Do céu ao inferno.

Sessenta e quatro horas e poucos minutos. Esse foi o tempo que a nau vascaína levou para ir do céu ao inferno nesses últimos dias.

De uma vitória (a terceira seguida nesse ano) sobre o nosso maior rival a mais uma derrota acachapante diante do limitadíssimo Goiás.

Mas, por mais que os placares das duas partidas mostrem diferenças, eu enxerguei muitas semelhanças entre as partidas.

Nosso problema é psicológico. Um gol adverso e desmoronamos tática, técnica e sobretudo psicologicamente. Todas as reações que tivemos a partir do primeiro gol tomado (de forma ridícula!) do Goiás mostram isso.

Contra o Fla, quase aconteceu isso, mas graças à falta de pontaria do artilheiro do caô e a ótima fase do nosso goleiro, eles não marcaram primeiro. Se essa bola tivesse entrado, não chegaríamos nem perto do céu… Quiçá chegaríamos ao purgatório!

A bola não entrou, nos reequilibramos e conseguimos ao menos igualar na vontade. Mais um dos nosso defeitos foi exposto nesse momento: a quantidade enorme de gols perdidos. Nenê, Julios dos Santos, Riascos e Julio dos Santos novamente…

Até que achamos um gol no segundo tempo e aí foi a vez do rival mostrar suas fragilidades. Uma tremenda incompetência para furar a pior defesa do Brasil e um destempero emocional que só nos favoreceu. Poderíamos (e deveríamos!) nos aproveitar e fazer mais gols, mas novamente esbarramos nas nossas enormes dificuldades.

Ainda assim, vencer o maior rival nos trazia alguma esperança de dias menos ruins… Ledo engano.

Com menos de cinco minutos, na cobrança de um lateral, numa bicicleta improvável em que, a meu ver, falharam o Ânderson Salles (se ele disputa a bola com a cabeça, seria falta do atacante) e o nosso goleiro ao pular atrasado numa bola defensável, tomamos o primeiro gol.

E aí, novamente como tem sido a tônica desse nosso campeonato brasileiro, desmoronamos. Viramos um bando… Um pênalti infantil – e por favor: a imagem foi clara… Foi pênalti! Se normalmente um árbitro ou mais ainda se um auxiliar costuma marcar ou não, isso é outra história; e tomamos o segundo gol com menos de 15 minutos de jogo.

Depois mais uma lance infeliz. Longe de ser um fato capital… determinante para a nossa 13ª derrota, mas a meu ver um lance que não deveria ter acontecido com um jogador experiente como Jorge Henrique. Chegou e me lembrar o Bernardo… Ora, para que revidar?!?!? E ainda digo mais, com a cabeça um pouco mais no lugar, poderia fazer um “teatrinho”, como se sua cabeça tivesse sido arrancada e talvez fosse o jogador do Goiás e não ele o expulso. Mas não… Quis revidar… Não o atingiu? Qual a diferença…? Ele QUIS revidar e isso basta para se configurar um motivo de expulsão.

Nesse momento vi que novamente, mais uma vez, a “vaca tinha ido para o brejo”. O pênalti no fim foi a “cereja do bolo” para nossa volta ao inferno…

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Disse aqui na minha última coluna que não iria ao jogo contra o Flamengo. E não iria mesmo… Passei mal após a derrota contra o Coritiba e havia decidido me preservar. Além de, é claro, não acreditar sinceramente que iríamos vencer…

Mas o coração vascaíno falou mas alto… Num daqueles momentos em que deixa-se de pensar racionalmente e extravasa-se a paixão, eu resolvi em cima da hora ir e fui ao jogo.

Sorte a minha que era o momento, raro nesses últimos meses, de darmos uma passada no céu…

A pergunta que fica é: será que um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Veremos…