Como se livrar do passado?

Meses atrás, quando anunciou o final da carreira, tive a esperança de uma participação efetiva de Juninho Pernambucano nos destinos do Vasco. Em suas duas longas temporadas no clube, conviveu de perto com os dois principais elementos da eleição Vascaína, Eurico e Roberto. Certamente sabe de histórias e fatos acerca dos dois “governos” que seriam importantíssimoa para os destinos da eleição que vem por ai.

Então, num movimento surpreendente, aparece na Globo. Num primeiro momento, pareceu até certo ponto uma traição. Uma forma de amenizar a rejeição à Globo numa das maiores torcidas do Brasil. Mas, pensando por outro lado, é um ponto positivo. Se não se deixar levar pelo que o posto parece obrigar.

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Acerca da eleição, algumas reflexões: Será que sujeitos que viveram e vivem São Januário, como o próprio Juninho, Juninho Paulista, Pedrinho, Felipe, Edmundo, Sorato, Mauro Geraldo Galvão e Romário não poderiam contar pra torcida o que viram por lá? As histórias de bastidores desses atletas, alguns deles verdadeiramente torcedores do Vasco, podem ser a informação que falta para algum torcedor mudar seu voto para o próximo pleito.

E acerca de mudanças, suponha que eu seja eleitor do Eurico. Em sendo, eu acredito que o Eurico sacaneou a Globo, o Eurico nos deu vários títulos, o Eurico tiraria o time de campo em Joinville (essa eu afirmo. tiraria) o Eurico traria de volta o respeito ao Vasco etc. Se eu acredito nisso, não vão ser o profissionalismo e a renovação que vão me fazer desistir do meu ídolo para votar numa novidade.

Vocês têm de convencer os Vascaínos de bem, que pensam, de que essa não é a saída. Como? Desconstruindo um mito. Reduzindo o charuto a cinza. Mas vejam, não é com números. Um cara que afirma, com todas as letras, que “não tem proposta”, baseia a sua campanha unica e exclusivamente em si próprio, em sua figura, carisma. O eleitor bem intencionado de um candidato desses não vai ser sensibilizado por informações de buracos de milhões, dívidas estratosféricas. A resposta, tanto do eleitor quanto do candidato, será afirmar que “isso é besteira” e que ele, quando presidente, irá resolver tudo isso. Pois quem se opõe ao cidadão é considerado quase um flamenguista, ao se opor ao “Vasco Forte”.

Então, meus caros, a luta, infelizmente, será travada com as armas dele. É ele, Eurico, o personagem, que terá de ser apagado se quisermos uma nova administração no Vasco. E para isso, ao contrário do que parece, é fundamental que ele apareça, fale e se exponha. Calado, ele é o “grande Eurico”, temido pela flamengada e pela flapress.

Quanto à imprensa, esta sim, pode ser catequizada por alguém com punch suficiente para ocupar a lacuna deixada pelo ostracismo de Roberto Dinamite e pela rejeição e medo do velho Eurico. Carisma. O salvador da pátria tem de ter esse sal.

Inclusive para impor respeito ao próprio adversário.

o que acham?

abraços

Zeh