Eles na “frente”, sempre…

Impressionante como notícias e informações divulgadas em importantes veículos de comunicação não repercutem em outros, mesmo que o teor exija muito além de indiferença. Os silêncios geram estranheza para os que se interessam pelo contraditório.

Caso de domingo passado, no programa Balanço Esportivo da CNT, líder de audiência no horário nobre, resenhando o futebol carioca. Apresentado por Edilson Silva e contando com a simultânea presença de Eurico Miranda e Leonardo Ribeiro, o conhecido Capitão Léo, o programa tinha tudo para oferecer excelentes momentos. E não foi diferente. Desconte-se aqui os dissabores que ambos os nomes causam em várias pessoas, assim como a admiração que tem de outras.

Embora tenha mais uma vez comentado sobre temas relevantes do futebol brasileiro – geralmente ignorados por jornalistas que não sabem distinguir o desafeto do opinante – deve ter sido a primeira vez que , estando presente Eurico Miranda num programa sobre futebol, ele não foi o dono do holofote principal.

Motivo: a seríssima denúncia (repetida) por Capitão Leo a respeito de tema relevante para os torcedores de futebol, diretamente relacionado a muitas torcidas Brasil afora: a atual política de precificação dos ingressos de futebol, particularmente no caso da Gávea, cujo vice-presidente de Marketing é Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, mas que acaba atingido a muitos times.

Bom, e daí?

Em primeiro lugar, parece claro para muitos torcedores o caminho da chamada espanholização do futebol brasileiro, proporcionando aportes econômicos via televisão muito maiores ao Flamengo e ao Corinthians – o que não se traduziu em diferença monumental em campo por mais de um fator. Tal espanholização deve ser combatida por unhas e dentes por aqueles que querem ver uma disputa em campo sem cartas marcadas.

Segundo: Bap é simplesmente o presidente da Sky, TV por assinatura que transmite o futebol brasileiro.

Terceiro, neste ano, problemas aconteceram em pelo menos um clássico carioca: o Fla-Flu do primeiro turno simplesmente foi realizado sem a torcida do Fluminense, alijada do Maracanã pelo fato do Flamengo impor ingressos de cem reais como mandante da partida (houve quem dissesse que o principal motivo era afastar tricolores do jogo para que nenhum mosaico sobre o caso Flamenguesa fosse realizado). No futuro, Vasco e Botafogo podem ser muito prejudicados por gestos semelhantes.

A denúncia de Capitão Leo é simples: o extorsivo preço praticado em jogos da Gávea, prejudicando torcedores de outros times e até mesmo os próprios, visa diretamente afastar o público dos estádios – que, em suas casas e bares, privilegiaria a audiência da TV fechada. Com isso, claro, a SKY teria lucro direto. Sem contar que, confirmada a decisão direta da empresa dentro de tal processo, até mesmo a lisura das competições pode ser questionada – aliás, o foi, haja vista a dupla traulitada que o Vasco sofreu no Carioca 2014 em dois jogos contra… o time mais querido da Sky.

Vale a pena ler a pequena nota do jornalista Lauro Jardim na falecida revista Veja em 23 de abril, comentando sobre o tema: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/futebol/flamengo-e-a-politica-de-ingressos-caros-saiba-quanto-o-clube-fatura-com-a-filosofia/

Ou seja: na grande imprensa é apenas um trabalho para sanear as combalidas finanças do clube… mas, dentro da própria sede rubro e preta, há quem jure que tudo é uma jogada de favorecimento a quem atualmente banca o futebol da Lagoa e por lá dá as cartas.

É certo que Capitão Leo tem uma trajetória um tanto incomum em se tratando da dirigência de futebol ou mesmo fora do esporte. Hoje, é um dos homens fortes da FERJ e, claro, ainda presente nas coisas da Gávea. Para muitos, pode se tratar apenas de disputa eleitoreira dentro do território da Lagoa esticada. No entanto, não parece estranho que NINGUÉM conteste a relação acima entre Sky, Flamengo, preço dos ingressos e… arbitragem? Afinal, é sabido que em 2013 ninguém menos do que Flamengo de Lima Henrique assim entrava em campo para arbitrar jogos.

marcelo de lima henrique sky foto legível

No conhecido blog alvinegro de PC Guima, temos: http://blogdopcguima.blogspot.com.br/2013/07/sky-empresa-presidida-por-vice.html

Assim como ocorre contra Eurico, é certo que Capitão Leo será posto de lado pelo stablishment, pois “não teria credibilidade para falar do assunto”. O mínimo que se poderia esperar dos senhores jornalistas seria uma apuração rigorosa dos fatos, mas num país onde a imprensa atesta que é normal dois jogadores em menos de 24 horas entrarem em campo irregularmente para uma partida de futebol, onde o segundo jogador atenuaria diretamente o erro cometido pelo primeiro, o que se pode esperar em termos de lisura, ética e investigação jornalística? Pensando bem, nada.

Assim na terra como no céu.

Eles na frente? Sempre.

@pauloandel