Copo meio cheio ou meio vazio?

Um dos assuntos que mais bombou nas redes sociais nesta semana foi o embate entre Luíza Trajano, dona do Magazine Luíza e defensora ferrenha do governo, e Diogo Mainardi, um cara que não se sabe bem o que faz e crítico feroz dos ocupantes do Palácio do Planalto. Não vou me prender à discussão travada pela dupla, mas sim a expressão que marca o falatório, o tal jeito de ver o copo: está meio cheio ou meio vazio?

Como sou gordo, costumo achar que tudo está meio vazio: o copo, o prato e a garfada.

Mas entendo a posição do povo que defende que o copo está meio cheio. É um jeito otimista de ser. Gostaria muito de ser assim. Não só com o país, mas especialmente com o Vasco.

Sim, porque esse blá-blá-blá todo é para perguntar a você: olhando os resultados deste ano, o copo do Vasco está meio cheio ou meio vazio?

Se você for um pessimista à la Mainardi, vai achar que o copo está meio vazio, pois os empates foram contra Boavista e Macaé, este em uma partida onde ficamos com um a mais por 22 minutos e não tivemos a competência de empurrar uma bolinha sequer para a rede – até o Pedro Ken fazer o favor de ajudar o juiz Wágner do Nascimento Magalhães a compensar a expulsão de Ernani. Aliás, se chegamos ao ponto de o árbitro compensar uma expulsão contra o Macaé, é sinal de que o copo está mesmo é vazio. Mas isso é outra história.

Porém, se for um otimista à la Luiza, aí vai achar o copo meio cheio. Afinal, estamos invictos no Carioca, a apenas três pontos da zona de classificação para as semifinais, há ainda 13 rodadas pela frente e conseguimos ter poder de reação depois de começarmos muito mal contra o Macaé. Por pouco não viramos, com duas bolas na trave e dois gols tirados em cima da linha.

A decisão é sua. A minha eu já tomei: o copo do Vasco está na metade.

Justifico: não dá para analisar o time por nada nestas duas partidas. Primeiro, porque ainda é um catadão, formado às pressas para este início de temporada, que sempre começa com os grandes desacelerados. Eis o velho erro do futebol brasileiro: os times maiores sempre largam atrás dos pequenos. A diferença técnica é que iguala tudo. Por isso, o medíocre time do Império do Mal amealha duas vitórias em suados 1 x 0. Reconheçamos: eles são melhores que Audax e Volta Redonda.

Quer dizer então que somos piores que eles? Não disse isso. Falei que somos um catadão. A começar pelo gol, onde aturamos o Diego Silva (por que não testar o Jordi? Isso eu não entendo…). A demora em regularizar o Martín Silva foi irritante. O meio inexiste, pela falta de jogadores criativos. Não temos muitos. Mas Juninho Pernambucano, mesmo com quase 40 anos, Bernardo e Montoya dão dar para o gasto diante de nossos desafios: jogar o Carioca sem o Botafogo (o time deles sonha em preto e branco com a Libertadores), arrumar uma das quatro vagas na Série B contra 19 ninguéns (não dá para temer time algum ali, por favor…) e arriscar a sorte na Copa do Brasil.

O problema é que, quando todo mundo puder jogar, nosso time estará abaixo dos demais cariocas. E tem pelo menos dois pontos fracos: os laterais ainda são uma incógnita (e podem ser bem ruins, diga-se de passagem, pelo que apresentaram nestas partidas) e o ataque é de lua. Isso vai dificultar muito o trabalho dos que estão lá.

Hoje, se eu fosse treinador e tivesse todos os jogadores em forma, escalaria Martín Silva, André Santos, Rodrigo, Luan (ou Rafael Vaz ou Jomar) e Marlon (ou Henrique); Aranda, Guiñazu, Bernardo e Montoya; Edmilson e Thalles. No banco, Jordi, Reginaldo, Barbio, Felipe Bastos, Pedro Ken, Everton Costa e os que sobrarem. Meu sistema seria um 4-4-2 clássico.

Porém, para encher a gente (e não é exatamente o copo), o brilhante Adílson Batista insiste no esquema mais maluco de todos os tempos: quatro na defesa, três volantes e três atacantes. Não tem como dar certo. Neste modelo, a bola só chega esticada em chutões. Guiñazu (que não pode se primeiro volante de jeito nenhum, por falta de condições físicas para cobrir os laterais), Fellipe Bastos e Abuda ou Pedro Ken não possuem qualidades mínimas para municiar um ataque com Barbio, Edmilson e Reginaldo. É preciso sacar um da frente e colocar mais um no meio – desde que não seja outro volante.

Assim, o copo está exatamente na metade. O treinador não tem os melhores em forma e escala o que pode – e mal, diga-se de passagem. Precisamos esperar mais um pouco para ver o que pode dar certo – e neste fim de semana, espero que tenhamos a estreia, ao menos, do Martín Silva no gol, para esquecer todos os frangos da Granja Vasco de 2013. Também espero que o Adilson pare de ser teimoso e, ao menos, saque um dos inúteis do ataque e escale um meia – pelo menos unzinho. Pode ser até o Montoya no primeiro tempo e o Bernardo no segundo. Mas um meia é indispensável, meu querido. Do contrário, ninguém que está na frente recebe a bola

Não quero dar uma de pessimista, mas vai aí um aviso ao Adílson: trate de mexer no time e ganhar do Friburguense. O copo da torcida do Vasco está meio vazio porque o saco já está cheio há muito tempo.