A dependência

Entre as muitas notícias surgidas na semana passada, uma chamou mais a minha atenção:

Vasco pede 10 milhões à Globo

Diretoria em final de carreira pedindo socorro para empurrar os problemas para diante, mais precisamente para a próxima gestão.

É desconhecido o tamanho do buraco que esta vai encontrar. Provavelmente surgirão dele japoneses, tal a profundidade. Mas aqui a pergunta é outra. Dez milhões pro Vasco tapar seu buraco. Por ano são 170 milhões pro Flamengo, 170 milhões pro corinthians, 100 milhões pro Vasco, 100 pro São Paulo… E por ai vai.

A quanto vai essa conta pros cofres da Globo? Um bilhão por ano? Dois? Certamente a soma anúncios e pay-per-view dá muito resultado, ou a nave-mãe não estaria ampliando seus investimentos. É certo então que, pelo menos para o player central do mercado, o futebol é um ótimo negócio.

Por que, então, aumentar o ganho de dois clubes em detrimento dos demais? Acho que em seus delírios de megalomania, os responsáveis pelo futebol da empresa pensam numa liga mundial de grandes clubes. Essa teoria combina com a transmissão de jogos do Real Madrid, Barcelona e Bayern, entre outros. Imaginem uma liga com esses clubes e mais Mengão e Corinthians? Deve ter gente tendo orgasmos múltiplos só de imaginar tal coisa.

Da mesma forma que o interesse no Volei cresceu loucamente no Brasil com o maravilhoso desempenho das seleções de uns 25 pra cá, o futebol também depende (embora não pareça) do desempenho da seleção em campo. O desempenho pífio em 1990 teve consequências no futebol brasileiro como um todo. Já mais recentemente, em 2002, quando o Brasil esteve perto de não se classificar para a Copa do Mundo (e acabou ganhando a Copa) o investimento da emissora esteve próximo do colapso.

O que acontecerá com o negócio futebol se o Brasil fracassar na Copa? Desinteresse na Copa e fatalmente no resto do Campeonato Brasileiro. A ressaca do porre da véspera. Atenções já voltadas para a eleição presidencial que vem em seguida.

E tudo isso nas mãos de uma única instituição. A Globo. O futebol brasileiro inteiro depende do dinheiro da TV para sobreviver. O que aconteceria com o futebol hoje se a Globo resolvesse, por qualquer razão, deixar o mercado? Clubes quebrando (como se não tivssem já, todos, quebrados) e encerrando suas atividades? Campeonatos falidos deixando de acontecer?

As histórias passadas de dependência de clubes de um mantenedor financeiro não são felizes. Palmeiras e Parmalat, Corinthians e ISL são exemplos dos resultados. Os tricolores de hoje tentam desesperadamente reduzir a total dependência da Unimed.

No caso atual, não se trata de uma agremiação isolada, mas de todo o mercado. Será que alguém está pensando em alternativas? Ou o futebol vai continuar correndo o risco de parar?

abraços

Zeh