Empresários

Longe de ser uma atuação perfeita, a atuação do Vasco ontem, na vitória por 3 x 1 contra o Bangu, em Moça Bonita, principalmente no primeiro tempo, foi ao menos digna. Anos luz melhor do que a desgraça de domingo, contra o Fluminense.

Cinco modificações. Evander, voltando de contusão, Alan, no lugar de Henrique, que não consegue se firmar com uma sequência interminável de visitas ao departamento médico, Guilherme Costa por Andrezinho, Jordi no lugar do contundido Martin Silva.

Pikachu no lugar de Madson. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Com isso, a famosa média de idade do time despencou, pois tínhamos Jordi, Pikachu, Luan, Alan, Evander, Guilherme e Thalles em campo. Sete garotos, seis crias do Vasco. O time realmente correu, lutou e marcou o tempo todo. Embora, não creio que idade seja o ponto, pois Nenê, com seus trinta e bolachada corre muito mais do que muito garoto. Com dois ou três reforços já contratados – Gilberto, Jean e Wagner – teremos sim um time para jogar de igual para igual com as outras maravilhas que habitam os campos do Rio e do Brasil. Desde que o professor Cristóvão não tente inventar.

E que os empresários não o obriguem a escalar quem não merece nem pisar em São Januário.

Este Guilherme Costa, que ontem fez lembrar Pedrinho (magro, rosto encovado, pernas meio tortas, canhoto, articulado como o antigo craque. Um pouco mais alto, é verdade…) rodou Brasil afora sendo emprestado pelo Vasco para times menores. Quase desistiu de jogar profissionalmente. Enquanto isso, a gente aturando Diguinhos e afins em campo e pagando uma fortuna mensal para eles. Num primeiro momento, tende-se a por a culpa toda nos treinadores, que, no final das contas (será mesmo?) é quem escala os cracks. 

Mas a coisa hoje em dia é muito mais complexa do que isso. Tem muito dinheiro em jogo no de futebol. Mal comparando, é como numa de corrida de cavalos. O cidadão apostou uma grana naquele cavalo e ele precisa ganhar. No campo, cada um daqueles jogadores pertence a um grupo de investidores, a um pool de empresários, que comprou o seu passe com o objetivo de revender em breve por dez, cem, mil vezes o valor investido. Provavelmente não exista no mundo negócio mais lucrativo – e mais obscuro.

Não sei quem é o empresário ou dono(s) dos direitos federativos (o termo moderno para o antigo passe – no fundo a mesma coisa de antes)  de Madson, mas invejo sua “capacidade de persuasão”.  Com atuações bizarras, tendo reserva à altura, ele sobrevive às trocas de técnicos e segue enfurecendo os Vascaínos ao ser escalado na lateral direita.

Este câncer certamente acabou com a carreira de muitos bons jogadores de futebol – e técnicos – que não tinham empresários e que viram seu espaço desaparecer em detrimento de pernas-de-pau bem assessorados. Há mais de vinte anos, Jair Pereira, ex jogador e técnico do Vasco, já me dizia isso num churrasco em que tive o prazer de encontrá-lo. Quando lhe perguntei por que tinha sumido dos campos do Rio, ele respondeu de pronto que não tinha empresário e tampouco paciência para ficar cavando vaga. E que por isso, tinha sua escolinha, trabalhava no Oriente Médio, e só.

Business, tendo como pano de fundo a nossa paixão.

Por um bom tempo ainda, até que algo mude, o que se verá em campo vestindo a camisa do Vasco não é o melhor futebol que o clube pode pagar, mas aquilo que os empresários próximos à diretoria querem mostrar.

É claro que esse poder não se resume ao Vasco e ao futebol brasileiro. Mas também é cristalino que quanto mais transparente for a administração de um clube, mais claras estas relações serão e menores as influências que estes empresários terão sobre as escalações desses times.

Isso certamente explica o porquê de alguns anciãos estarem no Vasco. E o desejo de que outros venham juntar-se à Caravela.

Caso o leitor tenha paciência e goste de pesquisas, sugiro uma visita aos sites dos empresários de futebol e seus plantéis. É muito esclarecedor.

Essa é mais uma razão para que haja uma mudança de ares no Vasco. E mais uma preocupação na hora de decidir quem vai gerir essa conta. É muita grana. É o nosso time.