Entrevista com os candidatos à presidência do Vasco da Gama – parte 1

Queridos leitores, sempre com o objetivo de ajudar na importante escolha que os sócios farão nas próximas eleições a ocorrerem em novembro, decidimos procurar os atuais três candidatos para encaminhar perguntas que acreditamos ser de todos os vascaínos.

Como, no momento, somente estes – Julio Brant, Otto de Carvalho e Alexandre Campello, se declararam candidatos, foram a estes que dirigimos nossas perguntas. Claro que se mais alguém anunciar a sua candidatura, correremos atrás de encaminhar as mesmas perguntas para em seguida publicá-las por aqui.

Aproveito também a oportunidade para agradecer pela maneira gentil que todos, sem exceção, receberam as perguntas do Panorama Vascaíno e prontamente as responderam.

Hoje publicaremos as seis primeiras perguntas e as respostas de cada um deles. Ao longo da semana, publicaremos as demais até que cheguemos às mais de 20 perguntas que fizemos.

Então, vamos a elas!

1- Quem é Otto de Carvalho?

Fui eleito para o cargo de Presidente do Conselho Fiscal do Vasco para o triênio 2015-2016-2017 e sou Grande Benemérito do Vasco. Tenho 60 anos, sou casado e pai de três filhas casadas e independentes. Trabalhei por 25 anos no mercado financeiro e hoje administro bens próprios e de terceiros.

1- Quem é Alexandre Campello?

Sou cirurgião-ortopedista, tenho 56 anos, dos quais 25 passei como médico do Vasco. Frequento São Januário desde o tempo em que as sociais possuíam bancos de madeira e em torno do campo havia uma pista de atletismo de carvão. Pós-Graduado em medicina desportiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciei minha carreira no clube do coração, ainda como acadêmico, em 1984, no time de juniores, do qual faziam parte jogadores como Romário, Mazinho, Lira e o atual técnico vascaíno, Milton Mendes. Em 1986, fui alçado aos profissionais, dando início à uma vitoriosa trajetória, que teve como ponto alto os títulos estaduais de 1987, 1988, 1992, 1993, 1994, 1998 e 2003; os Campeonatos Brasileiros de 1989, 1997 e 2000; a Copa Libertadores de 1998; o Rio-São Paulo de 1999 e a Copa Mercosul de 2000.

Em 2004, por divergências com o comportamento ditatorial do atual presidente, decidi deixar a gestão, voltando a acompanhar o Vasco apenas como torcedor. Em 2008, a paixão falou mais alto, e por isso, a convite do então presidente eleito, Roberto Dinamite, retornei a São Januário como membro do departamento médico. Arrebatei mais uma taça, a da Copa do Brasil de 2011. Em 2012, percebendo que o clube tomava rumos com o qual não concordava, optei por me desligar. E, no ano seguinte, debrucei-me sobre as questões políticas, ingressando no grupo Identidade Vasco.

1- Quem é Julio Brant?

Sou o filho mais novo de uma típica família vascaína da Zona Norte do Rio. Ia a São Januário levado pelo meu avô, onde aprendi a nadar. Comemorei muitos aniversários em São Januário. Na minha infância, o Vasco foi além do futebol.

Adolescente, com meu irmão e amigos, domingo era dia de trem e Maracanã. Não tinha como não sentar atrás do gol, na Força. Comemorei muitas vitórias e títulos ali. Apesar de ser sócio dependente desde criança, me tornei proprietário em 2009, mesmo fora do país. Trabalhei na China, Japão, Portugal e África do Sul.

Fiz mestrado em administração e diversos cursos de gestão e negócios internacionais. Aprendi muito e fiz excelentes contatos. Hoje me sinto um executivo globalizado.

Em 2014, com minha vida financeira estabelecida, independente, recebi o convite do Edmundo para ajudar o Vasco liderando uma equipe e um projeto revolucionários, infelizmente por motivos conhecidos nós ganhamos mas não levamos, mas esse ano será diferente!

2- Por que o Senhor se considera a melhor opção para ocupar a presidência do Vasco da Gama? Qual o seu diferencial em relação aos demais candidatos?

Otto de Carvalho (OC): O Júlio e o Campello me parecem dois jovens muito bons e competentes que podem muito agregar para o Clube, mas não conhecem o Vasco a fundo. Comecei minha trajetória política no Vasco em 1976 participando da eleição Agathyrno x Medrado Dias, onde o Agathyrno foi reeleito. Meu sogro, Estelio Mercante, foi o presidente do Conselho Deliberativo nesse mandato e me levou para a vida política do clube. Como já era sócio, fiz parte do Conselho Deliberativo pela primeira vez naquela ocasião.

O meu diferencial em relação aos demais candidatos é que tenho ótima entrada no Conselho de Beneméritos que representa metade do Conselho Deliberativo. Qualquer mudança no Vasco passa pela aprovação do Conselho Deliberativo. É unanimidade que devemos mudar o estatuto do Clube e para isso acontecer a reunião deve ser qualificada com 2/3 dos conselheiros, o que é impossível caso o presidente não tenha ótimo relacionamento com os membros do Conselho de Beneméritos.

Alexandre Campello (AC): Me considero um profundo conhecedor do Vasco. Tenho ótimo trânsito pelos corredores de São Januário, onde recebo o carinho de sócios, Beneméritos, Grandes Beneméritos, funcionários e torcedores. Tenho vasta experiência profissional e um compromisso com a ética e com a transparência, que me credenciaram para ser o pilar da união de diversos grupos de oposição, alguns até então com posições políticas diferentes, em torno de um projeto grandioso de resgate do Vasco. Um projeto que recoloque o clube em seu devido lugar, de destaque no cenário nacional. Um projeto que faça o torcedor vascaíno, sofrido após quase duas décadas de administração desastrosa, voltar a sorrir.

Julio Brant (JB): Não podemos considerar uma pessoa. Não existe um “salvador da pátria”. Acredito na excelente equipe que está comigo. O grupo Sempre Vasco é muito bom, executivos de grandes empresas e áreas. Ao longo dessa jornada eleitoral, vários profissionais, de outros grupos ou de forma isolada, estão se juntando ao nosso time. O nosso projeto possui sólidas bases nas melhores práticas de gestão. Reunimos as qualidades que o Vasco precisa: juventude, experiência, renovação, currículo profissional, paixão pelo Vasco e nosso passado não nos condena.

3- Quais são os principais pontos da sua proposta de plano de administração do clube?

OC: Precisamos trazer o Vasco para a modernidade. O novo estatuto deve distribuir melhor o poder decisório entre os poderes do clube, além de ter mecanismos para melhorar a transparência nas finanças e processos internos.

Penso num novo organograma onde as decisões estratégicas não sejam tomadas por uma pessoa, mas sim por um colegiado. Penso que devemos ter um quadro profissional operando abaixo de cada vice-presidência, além de alçadas bem definidas crescendo de diretoria, executivos profissionais, vice-presidente, presidente e Conselho Deliberativo.

AC: O legado a ser deixado por nossa gestão se traduz em nove prioridades estratégicas: resgate do relacionamento com a torcida e sócios; equilíbrio financeiro; futebol competitivo; gestão moderna e profissional; transparência; resgate da imagem do clube; valorização do patrimônio; expansão das receitas comerciais e autossuficiência dos esportes olímpicos e amadores.

JB: Precisamos resgatar o Vascaíno, o torcedor precisa participar, seja sendo sócio, indo aos jogos, consumindo o clube. O sócio de fora do Rio irá votar pela internet, 70% de nossa torcida está fora do Estado do Rio, precisamos dar atenção a estes apaixonados. O modelo de gestão será profissionalizado (conselho e governança) com transparência, todos saberão para onde o dinheiro veio e para onde vai. Fortaleceremos a marca em busca da credibilidade. Vamos buscar patrocinadores e parcerias que enxerguem o valor e o potencial do Vasco. Atuaremos, fortemente, em 4 áreas chaves do clube: Futebol, Gestão / Governança, Comercial / Marketing e Finanças.

4- Como espera resolver a situação financeira do clube?

OC: O problema financeiro do Vasco é de curtíssimo, curto, médio e longo prazo e não será resolvido milagrosamente. A matemática é simples: temos que arrecadar mais e cortar custos urgentemente. A marca do Vasco é muito sub-utilizada e portanto existe uma margem grande para crescimento.

O dinheiro mais barato para o clube é a adesão ao programa de sócio. Com certeza daremos atenção especial ao programa de sócios com uma meta ousada de alcançar mais de 100mil sócios contribuintes. O Vasco tem 70% da sua torcida fora do Rio, então não é desconto em ingresso que incentivará o torcedor de fora do estado a se tornar sócio. Vamos buscar esse contato mais intenso com nosso torcedor espalhado pelo Brasil.

Acreditamos que com a maior transparência das finanças do Clube e participação do sócio no dia a dia, a torcida comprará essa briga junto com a diretoria.

Quero citar o movimento do “Vasco Dívida Zero” que ajudou o clube a abater inúmeras dívidas e fica aqui meu compromisso de incentivo máximo por parte do Clube a este lindo projeto. Projetos desse tipo serão altamente incentivados pela minha administração.

AC: Uma de nossas propostas é de reestruturar toda a parte que diz respeito ao programa de sócios, que hoje é o menor do Rio. Um programa de sócios bem feito, transparente, contemplando diversas categorias, será uma excelente fonte de receitas para o clube. Hoje, as receitas do Vasco são quase que exclusivas – 80%, se não me engano -, do direito de transmissão da TV, então há uma necessidade de explorar melhor outras fontes de receita como o marketing, o licenciamento, a área comercial…. Temos que buscar um aumento dessas receitas e diminuir os gastos, controlar os gastos, trabalhando o orçamento com planejamento, gerindo bem os recursos. O dinheiro do Vasco tem que ser mais bem gasto do que tem sido.

JB: Com muito trabalho interno, nos processos, nas receitas e custos atuais, e na imagem do clube. Quantos vascaínos nós não conhecemos que afirmam que só irão virar sócios quando mudar o presidente? Então temos uma receita represada aí no plano de sócio, mas isso não bastará no primeiro ano de mandato. Já estamos estruturando um fundo para podermos tocar o clube de imediato, receita nova e em paralelo buscando novos parceiros, novos patrocínios. Em reuniões com possíveis patrocinadores e parceiros, estamos sendo bem recebidos e nossa proposta elogiada. Temos tudo para fazer um ótimo trabalho.

5- Quais são os seus planos para São Januário?

OC: São Januário é nossa casa e é um dos estádios mais charmosos do Brasil. Antes de pensar em ampliação ou reforma precisamos melhorar os acessos ao estádio. Existem alguns estudos e projetos para realizar essa melhoria em grande escala.

Para melhorias pontuais como foi a reforma do ginásio, pensamos em fazer crowdfundings, que se mostrou um sucesso e realmente não dá para entender o motivo de não o fazer. Nossa ideia é trazer os vascaínos para a vida no clube.

AC: Acreditamos que São Januário precisa ser modernizado. Queremos melhorar não apenas o entorno, mas também deixar o estádio e suas dependências mais confortáveis para o torcedor. Queremos melhorar a experiência de quem sai de casa para assistir a um jogo do Vasco. Dar atenção ao nosso estádio certamente será uma das prioridades da gestão que pretendemos implementar.

JB: São Januário é nossa casa, amamos o estádio, sua história e tudo que ele representa. Vamos transformar São Januário no estádio mais legal do mundo, pois será um estádio retrô, ou seja, arquitetura antiga, de 1927, fachada e história respeitadas, mas extremamente confortável. As sociais, até o setor VIP, será uma área só, um setor com muito conforto. Novos assentos, nova marquise, sem os pilares, novos bares, restaurante, banheiros e acesso. Na arquibancada, precisamos setorizar o estádio. Colocaremos cadeiras no setor do meio e deixaremos as arquibancadas atrás do gol como é hoje, no concreto. Este setor terá preços populares e também com conforto e dignidade, principalmente ao público feminino, de terceira idade e acessibilidade. São Januário entrará no roteiro de visitas da RioTour, seremos ponto turístico da cidade, do país. Teremos visitas guiadas, aulas de história in loco, em parceria com escolas e, num futuro breve, nosso museu, onde ficarão nossos troféus, estátuas e história.

6- Na sua opinião, qual deve ser a relação do Vasco da Gama com o Maracanã? Pretende utilizá-lo ou o Vasco só jogará em São Januário?

OC: O Maracanã é um estádio do povo. Conversaremos com a empresa responsável pela gestão do Maracanã e jogos de grande apelo serão realizados no Maracanã desde que as condições financeiras sejam melhores para o Clube. Como falei anteriormente, pretendemos até jogar mais fora do estado caso seja financeiramente mais viável, pois além de estarem mais próximos aos torcedores de fora do Rio de Janeiro teremos uma renda de bilheteria maior.

AC: O Maracanã é um patrimônio do Brasil, do Rio de Janeiro e dos quatro clubes grandes do Rio. O Vasco tem uma enorme identificação com o estádio, lá conquistou alguns de seus títulos mais importantes e emblemáticos. Penso que nos jogos com grande apelo e com potencial de público que ultrapasse a capacidade de São Januário, o Maracanã deva ser utilizado. Mas é preciso que, financeiramente, seja viável para o clube mandar seus jogos no Maracanã.

JB: Por termos São Januário, temos as melhores condições de negociar com o Maracanã, pois não precisamos jogar lá, numa quarta-feira as 22h com TV pro Rio contra os times pequenos. Ou seja, podemos negociar os clássicos e os grandes jogos das Copas (do Brasil, Sul Americana e Libertadores) numa condição melhor. Escolheremos aonde vamos jogar. Uma decisão do Vasco. Nosso mandado será de diálogo, e como conheço bem a maneira de negociar do controlador do Maracanã, conseguiremos um excelente contrato para o Vasco, pois o Maracanã precisa de nós e nossa história passa por lá também. Temos duas casas e assim será.

Na próxima quinta-feira tem mais. Não percam!

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