o nosso clube. Relação de diálogo, o Vasco e seus interesses em primeiro lugar, depois o melhor pro futebol Carioca e brasileiro.

OC: Nossa ideia é manter o dialogo aberto com todas as entidades. Enviaremos um representante a todas reuniões da Federação e CBF, sempre defendendo os melhores interesses do Vasco. Hoje tenho uma boa abertura com o Rubens Lopes e com pessoas da CBF, então não acredito que teremos problemas nesse sentido.

Com os demais clubes buscaremos sempre uma conversa, pois podem existir ações em conjunto, por exemplo a busca por novos parceiros, como acontece com a Brahma que realiza ações com todos os clubes do futebol carioca.

16- Qual é a sua opinião sobre o atual presidente, Eurico Miranda?

AC: Eu convivi como Eurico por vinte anos. Para ser justo devemos reconhecer o seu valor no primeiro momento, como vice-presidente de futebol. Naquela ocasião, mais jovem e dinâmico, autoritário como sempre, tinha ao lado o equilíbrio do Presidente Calçada, que o balizava. Assim transformou o futebol do Vasco e conquistou vários títulos.

Já como presidente do Clube, menos dinâmico e desatualizado, o autoritarismo e método centralizador o fez desconstruir sua imagem vitoriosa. Não se modernizou na gestão e incluiu uma administração pautada pelo nepotismo, uma receita infalível para o insucesso. Afastou do Clube inúmeros Vascaínos de valor, com capacidade e que se opunham as suas metodologias. Matou uma geração política no Vasco, que ou foram expulsos ou hostilizados dentro de São Januário nestes últimos 15 anos. Talvez o seu maior malefício ao Vasco.

JB: O Eurico foi um grande Vice Presidente de futebol, mas como presidente os números estão aí.

OC: É uma pessoa que já está na história do Vasco pela sua participação na vida política do Clube. Eu conheci o Eurico na oposição, pois eu era situação em 1977 e ele oposição. Posso garantir que sou um dos poucos no Vasco que vi Eurico ser oposição.

A imagem dele está muito arranhada e não é à toa que não conseguiu nenhum patrocínio novo nesse mandato, até a TIM voltou pois já era patrocinadora na época do Roberto. Precisamos urgentemente mudar a cara da diretoria do Vasco e isso passa pela imagem do seu presidente. O Eurico ainda administra como nos anos 90 e isso não cabe mais no momento de hoje.

17- Qual é a sua opinião sobre o candidato Julio Brant?

AC: É um vascaíno que pode contribuir muito para o clube. Queremos a união com a Sempre Vasco e espero que consigamos chegar num processo de unificação.

OC: Julio é outro rapaz que tem muito a ajudar o Vasco, mas também ainda não provou a que veio. Fez parte do Conselho neste triênio e não conseguiu liderar os 30 conselheiros da oposição. Não conseguiu liderar não porquê não tenha capacidade, mas porque não tinha conhecimento de como as coisas funcionam dentro do Vasco.

Hoje o Julio não tem a entrada com o Conselho de Beneméritos, necessário para realizar a mudança que todos querem para o Vasco.

Acho que é um cara que pode contribuir, mas ainda precisa vivenciar mais coisas dentro do Vasco antes de assumir uma responsabilidade desse tamanho.

18 – Qual é a sua opinião sobre o candidato Otto de Carvallho?

AC: Sua experiência na atuação política do clube tem que ser reconhecida. Queremos a união com o grupo dele, Ao Vasco Tudo, da mesma forma espero que consigamos chegar num processo de unificação.

JB: O Otto terá um papel importantíssimo nesta eleição, pois faz parte da junta eleitoral, precisamos dele para eleições justas e limpas. Recebo o Otto de braços abertos na oposição, assim como todo euriquista que percebe que o modelo atual de administração precisa mudar. Assim como o Campello, o fato de se colocar a disposição da instituição é um gesto louvável, quanto mais vascaínos a disposição do clube melhor.

19- Qual é a sua opinião sobre o candidato Alexandre Campello?

JB: Pessoalmente, estive com ele uma vez. Ao se colocar a disposição da instituição, merece meu respeito.

OC: Campello foi funcionário do Vasco em dois momentos. Não o conheço muito bem, mas parece ser um excelente médico. Acho que tem muito a contribuir para o Vasco, mas um cargo da importância de presidente da Diretoria Administrativa tem que ser ocupado por pessoas que conheçam o clube, desde o estatuto, passando pelas sedes até as pessoas. O Campello nunca foi conselheiro do Clube e talvez nem conheça o procedimento dentro do Conselho. Qualquer pessoa que venha para participar da política do Vasco não pode começar pelo cargo mais importante, tem que vir construindo dentro do clube seu nome e conhecimento até chegar lá. Isso acontece em todos os lugares, por que no Vasco seria diferente?

Amanhã, as perguntas individuais a cada candidato e seus recados finais aos vascaínos.

Não percam!

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