Coxinhas, petralhas, bovinos e euriquistas

Já estamos praticamente na metade da gestão atual de Eurico Miranda à frente do Vasco da Gama e eu, infelizmente, tenho de voltar a este assunto profundamente desagradável. E volto a ele com a autoridade (ou ausência de) de quem não foi eleitor de Eurico Miranda e tampouco de Julio Brant. Por não me enquadrar, então, em nenhuma das duas “correntes”, sendo apenas e tão somente Vasco, acho que é legítimo dizer o seguinte:

Humilhar, xingar de imbecil, burro, idiota, filho da puta ou qualquer outro adjetivo desse naipe não vai convencer ninguém a mudar de opinião sobre o seu voto nas últimas eleições.

Dizer para alguém: “Tá vendo, idiota, o que o Eurico está fazendo com o nosso Vasco?” não vai fazê-lo refletir na possibilidade de ter errado. Só vai reforçar nele a manutenção da posição, ainda que por ódio. Você mudaria seu voto para alguém que te chama de imbecil? Que vê em você má fé?

E você, que vê na atual gestão vários acertos, por que não os enaltece apenas, ao invés de tripudiar da e ofender a oposição? Qual o objetivo a ser atingido ao chamar alguém de bovino ou coisa parecida?

Quero contar a todos vocês, em quem alguma dessas carapuças entrou, uma coisa chocante:

É todo mundo Vasco.

E essa maldita divisão já encheu o saco de todo mundo. Principalmente o de quem não tem nada com isso e só quer ver o Vasco crescer e ganhar tudo e não ficar vendo gente instruída agir feito um bando de colegiais e produzir lixo e desunião. O Vasco só chegou a ser o que é hoje graças a uma enorme comunhão de esforços. Assim construímos São Januário e a história mais linda dentre os clubes brasileiros. Precisamos virar essa página.

E só pra reforçar e deixar 1000% claro o objetivo do texto: Não se trata de apoiar ou não a gestão atual. E sim fazê-lo sem ofender a quem pensa diferente de você. Esta, sim, é a maior das burrices que se pode fazer. Por favor, descarregue suas frustrações de outra forma. Como dizia minha tia: “Tá nervoso? Tire as calças pela cabeça!”.

/+/

Ainda não sei o que afirmar sobre o episódio da renovação com a Caixa. Num primeiro momento, a história toda parece uma desgraça. Porém, vivendo o que vivi em 2015, vendo a situação atual do país, sinceramente não sei se foi tão horroroso assim.

De concreto, dá para afirmar que a comparação com o Corinthians, hoje, é desleal. Campeão Brasileiro, líder do Paulista, disputando a Libertadores e, principalmente, tendo a Globo transmitindo uma quantidade desigual de jogos do time, é óbvio que eu pagaria muito mais para patrocinar o time paulista. E a distância de valores me parece justificável pelo que os clubes retornarão neste quadro atual.

O Vasco está achando nove milhões pouco? Só depende dele, Vasco, a volta desses valores a um patamar aceitável. É “só” ganhar. Ganhe o Carioca, a Copa do Brasil e o Brasileiro da série B que, milagrosamente, a Caixa será forçada a oferecer mais. Ou será expulsa e trocada por outra marca disposta a associar a sua marca a um time vitorioso.

Precisamos de pé no chão nessa hora. Estamos na lama e precisamos nos reinventar. A culpa não é da Caixa. É do Vasco. É do Eurico. Se estivéssemos por cima, teria gente batendo à porta de São Januário querendo o lugar da Caixa.

É necessário muita humildade e trabalho. Com as vitórias, a grana vem. Enquanto estivermos dentro do buraco, a realidade será dura. E bravatas não resolvem o problema nem pagam contas.

Por último, convém lembrar, sempre que este assunto vem à tona, da famigerada Nissan. O boicote deve continuar, até que a fábrica se retrate das barbaridades ditas para a torcida do Vasco. Se não se retratar, Vascaíno de verdade não compra Nissan. Nunca mais.