E agora? O que faremos?

Minha filhinha de seis anos participou de uma peça de teatro da escolinha dela. O ponto alto de sua atuação é quando pronuncia exatamente a frase do título deste texto.

E agora? O que faremos?

Ontem, enquanto vivíamos aquele martírio, o Fluminense elegia seu presidente para os próximos três anos. Acompanhei de razoavelmente perto o que acontecia por lá. O quadro foi exatamente igual o da última eleição no Vasco. As chapas se definiram aos 49 do segundo tempo. Ocorreram alianças impensáveis entre inimigos figadais de meia hora antes. Pessoas que sequer se olhavam repentinamente estavam juntas em novas chapas. Apoios em troca de uma vice-presidência, uma vaga no conselho deliberativo.

Não cito isso em tom de crítica, mas como uma constatação de que em um clube diferente do nosso, os comportamentos são idênticos e, portanto, não devem ser tomados com surpresa quando acontecerem no Vasco às vésperas da próxima eleição. O que tem de ser levado em conta, quando acontecerem, não são as alianças em si, mas o porquê delas serem costuradas. Para o bem do clube ou para benefícios individuais ou de grupos?

Outro ponto fundamental visto por lá: grupos fechados existem e são ponto decisivo na eleição. Se comportam como partidos políticos e buscam uma unidade de ideias e pensamentos. Mas por mais democráticos e plurais que sejam, todos os grupos têm líderes e são estes líderes os verdadeiros elementos influentes em uma eleição. Olhe em volta e pense em qualquer associação de pessoas, seja essa uma entidade formal ou apenas um bando reunido em torno de uma ideia. Esse grupo se manifestará através de um ou mais líderes. E será tão forte e conhecido quanto forem estes representantes.

A chapa eleita é uma associação de alguns desses grupos. Com ideias completamente distintas.

Bom? Ruim? O tempo dirá. Até nossa eleição já teremos visto um pouco do andamento das coisas por lá. É um excelente termômetro.

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Escrevi textos aqui conclamando os torcedores do Vasco a incentivarem o time em campo os noventa minutos. A não vaiarem o time acontecesse o que acontecesse. Confesso aqui o quanto estava errado quando defendi essa ideia ao testemunhar a inaceitável atuação do bando vestido com a nossa camisa no primeiro tempo e ontem. Senti um tremendo alívio quando ouvi a chuva de vaias que surgiu por volta dos trinta minutos. Vou além: acredito piamente que só nos salvamos por obra e graça do Oeste de Itápolis. Acho que esta foi a única razão pela qual aquele bando desfibrado e à beira de um ataque de nervos conseguiu um mínimo de calma para jogar sete minutos de futebol e virar o jogo. Se no intervalo a notícia fosse outra, estaríamos hoje lamentando a desgraça de não ter subido.

Dei graças a Deus por saber que meu velho não estava vendo aquela coisa horrorosa. Cheguei a me sentir mal no intervalo do jogo. Não tinha nenhuma esperança de ver o que aconteceu no segundo tempo de jogo. Aconteceu o que vimos. À noite parecia que eu tinha levado uma surra. Imagino quantos vascaínos mundo afora não arriscaram suas saúdes (suas vidas!) testemunhando aquela missa negra.

Acho que o jogo Vasco x Ceará foi o epitáfio da gestão Eurico Miranda. Acho que até ele próprio deve ter morrido de tristeza ao ver o comportamento do seu Vasco em campo. Como ele, certamente vários dos seus eleitores. Estas pessoas certamente estarão propensas a mudar de ideia nas próximas eleições. Exceto se forem xingados e culpados pela situação atual. O que estamos cansados de ver acontecer. O ódio não nos ajudará.

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Não acredito que o período que estamos vivendo signifique um encolhimento da instituição Vasco da Gama. Basta olhar para o atual momento do Palmeiras.

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Um amigo falou que este texto deveria se chamar “Thalles, meu amor” em homenagem a tudo o que o jogador fez nos últimos jogos, no contra o Ceará principalmente. Pois bem: não creio que tenha feito nada mais do que a obrigação, pois o mínimo que se espera de um jogador que ganha fortunas para jogar é vontade e raça. Coisa que, infelizmente, muitos deles não têm. No entanto, este cidadão fez algo que eu não admito e que pra mim não tem nenhuma explicação plausível. Tirar a camisa na hora de um gol já é uma lástima. Atirá-la ao chão como se fosse um dejeto na lixeira é simplesmente inadmissível. Podem me dar quaisquer justificativas para que um jogador faça isso. Fosse eu um dos responsáveis pelo clube, seria exemplarmente multado para que nunca mais repetisse tal gesto com um objeto que é venerado por milhões de pessoas.

Dependesse de mim, hoje ainda: Thalles, Madson e Diguinho: Muito obrigado por seus serviços e adeus.

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Ontem, ao fim do jogo, um pensamento me preocupou e muito.

Se o senhor Eurico Miranda, num momento de lucidez, após ouvir a manifestação dos vascaínos no Maracanã, convocasse a imprensa e dissesse que ele e sua equipe consideravam seu papel cumprido no Vasco da Gama e estavam indo embora para as suas casas, o Vasco estaria hoje acéfalo.

Não temos hoje nenhum nome de consenso para governar o Vasco da Gama.

Me arriscaria a dizer que, dentre as opções conhecidas, não temos nenhum nome habilitado a conduzir o Vasco da Gama ao seu lugar de direito.

É fundamental que estas pessoas (mais de um, espero!) surjam e se façam conhecer pelo vascaíno. Urgentemente.

E agora? O que faremos?