Com que roupa…

Em 1929, Noel Rosa compôs o imortal samba “Com que roupa”. Nele, fala das desventuras de um sujeito sem o terno adequado para ir a um samba. A música tem versos que se adaptam à realidade do Vasco, entre eles “Agora eu não ando mais fagueiro/ Pois o dinheiro não é fácil de ganhar/ Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro/ Não consigo ter nem pra gastar”, onde o trapaceiro me lembra alguém muito peculiar, e esse trecho aqui: “Eu hoje estou pulando como sapo/Pra ver se escapo desta praga de urubu”, que me lembra alguns sopradores de apito da Federação Pernambucana, especialmente o senhor Marcelo de Lima Henrique. Sem contar a passagem em que ele diz que o português deu o fora e levou seu capital. Mais realidade do Vasco, impossível.

E é ao som do Noel que eu vou pensando com que roupa o Vasco entrará em campo nesta temporada. Pelo que Doriva tem escalado em Pinheiral (um lugar ótimo para pré-temporada), começaremos o ano com Martín Silva, Jean Patrick, Luan, Rodrigo e Christiano; Guiñazu, Sandro Silva, Bernardo e Montoya; Rafael Silva e Marcinho.

Convenhamos, não é dos piores times. Ainda mais porque, no banco, haverá alguns jogadores de qualidade, como Julio dos Santos e Douglas Silva, uns razoáveis, como Anderson Salles e Lucas, e as promessas Matheus Índio, Jhon Cley, Guilherme Costa, Marquinhos do Sul e Jordi, sem contar com os que podem ser pinçados pós-Copinha. Para o atual estágio do futebol brasileiro, não é time para se desprezar. Mas também não nos permite sonhar com muita coisa. Estadual? Pode ser? Copa do Brasil? Dando sorte nos confrontos na fase decisiva, tudo é possível? Brasileirão? Bom, aí o caldo é mais grosso e acho que serão preciso reforços.

O que não 16251879381_b4df1838e5_zdá para entender ainda é a presença de alguns jogadores no grupo. Não vou dar nomes, mas achei estranha a vinda de certos “reforços” de times de séries inferiores. Mas vamos esperar para ver se serão encaixados no grupo do Cariocão ou não. Vai que um deles estoura?

O bom é que “a roupa” não parece tão fora de esquadro ou gasta como na música de Noel Rosa. Vamos ver como o “alfaiate” Doriva vai costurar este “terno”.

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Ainda falta um 10 de respeito ao Vasco. Ano passado, embora estivesse gordo, lento e atuando com visível má vontade, Douglas resolveu muito jogos só com o nome e a fama. Este ano, precisamos de um 10 que queira resolver as coisas na bola.

Seria Bernardo? Difícil crer. Montoya? Mais difícil ainda. Julio dos Santos? Quem sabe…

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A estreia deste time será uma prova de fogo: em Manaus, contra o maior rival. Pelo que eles têm treinado, o time adversário terá Paulo Victor; Léo Moura, Wallace, Samir e Thallyson; Cáceres, Canteros e Eduardo da Silva; Everton, Gabriel e Marcelo Cirino. Nada de espetacular. Vamos ver se o Vasco conquista seu primeiro troféu, já que o presidente atual vive bafejando aos quatro cantos que jogo com o Flamengo é um campeonato à parte  – o que eu acho que acaba sendo um marketing que só faz encher a bola do adversário.

Ainda sobre os demais grandes cariocas, o time do Botafogo me pareceu ser o mais fraco. Com a “dupla dinâmica” Renê Simões e Antônio Lopes no comando, o primeiro esboço de time titular foi Jefferson, Gilberto, Roger Carvalho, Alisson e Carletto; Aírton, Marcelo Mattos, Gegê e Diego Jardel; Rodrigo Pimpão e Bill.  No papel, o melhor time é o do Fluminense: Diego Cavalieri, Renato, Henrique, Guilherme Mattis e Guilherme Santos; Edson, Jean, Lucas Gomes, Conca e Wagner; Fred. Mas em campo é que a coisa se decide.

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Estou de volta todas as quartas. Até a próxima!