Empresários 2

Esta semana, uma notinha, dentre tantas no excelente site NetVasco, me chamou a atenção. Segue abaixo, na íntegra:

Carlos Leite tem 8 clientes como jogadores do Vasco; Bruno Paulista pode ser o 9º

Segunda-feira, 06/02/2017 – 12:47

Vascaíno assumido, o empresário Carlos Leite vai ter muitos motivos para torcer em dobro pelo clube do coração nesta temporada. O anúncio de Bruno Paulista como reforço, que ocorrerá nas próximas horas, fará o agente ter nove clientes no grupo de profissionais do Vasco – são oito jogadores e o técnico Cristóvão Borges.

Por meio de sua assessoria, Cristóvão alega que não tem um empresário fixo, mas confirma que os acertos com Corinthians e Vasco, seus últimos clubes, foram amarrados pelo empresário.

Antes de Bruno Paulista, Carlos Leite já havia dado uma mãozinha ao Gigante da Colina ao levar outro cliente, Kelvin, a São Januário por empréstimo de uma temporada – o atacante segue vinculado ao Porto.

O agente também cuida das carreiras do zagueiro Luan, do lateral-direito Madson, do volante Marcelo Mattos, dos meias Guilherme Costa e Mateus Vital e do atacante Éder Luís.

A chegada de reforços de peso era uma promessa de Carlos Leite ao presidente Eurico Miranda quando da contratação de Cristóvão Borges. Ao aceitar a indicação do empresário, Eurico passou a contar com a ajuda do empresário para montar um elenco mais forte para 2017.

Esse filme não é novo na vida de Carlos Leite. O empresário já fez parcerias com o próprio Vasco e o Corinthians. Curiosamente, os dois times se enfrentaram na semifinal da Copa do Brasil de 2009 com 17 atletas de Carlos Leite, além dos técnicos Mano Menezes e Dorival Júnior.

OS CLIENTES DE CARLOS LEITE NO VASCO:
– Cristóvão Borges*
– Bruno Paulista**
– Kelvin
– Luan
– Éder Luís
– Marcelo Mattos
– Madson
– Mateus Vital
– Guilherme Costa

* não há um contrato fixo, mas Carlos Leite o colocou no Corinthians e no Vasco
** contratação ainda não oficializada

Por ela, tomamos ciência de que o empresário Carlos Leite teve participação na escolha de Cristóvão como técnico do Vasco. Reforço que isso é o papel normal dele na sua atividade no mundo do futebol. A responsabilidade é de quem aceita e contrata.

Ou seja, Cristóvão sabe que está ali por indicação de Leite.

E o técnico passa a ter, sob sua responsabilidade (ao menos se espera que assim o seja), seis atletas cujos interesses são defendidos pelo seu próprio mecenas. Kelvin, que acabou de chegar, Luan, titular absoluto, Marcelo Mattos, em recuperação de uma contusão grave, cujo contrato foi (muito justamente) renovado pelo Vasco.

Guilherme Costa tem sido o destaque positivo de nosso início turbulento de temporada. Depois de rodar freguesia país afora, num bye-bye Brasil de clubes menores, está sendo aproveitado. Parece ter bola para nos trazer muitas alegrias.

Será que o faria se não fosse jogador de Carlos Leite?

Éder Luis é um cara legal. Raçudo, dedicado. Fez o gol do último título nacional do Vasco, já há mais de cinco anos. Sofreu uma contusão gravíssima no mundo árabe. Fez cirurgias e tratamentos, sem sucesso. Voltou para o Vasco em busca de cura. Conseguiu voltar aos gramados. Mas, infelizmente, nunca mais foi o mesmo.

Quando do retorno de Cristóvão e da saída da primeira barca vascaína, a que nos livrou de Diguinho e Leandrão, não entendi a persistência com o Chico Bento. Era mais do que hora de ao menos emprestá-lo para algum time no qual pudesse efetivamente jogar, até para que soubéssemos se ainda consegue fazê-lo no alto nível de anos atrás.

Será que teria ficado se não fosse jogador de Carlos Leite?

Madson vem enfurecendo os vascaínos há meses. Anos. Uma sucessão interminável de gols perdidos, cruzamentos na cabeça dos beques alimentando contra-ataques às suas costas e, principalmente, uma velocidade de retorno para a marcação incompatível com aquela que mostra ao atacar. Sempre me lembrou uma propaganda da Pirelli, que dizia que “potência não é nada sem controle”. Acontece que a lateral direita do Vasco é, desde o início do ano passado, uma das únicas posições do plantel na qual há reserva à altura. Pikachu, apesar de não ser um bom marcador, é excelente no ataque. Tanto que andou sendo escalado como meia por Jorginho. Na minha visão, sempre teve atuações muito mais sólidas e úteis do que as de Madson. No entanto, pra meu desespero, trocou-se o técnico, mas não a teimosia (até agora) inexplicável de se persistir com Madson.

Então, vamos tentar pensar como o Cristóvão. Na hora de escolher um lateral para colocar em campo, ele tem Madson e Pikachu, que, num primeiro momento, se equivalem. Será que ele não vai colocar em campo o jogador do cara que o colocou no emprego?

A resposta é óbvia. E vai persistir com essa escolha até não poder mais. O que, graças ao bom Deus, e à inépcia de Madson, parece ter acontecido. Chegou-se enfim ao limite com as chances dadas ao lateral. Em breve, espero, o veremos correr a esmo em campo com outra camisa. Vai enfurecer outra torcida.

Será que Madson teria sido escalado se não fosse jogador de Carlos Leite?

Nessas situações, eu não culpo o Vasco. Não culpo o Cristóvão. Nem culpo Carlos Leite.

A culpa é desse sistema que se ramificou feito um câncer no nosso futebol.

Não sejamos ingênuos de achar que isso só acontece em São Januário. De novo, finanças combalidas aumentam a influência de empresários nos clubes. Mas isso certamente acontece, com maior ou menor peso, em qualquer clube.

O que de pior essa matéria nos prova é que, infelizmente, o time que entra em campo com a camisa do Vasco não é, como antigamente, o melhor time que poderíamos colocar em campo. Existem outras forças, muito influentes, escalando jogadores.

E a gente sofrendo.

/+/

Obrigação vencer hoje.