Corrupção? No futebol? Nunca!

Tirou seu nariz de palhaço antes de dormir?

Eu tirei.

Olhe em volta: vivemos num raio de país assolado pela corrupção em todos os escalões e poderes. Onde ser “esperto” é uma virtude. Onde as pessoas acham normal dar dinheiro para um garçom de festa para que este o atenda bem (ou seja, para que ele o sirva melhor que aos demais convivas).

O que você esperava então de um jogo de futebol? Limpeza? Retidão de caráter?

Se presidentes, deputados, juízes, ministros, governadores, prefeitos, vereadores, diretores de empresas públicas e privadas, porteiros, policiais, seguranças e garçons se corrompem, por que você ainda espera lisura de uma arbitragem de futebol?

Estamos falando de uma competição organizada por uma entidade cujo ex-presidente, também ex-governador de São Paulo, se encontra preso na Suiça. O atual presidente não viaja para o exterior por medo de ter destino similar.

Respondendo a pergunta do parágrafo anterior, acho que a grande imprensa tem muita culpa nisso. Alguém já viu algum dos grandes cardeais da imprensa levantar hipótese de que os errinhos que vemos todos os dias, coincidentemente favorecendo os mesmos clubes, não sejam enganos, mas sim uma ação deliberada?

Não estou aqui dizendo que nenhum jornalista deveria afirmar que o juiz Fulano é ladrão, que recebeu dinheiro, que favoreceu o time X. Estou afirmando que a imprensa esportiva de um país afogado em corrupção observa uma quantidade incrível de erros inaceitáveis de arbitragem e sequer considera a possibilidade de que haja algo pior do que apenas a atuação do juiz. É como se o futebol fosse uma ilha de lisura (e coincidências) no mar de lama no qual estamos vivendo.

Nomes como o de Ivens Mendes, Mauro Celso Petraglia, Alberto Dualibi são esquecidos pela imprensa. Gostaria de recomendar aos amigos leitores um pesquisa no google pelo nome de Petraglia, atual mandatário do Atlético Paranaense, um dos líderes da atual liga sul-minas que Flamengo e Fluminense trabalham para criar.

Todo mundo já ouviu que existem indícios da corrupção da Portuguesa de Desportos na rodada final de 2013. Todo mundo já ouviu falar do procurador Roberto Senise. Onde estão e quais são as conclusões do inquérito? Houve corrupção? Caso afirmativo, quem pagou? Em havendo pago, qual a punição esportiva para os envolvidos? Por que quase dois anos depois não há conclusão para esta história? E, a pergunta final, que arremata tudo o que falamos ai acima: por que a imprensa parou de falar nesse assunto?

Sobre os errinhos do jogo de ontem e a atuação de Eurico Miranda: o juiz da partida de ontem tem um enorme azar ao apitar jogos do Vasco e, coincidentemente, acaba sempre errando e beneficiando o adversário. Este cidadão não deveria apitar mais jogos do Vasco. Mas segue sendo escalado e, coitado, se enganando sucessivas vezes contra a gente.

O Vasco da Gama deveria exigir que tal figura não seja mais escalada para apitar as nossas partidas.

Essa é a atitude que espero da diretoria e que não está sendo tomada. Se efetivamente vai se conseguir barrar tal juiz de frequentar o mesmo estádio que o Vasco, não sei. Mas marcar uma posição, escancarar a insatisfação e exigir a não escalação desse (e de alguns outros!) é ponto fundamental. E não está sendo feito. Ou, se está, não está sendo divulgado corretamente.

A luta continua, mesmo sem os dois pontos tungados de ontem. Domingo à tarde voltarei a vestir meu nariz de palhaço.