Como fabricar uma crise

Acabo falando muito de imprensa por aqui, infelizmente. O assunto é recorrente, visto a influência que tem sobre o futebol no Brasil. Mais profundamente, talvez, no Rio de Janeiro.

Os fatos ocorridos nessa semana, criados na Gávea, servem para uma reflexão útil para qualquer clube de futebol.

Ainda na manhã de segunda-feira começaram a pipocar notícias da contratação de Nei Franco pela Gávea. Não havia a confirmação da saída de Jaime. Cardeais da imprensa afirmavam a troca. Silêncio completo no clube.

No fim do dia, a crise se instala. Um indignado Jaime vocifera (com razão) em todos os canais esportivos. Se mostra revoltado com o desrespeito completo do clube para com um profissional que nele atuou por anos a fio.

A desgraça não poderia ser pior em termos de divulgação. Tendo sido feita numa segunda feira, a fritura de Jaime explodiu no colo das duas mesas redondas dos dois maiores canais de esportes do país. Depois de dar entrevistas à tarde ao vivo, pelo telefone, para o terceiro canal, Jaime fala ao vivo nos outros dois programas.

O mais incrível – e inexplicável – é que essa situação toda derivou da falta de um telefonema. Um simples telefonema e o pacato Jaime teria aceitado as desculpas do clube e voltado a ser o auxilar que era meses atrás. Com a falta dele, enfureceram um cara calmo, bem visto até pelas torcidas rivais. A sensação geral não foi de pena, mas de indignação.

Mas essa diretoria do Flamengo não é profissional? Diferente?

O responsável pelo futebol do clube foi saído junto com o técnico. Já era persona non grata. Oportunidade.

Eis que terça-feira, dia seguinte, começam a pipocar críticas a vários aspectos da administração profissional. Dentre os quais o financeiro, com gastos exorbitantes surgindo por meio de documentos vazados do clube, contratos com empresas de dirigentes. Justamente o ponto de destaque da diretoria.

O vento mudou.

Escancarada mais uma atuação catastrófica da gestão antes louvada por todos, esta parece ter sido a gota d’água para que o grande núcleo de apoio ao clube abandonasse o navio.

A sorte deles é que o caso André Santos traria consequências grandes demais para ser desenterrado.

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E onde entra o Vasco nisso tudo?

No claro exemplo dado pela Gávea de que o equilíbrio político de uma gestão pode ir por água abaixo por causa de um único gesto. Ou omissão. Na influência que a mudança do vento pode trazer pra política do clube.

Quem você acha que a imprensa quer ver mandando no Vasco? E mais especificamente a Globo?

Respostas para a fritura da Gestão Profissional a seguir.

Respostas para quem a imprensa vai apoiar, mais adiante.

abraços

Zeh