Decepção em SJ

Era para ser uma manhã de festa em SJ. Mas tinham que avisar antes ao Bahia. Como não avisaram, o Bahia jogou melhor na defesa, principalmente no segundo tempo, e derrotou o onze cruzmaltino por 2 a 0. O bom time baiano mostrou que pode lutar até por Libertadores, tendo em vista que tem um bom elenco e um bom técnico, Roger Machado, que foi injustiçado no Palmeiras. Sábado mostrou sua competência ao entrar em campo com um time bem armado defensivamente.

Tendo a vista a introdução, o jogo de sábado demonstrou uma deficiência clara do time cruzmaltino: é um time que não propõe jogo; logo mesmo em SJ, terá dificuldades contra times fechados. Ciente disso, o Bahia montou um esquema defensivo eficiente. E com isso, o Vasco só teve duas chances no jogo todo, no primeiro tempo, e não criou rigorosamente nada no segundo. E isso explica a derrota no segundo tempo. No primeiro tempo, O Bahia nada fez ofensivamente e Raul em chute fora da área aos 11 obrigou Douglas a uma boa defesa. E Pikachu aos 15 minutos aproveitou um cruzamento de Rossi e cabeceou para fora. E foi só. A defesa baiana neutralizou a pressão cruzmaltina com certa facilidade. Mesmo assim, a torcida empurrou o time; mas o bem armado time baiano rechaçou todos os ataques cruzmaltinos.

No segundo tempo, o Bahia voltou melhor ofensivamente também. E liquidou o jogo em 15 minutos. Aos 5, Gilberto perdeu uma chance em boa defesa de Fernando Miguel. E aos 11 abrem o placar: lançamento de Grégore, Henrique vacila no lance ao esperar a bola e disso Nino Paraíba se aproveita, dá um toque sutil, tabela com Gilberto que dá um leve toque de cabeça para encobrir Henriquez e o mesmo Nino Paraíba aparece por trás do zagueiro e encobre Fernando Miguel, no meio do caminho. E 4 minutos depois, outro lançamento para Gilberto, que ganha de Leandro Castan na corrida e fuzila Fernando Miguel, mais uma vez adiantado. Belo gol. E depois disso, não houve mais nada de relevante na partida. Em 4 minutos, o Bahia liquida a partida.

No final das contas, o que se viu na manhã de sábado em SJ é o seguinte: elenco limitado. O time sentiu visivelmente a falta de Richard e Talles Magno; hoje o Vasco não tem substitutos à altura para esses dois jogadores. Felipe Bastos não marca; no ataque, Clayton não fez absolutamente nada. Nulo. O único que ainda tentou algo foi Marrony; mas sozinho fica difícil. A defesa foi toda mal; pegaram no pé do Henrique, por causa do primeiro gol; ok foi uma falha evitável, não se pode esperar a bola, tem que antecipar. Porém, depois reparem que Henriquez e Fernando Miguel também não se entenderam. e no segundo gol, Castan perdeu para Gilberto na corrida. A torcida ficou decepcionada, revoltada. Mas não adianta perseguir jogadores individualmente. A torcida cruzmaltina tem o péssimo hábito de perseguir jogadores da base. Ricardo Graça também sofreu essa perseguição. O Henrique não foi o principal culpado da derrota. Assim como ele, toda a defesa falhou num todo. Danilo Barcelos não sabe marcar. Ele não joga ali há milênios. Barcelos tem jogado do meio para a frente ao longo da carreira. Ele deixou de ser lateral há muito tempo. A torcida cruzmaltina é passional. É compreensível a revolta pelos quase 20 anos de crises políticas e rebaixamentos. Mas de nada adianta jogar essa revolta em cima dos jogadores, persegui-los. É pior, intimida mais o jogador, quando a cabeça é mais fraca. Por mais que seja forte a decepção, lotar estádio, existe um time do outro lado. E hoje o Bahia é superior ao Vasco. Sim, é superior, por isso ganhou a partida. Perseguir nossos jogadores é inútil. Só agrava mais a dificil situação.