E o “Kiko” eu tenho a ver com isso?

vasco 74

Pois é… Eu ficava sempre aqui admirado… Lendo os excelentes textos produzidos pelos irmãos vascaínos Zeh Catalano, Helinho Mendes Jr., Jorge Eduardo, entre outros, e pelo amigo tricolor Paulo-Roberto Andel (notaram a diferença? Vascaíno é irmão. Rival é amigo, mas nunca inimigo), e um dia eu me perguntei: por que não eu? Ora… eu respondi a mim mesmo: e o “Kiko” você tem a ver com isso? Muito, mas muito mesmo!

Sou vascaíno há exatos 14.538 dias. Ou se você preferir há 39 anos, 9 meses e 22 dias. Como eu tenho 45 anos de idade é fácil chegar à conclusão de que eu não nasci vascaíno…

E não nasci mesmo. Nasci botafoguense. Fruto da influência de primos da mesma idade, passei a minha “primeira infância” adorando a estrela solitária para a tristeza do meu pai. O “velho” é vascaíno no mais profundo significado da palavra. Acompanhou de perto o grande Expresso da Vitória, jogou bola em São Januário, conduzido pelo seu “padrinho” Danilo – o Príncipe, morador de Ramos na infância, vivia a frequentar a nossa casa no hoje bairro Vasco da Gama.

Por conta de seu idealismo, ele nunca quis influenciar minhas escolhas futebolísticas, mas também não me ajudava muito a gostar do Botafogo: ele nunca me levou a um jogo deles.

Até que num dia, já frustrado de só acompanhar futebol pelo radinho (e de não ganhar porra nehuma, diga-se de passagem…), vendo o meu pai ir a absolutamente todos os jogos do Vasco, resolvi finalmente aceitar a um convite seu para ver um jogo de futebol ao vivo. Era o dia 1º de agosto de 1974. Ele vendo a minha tristeza, chamou-me para conhecer o “maior do mundo”.

Vocês sabem de qual jogo estou falando, né? Pois é… Virei vascaíno na hora! Vi os olhos verdes de meu pai chorarem duplamente de alegria: por ver o nosso amado Vasco campeão brasileiro pela primeira vez e o seu filho finalmente vascaíno.

Doravante, por conta da generosidade do irmão Zeh Catalano (e porque não dizer, de sua loucura também…?), escreverei para vocês todas as quintas-feiras sobre um assunto só: o glorioso Club de Regatas Vasco da Gama.

Tentarei não ser mais do mesmo. Enquanto deixarem-me escrever por aqui, espero poder entretê-los com histórias e mais histórias do Vasco e principalmente, de vascaínos e dos torcedores típicos dos rivais que conheci por aí nas minhas andanças pelo Brasil e pelo mundo. Sempre com bom humor, respeito às opiniões de todos, mas, sobretudo, com muita vascaínidade!

—————————————————————————————————–

E sobre o jogo de terça? Juro que poderia ficar aqui desfilando um monte de impropérios para o nosso “querido” treinador ou para o nosso “fantástico” goleiro reserva, mas acho que há crianças lendo por aqui também…

Como é a minha primeira coluna, vou pegar leve e contar uma historinha que envolve o nosso adversário de ontem.

Já estive algumas vezes em São Luís (capital do Maranhão… ou da terra do Sarney, se preferirem…). Numa dessas, parei num bar no fim do dia para relaxar do dia pesado de trabalho que tive por lá.

O bar estava bastante cheio e o “zum-zum-zum” era enorme, mas aí alguém falou Vasco! Uma palavra que obviamente fez-me prestar mais atenção no papo alheio.

Vi que era um grupo de amigos discutindo sobre as camisas de futebol mais bonitas do Brasil e, para meu espanto, um cara defendia com “unhas e dentes” que a camisa do multicolorido Sampaio Corrêa era a mais bonita. Mau gosto à parte, soube pelo que diziam que a camisa foi inspirada na do tricolor carioca (vejam vocês!) e que as cores verde, amarela e vermelha foram adotadas em homenagem aos pilotos brasileiro e estadunidense de um tal avião que aterrissou em São Luís em 1922 cujo nome era… Sampaio Corrêa!

E Vasco nessa história? Bem… Pelo que pude entender, o tal gajo que defendia a tese de que a camisa do Sampaio Corrêa era a mais bonita do Brasil, era… vascaíno! E quando perguntado sobre a camisa do seu time do coração, ele respondeu: “Estamos falando de camisas de times pequenos… Sampaio Corrêa, Moto Club, FLAMENGO…”. Quase levantei-me e paguei pelo chope que ele bebia no momento…

Até a próxima quinta.