Calma… muita calma…

A existência de um bom goleiro debaixo das traves foi o suficiente para uma revolução nas arquibancadas e TVs vascaínas. Há mais do que esperança. Há uma tranquilidade indisfarçável.

Sentei-me hoje à tarde para assistir a partida numa tranqilidade zen budista. Parecia que eu tinha tomado um calmante. Uma garrafinha de vinho pra relaxar. Massagem. E não rolou nada disso. Era Vasco na veia.

Mas eu não senti o coração disparado. Nem quando o Botafogo ensaiou uma pressãozinha no fim do jogo. Vejam, a coisa estava tão preta que passou a ser difícil jogar contra o Botafogo! Perdemos partidas com gol de Elkeson. Demos moral para Seedorf! Empatamos jogo perdido e deixamos o Botafogo ganhar, depois do empate heróico.

Não, o Vascaíno não pode jamais temer o Botafogo. E não temia. Nunca temeu. Nem em 2013. Nem com Garrincha, nem com Gérson. Iríamos começar a temer este time atual?

Não! O vascaíno começou a temer o próprio Vasco! Os goleiros malditos. No Maracanã, olhávamos para o Botafogo como se fosse um time misto do Real Madri com o Barcelona, porque a qualquer momento, um peteleco, um chute mequetrefe qualquer ia pro gol. E ia entrar. Qualquer adversário raquítico nos oferecia perigo. Isso exalava do campo para a arquibancada. E voltava da arquibancada pro campo. O medo tem um cheiro característico.

E eis que, depois de um ano de completo descontrole, o torcedor do Vasco que foi hoje ao Maracanã ou assistiu em casa ganhou um remedinho. Todos tomamos um comprimido cinza de Lexotan com um número 1 desenhado nele. E ai o Maracanã voltou a ser um lugar prazeroso. Principalmente num jogo contra o Botafogo, o Botafogo de tantas alegrias. O Botafogo de 6 a 0 no Engenhão. O Botafogo de 7 a 0 no Maracanã. O Botafogo do sobrenatural. O Botafogo da gandula Sonja. O Botafogo da freguesia de cinquenta jogos. E o Vasco voltou a ser o Vasco, que mete medo no Botafogo. Eu vi um dia aquela estátua de Garrincha que ficava na rampa do Bellini tentar fugir do Maracanã antes de um jogo com o Vasco. E ela fugiu mesmo. Apavorada como sempre ficou quando via a Cruz de Malta. Milhares de Bellinis e Coronéis subiam a rampa para ver seu Vasco bater no Botafogo de Garrincha. Não se sabe mais onde se encontra.

Esse texto, caro amigo, não prevê o futuro. Não dá pra saber o que vem por ai. Mas dá pra dizer que a noite tá estrelada e que estou vendo tranquilamente o SuperBowl sem aquela sensação física de desgaste, de surra após testemunhar um jogo do Vasco dos últimos anos.

O único palavrão do jogo foi dirigido ao Barbio, que não deu uma bola para o lado.

E o goleiro do Botafogo, que chegou a ser especulado no Vasco um tempo atrás, fez duas defesas impossíveis e saiu em branco no cruzamento do gol.

Senhores do marketing do Vasco: busquem laboratórios! Ofereçam o espaço da camisa deste goleiro para estampar: Diazepan! Lexotan! Rivotril! A visão dele em campo é a coisa mais calmante dos últimos anos.