Dois tempos

jorginho carvoeiro

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Sábado o Vasco viveu um de seus mais emblemáticos momentos recentes.

Não pelo resultado – importante – em si, nem pela atuação, mas por reencontrar o Maracanã.

Claro, os vascaínos e o mundo inteiro sabem que São Januário é o berço, a casa e o aconchego da cruz de Malta. Quanto a isso, não restam dúvidas.

Entretanto, como não achar bonito que a torcida tenha tomado para si o Maracanã, mesmo que este não tenha mais o charme de antigamente?

O Vasco é um dos times de maior torcida no Brasil; naturalmente, deve ser hospedado nos estádios de grande porte. E no Maracanã escreveu algumas das maravilhosas páginas do seu livro dos dias.

Percebam: enaltecer as arquibancadas do estádio nada tem a ver com qualquer desapreço para com a beleza clássica de São Januário. Longe disso: é uma construção bela, com uma história linda.

Acontece que é no Maracanã onde cabem mais e mais vascaínos para uma partida ao vivo. Nas rodadas derradeiras, rumo à série A, que outro lugar seria vital para se vivenciar a volta do time para onde jamais deveria ter saído?

Que a volta aconteça logo. São Januário sempre será a casa de máquinas da Colina. Entretanto, a imensa massa vascaína tem o Maracanã na medida certa para lhe abrigar. Agora, rumo ao ressurgimento; em breve, buscando os grandes títulos que se espera.

Numerosa demais, a turma é da fuzarca!

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Se tudo estiver correndo bem, na publicação desta coluna as eleições no Vasco estarão transcorrendo normalmente, dentro de paz e organização.

Como admirador do Vasco, adversário apenas dentro de campo e, principalmente, apaixonado por futebol, tudo o que eu espero que é deste processo venham ventos melhores para a Colina.

Não acredito na monocultura do futebol; sem o adversário, o outro, simplesmente não há história. Não é o que pensam redações e estúdios, que sempre contam com minha oposição.

Que esse processo eleitoral faça do Vasco um clube mais forte, capaz de se recuperar dessa tragédia que foi o atual governo, outrora capaz de inicialmente animar até pessoas de fora como eu, em vão.

O Vasco não merece outro desgoverno.

Sua retomada significa também a retomada do futebol carioca, hoje pálido diante de um Fluminense que tropeça e de um Botafogo à míngua.

Sinceramente, pelo que li, ouvi e pesquisei, ando por demais preocupado.

@pauloandel

Imagem: vascofotos