E o dinheiro, ó!

DINHEIRO

A cada dia que passa, o futebol gira mais dinheiro. É assim no mundo inteiro e não poderia ser diferente no Brasil. Acontece que aqui, até por conta das misturas de ganância e exploração dos sentimentos, a conta parece ser mais drástica. Melhor dizendo, é.

O giro financeiro do futebol não tem qualquer compromisso com a saúde econômica dos clubes. As maiores agremiações do Brasil só não estão falidas porque a lei ainda impede. Muitos são os que se aproveitam dessa situação com vantagens exclusivamente pessoais.

As dívidas são quase impagáveis na maioria dos casos. Empurra-se para a frente, até que venha a nova gestão com trabalho diferenciado. Grandes novidades em velhas caras de sempre. Então alguém chora, pede, em nome de uma grande união as coisas se assentam e ninguém  se lembra do que aconteceu ano passado – onde foi parar a rodada 38 do respeitável procurador Senise?

Os clubes pedem esmola. Mas os velhos dirigentes não abrem mão de poder e negociatas. Estão às bancarrotas e a casa não cai. Alguns estão no poder há décadas, ou representados por seus sucessores sanguíneos.

As federações, cada vez mais ricas e com extensivos mandatos de dirigentes. O cenário é péssimo, mas eles são inteiramente abnegados. Oh!

O caso da Seleção é especial. Antes,  o então presidente, Sr. Teixeira, gritava aos quatro cantos que fazia o que queria porque presidia uma entidade privada. Vem a Copa e clamam o apoio do povo. Particular sempre, público quando interessa?

A imprensa esportiva, em sua maior parte, cabotina, leviana. Topa tudo por manchetes baratas e um levadinho. Não é de hoje, mas piorou  muito.

A televisão faz o que quer. Ela paga, ela manda, ela dá de ombros se o estádio está cheio ou não. O que interessa é fazer o sanduíche da  programação com o Faustão e a novela.

Os meninos mal vestem calças curtas e já vão jogar em clubes do exterior. Onze, doze anos de idade.

Os  meninos mal vestem calças curtas e trocam suas camisas do Vasco, Fluminense, Palmeiras pelas do Barcelona, Real Madrid, Bayern.

Ainda não se sabe o que vai ser das grandes arenas no pós-Copa. É certo pensar na maioria como uma manada alva.

Alguém sabe dizer onde estão os grupos de investidores do futebol, sempre de olho em grandes jovens novidades?  Não há quem os identifique. “O craque fulano de tal deve seus direitos econômicos adquiridos pelo Grupo Transa”. O quê? Vamos em frente.

O mais raso há de ler estas linhas e dizer: esse cara quer o quê? Estatizar o futebol?

Longe disso: apenas torcer para que volte a ter preceitos mínimos de ética e responsabilidade social.

Amanhã há de ser outro dia. Ou talvez.

@pauloandel

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