Os Cavaleiros do Apocalipse

26 de agosto de 1995. Sentei-me numa tarde de domingo pra assistir um Santos x Vasco pelo brasileiro, disputado no estádio Urbano Caldeira, Vila Belmiro, Santos.

A espectativa era por conhecer Leonardo, camisa 9, recém chegado do Sport Recife. Depositava nele as maiores esperanças. Junto estreava um camisa 11 (!) chamado Juninho. Em 15 minutos, perdíamos de 2 a 0. Meu velho xingava.

O que aconteceu depois, qualquer vascaíno mais velho lembra. Pimentel, Juninho, Ian, Leonardo e Valdir Bigode moeram o Santos e conquistaram uma vitória histórica por 5 a 3. O tal Leonardo fez dois gols, deu passe pra outro. Juninho acertou um de seus chutes improváveis de fora da área. O último gol do Vasco, de Valdir, é uma obra prima. Merecia placa no estádio de Pelé. Terminei o jogo certo de que teríamos um ano maravilhoso e que dali em diante só teríamos alegrias.

Nada aconteceu. Esse time quase queimou o Juninho no Vasco. Dois anos se passariam até que tivéssemos alegrias novamente. E isso tem 20 longos anos…

Mas nas comunidades vascaínas, especialistas já vaticinam o Vasco como candidato ao rebaixamento de um campeonato brasileiro que virá após o carioca, que ainda não começou.

Técnico novo, campeão paulista com um time pequeno, ainda recebendo os reforços que chegam, Doriva passou cerca de 10 dias com o time em Pinheiral, onde foi enfatizado o condicionamento físico. Não teve tempo para definir seu time, que dirá treinar um esquema de jogo.

O time ainda em montagem de Doriva perdeu os dois primeiros jogos oficiais que disputou, contra Flamengo e São Paulo, num torneio amistoso em Manaus. Jogou de igual pra igual com ambos, tendo tido oportunidade de vencer as duas partidas. Paulo Vitor, goleiro do Flamengo, foi unanimemente aclamado o melhor do jogo. Os dois adversários são times já montados em 2014 com pouquíssimos reforços e, claro, com muito mais entrosamento que o grupo recém formado do Vasco. O São Paulo, com este time, é o atual vice-campeão brasileiro.

Até minha mãe entende isso.

Mas os cavaleiros do apocalipse lá estão para anunciar a extrema unção (que nem existe mais – hoje se chama unção dos enfermos) do Vasco. Que as derrotas virão. Que esse time é pior que o do ano passado. Que não ficaremos entre os quatro semifinalistas do carioca. Que o pior ainda está por vir.

Pode até ser que esses – mil perdões – chatos e frustrados tenham razão. Que tudo isso venha a ocorrer. Isso certamente fará essa meia-dúzia feliz. Mas nada no começo do ano do Vasco justifica esse pessimismo. Mandamos embora uma grande quantidade de porcarias. Contratamos de forma condizente com a combalida condição financeira do clube. Apostamos num técnico novo, já ganhador, com ideias novas, um cara que gosta de jogar pra atacar. Contratamos o artilheiro da última Libertadores. Cabeça de área do Macaé que interessava a vários outros clubes.

Se a vitória esmagadora de 20 anos atrás não significou nada, podem ter certeza de que as carpideiras que aqui vêm alertar sobre as pragas do Egito não têm fundamento algum.

Futebol está se tornando um troço chato pra cacete. Primeiro porque está querendo pular da seção de esportes pra de economia. Só se fala na “gestão profissional da Gávea”. Curiosamente estes vascaínos (com v minúsculo) se esquecem do obscuro final da temporada de 2013, onde essa administração cometeu um pequeno errinho que poderia ter rebaixado o “mais querido” à segunda divisão.

A grama do vizinho é sempre mais verde pra essa turma.

Finalizando: estamos vendo ai os primeiros 30 dias da gestão Dilma Rousseff. Uma desgraça em todos os sentidos. Mas é com ela que a gente vai. É igualzinho no Vasco. Amigos, o timão está na mão dele. Criticar as barbaridades? Sempre!

Mas ratos e urubus, larguem minha fantasia. Deixem os Vascaínos verem seu futebol e sofrer quando e se as coisas ruins acontecerem. Descarreguem suas frustrações em outros.

E parem de ler esses jornais que vocês lêem. Vocês não sabem, mas estão contaminados. Se tornaram inocentes úteis da flapress.

Vasco! Vasco! Vasco!