Embalos de sexta à noite

Qual a boa pra esta sexta à noite?

São Januário.

Antes, para não dar preguiça, vá direto do trabalho para um bom boteco nos arredores do estádio, ou para a Feira de São Cristóvão, e deguste algumas iguarias. Caso não seja abstêmio, umas boas cervejas e gargalhadas com amigos para desestressar dessa semana cheia de temas para uma mesa de bar. Muita confusão política, pra lá e pra cá – sem que eu tenha de definir em que lado estou. Ontem, a morte terrível do ator global, assunto de dez entre dez conversas de hoje.

Depois de falar disso tudo, talvez você e seus amigos se animem a discutir as razões pelas quais Jorginho persiste em escalar Madson, para que este, contra o Goiás, pela terceira vez nessa temporada, tenha em seus pés a chance de liquidar o jogo e a perca, de forma patética, para, em seguida, a bola em suas costas ir parar dentro do gol do Vasco. Juro que quando vi o passe – espetacular – chegar aos seus pés, com o goleiro na terra de ninguém,  completamente fora da jogada, eu tive a infeliz certeza do que iria ver a partir dali.  Acertei em cheio – com requintes de masoquismo. Madson chutou bisonhamente por cima do gol e levou a bola nas costas. O cruzamento veio gordo, alto, e caiu no lado esquerdo da pequena área, onde o beque no qual sempre apostei – Jomar – marcou a bola e esqueceu do adversário, Léo Gamalho, que já jogou contra a gente nessa temporada. Martin Silva ficou colado à linha de gol. A bola era dele. Ao não sair, deixou a responsabilidade com o beque, que por sua vez a herdou do incompetente que não fez o gol e deixou a lateral aberta.

A essa altura, pensando nisso, você pode estar pensando em desistir do Vasco e de seu time em crise. Esqueceu-se de debater a matéria, de quarta-feira, dando conta do racha do elenco e do que está por vir.

Éramos definitivamente mais felizes quando não sabíamos o que se passava dentro de São Januário. Hoje, infelizmente isso não é mais opção. Sabemos o que se passa em São Januário, sabemos o que se passa entre os jogadores, mas não sabemos dos jogos de interesses que fazem com que este ou aquele seja contratado, escalado ou relegado a um terceiro plano. Ou vendido por uma miséria para os cofres do clube.

Infelizmente, hoje, só nos cabe o nobre papel de torcedor. Entre o bando que entrar em campo, temos a obrigação moral de empurrar os onze a vencerem o jogo desta noite. Ainda mais porque o adversário é o maldito Joinville, que não era o adversário daquele fatídico oito de dezembro de 2013, mas é o dono daquele buraco onde vivemos uma das tardes/noites mais tenebrosas de nossa história.

Então, pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, vá a São Januário. Lá chegando, berre a plenos pulmões para apoiar o time, mesmo que seja o infeliz do Madson. Pelo contrário, se for pra vaiar, siga no bar tomando suas ampolas. Encerrado o jogo, qualquer que seja o resultado (esperemos que, milagrosamente, vitória), vomite sua raiva e suas verdades.

E xingue bastante o Madson por mim. Grato.