Boca x River, La 12 e suas vertentes

la 12

Ontem, um dos maiores clássicos do futebol mundial, Boca Juniors x River Plate, disputado no mítico estádio de La Bombonera – com torcida única – e válido pela Libertadores 2015, foi interrompido abruptamente.

O motivo? Gás de pimenta disparado contra jogadores do time visitante.

Depois de meia-noite, os jogadores das duas equipes ainda permaneciam em campo.

A polícia federal argentina, quase condescendente com a situação, não isolou as arquibancadas mesmo depois do árbitro ter declarado a suspensão do jogo.

Houvesse um mínimo de critério esportivo, o River Plate estaria classificado à próxima fase da competição, com o Boca sofrendo todas as sanções cabíveis. Mas não é o caso do futebol; por isso, há indícios de que o segundo tempo da partida será completado em outro estádio.

Não há a menor dúvida: a torcida do Boca Juniors é uma das mais bonitas, empolgadas e atuantes do mundo. E La 12 tem um papel fundamental nisso. Mas acontece que não é o único. O tumulto de ontem pode estar por trás de coisas muito maiores, como se pode conferir a seguir.

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es.wikipedia.org/wiki/La_12 (tradução Wikipedia)

“Uma vez que finalmente consolidou seu poder, Rafael “Rafa” Di Zeo levanta aumentar ainda mais a renda do bar. Para todas as atividades legais e ilegais herdadas do anterior de condução neste período 12 novos recursos e fontes de financiamento suculento: a participação de muitos dos bares em atos públicos de partidos políticos e sindicatos, a obtenção de percentagens venda alguns dos jogadores profissionais e do dia de revenda de bilhetes que o Boca joga em casa. Mesmo que eles começam a organizar para os turistas dentro do país ou estrangeiros, além de obter os seus bilhetes para revenda a cifras astronômicas, para saber o palco e até mesmo assistir a tribuna popular, “membros de hóspedes” “tours” da barra. Di Zeo teve seu primeiro confronto com alguns fãs do River Plate em Mar del Plata Com o tempo, tornou-se o 12º mais violento, e Di Zeo levou várias lutas e revoltas contra os hooligans rivais e da polícia.

Depois Rafael Di Zeo foi condenado à prisão por cometer um crime, o seu topo deputado Mauro Martin tornou-se o líder do 12. Desde recuperar a liberdade, Di Zeo anunciou publicamente que sua idéia era para retomar liderança torcida do Boca Juniors. Em 30 de outubro de 2011 , no torneio Apertura daquele ano, o Boca Juniors jogou contra o Atlético de Rafaela , na qual ele venceu por 3-1, mas viveu uma situação inusitada: Di Zeo e Martin encenou um duelo à parte no stands. O atual líder dos arruaceiros estava no líder popular histórico e antigo local, confrontado a partir da bandeja que dá a volta à Riachuelo . Na saída do Boca plantel do campo, ambos os grupos competiram em dar incentivo e diferenciado cantando músicas diferentes. Eles também foram bandeiras azuis e amarelas que tinham diferentes lendas. O jogo terminou sem confrontos sérios entre as duas barras. Em 25 de agosto de 2012 lutou tiroteios em duas facções da rota 12, pondo fim a uma ferida de bala Mauro Martin, que sobreviveu ao ataque.

Em janeiro de 2013 Mauro Martin foi condenado pelo assassinato de Ernesto Cirino, ocorreu em agosto de 2011. Pelo crime ainda está detido na prisão de Villa Devoto. Além disso, o goleiro San Lorenzo , Pablo Migliore foi preso por ser acusado de abrigar um fugitivo bar Boca no mesmo caso, poucos meses depois de ser lançado. Em 21 de julho de 2013 as duas facções se enfrentaram no 12, um grupo foi liderado por tenentes Martin Mauro eo outro grupo por Rafael Di Zeo novamente. Isto ocorreu cinco quarteirões do estádio de San Lorenzo, a apenas antes de jogar um amistoso. Como resultado do confronto, várias mortes e centenas de feridos foram contados.”

www.gazetadopovo.com.br/blogs/bola-no-corpo/la-12-mostra-do-que-uma-organizada-sem-controle-e-capaz/

Nos últimos dias, o futebol brasileiro voltou a prestar atenção nos atos violentos das torcidas organizadas. Um movimento cíclico, sempre desencadeado por alguma tragédia e encerrado em poucas semanas, sem que nada de concreto seja feito a respeito. O estopim da vez foi a briga a tiros e barras de ferro entre corintianos e palmeirenses, domingo retrasado, que terminou com dois integrantes da Mancha Alviverde mortos. Sábado à noite, em Goiânia, a guerra entre as organizadas de Goiás e Vila Nova fez a nona vítima em um ano. E no futebol paranaense, mais uma partida do Atlético serviu de pretexto para brigas entre integrantes de organizadas do próprio clube.

A reação imediata a cada morte ou briga de grande repercussão é pedir a extinção das torcidas. Considero a medida interessante, embora não possa ser encarada como a única solução. A violência das organizadas está inserida no contexto de violência urbana. Se não fosse o futebol, os grupos brigariam por qualquer outro motivo – nem que o motivo fosse o simples prazer de brigar. O combate à violência só será eficaz se as autoridades entenderem como funciona uma organizada por dentro, da atração que ela desperta entre os jovens à hierarquia vigente dentro dos grupos, passando pelo poder e a influência desses grupos.

Uma boa introdução a esse mundo, tanto para as autoridades como para o torcedor comum, é ler La Doce – A Explosiva História da Torcida Organizada Mais Temida do Mundo, lançado no Brasil pela Panda Books. Gustavo Grabia, jornalista e principal especialista argentino em violência no futebol, destrincha a história de La 12, a mãe de todas as torcidas organizadas. A barra brava do Boca Juniors definiu o conceito moderno de torcida organizada – para o bem e para o mal. Se um grupo de torcedores passa o jogo inteiro do seu time pulando, batucando e cantando sem parar, a inspiração foi La 12. Se o mesmo grupo pressiona jogadores e dirigentes, arruma briga com torcedores rivais e lucra às custas do clube, a inspiração também vem de La 12.

A facção criou um poder paralelo dentro da Bombonera, forte a ponto de nomes como José “Abuelo” Barrita, Rafa Di Zeo e Mauro Martín se tornarem tão importantes para entender a história do Boca como Antonio Jacinto Armando, Diego Maradona, Carlos Bianchi e Martín Palermo. Grabia dimensiona estes personagens das arquibancadas e conta como eles construíam e mantiveram esse poder – às vezes mesmo atrás das grades – à base de alianças e violência. A semelhança com a máfia é evidente, seja pela estrutura interna, seja pela capacidade de se aliar ao poder, seja pela capacidade de se reorganizar em períodos de crise – “É herança, herança e herança”, define, ao livro, Di Zeo, chefe da La 12 entre 1996 e 2006.

Herança que também se traduz em proteção política e da Justiça para os atos violentos da organizada. Até ser preso em 2006, por comandar o espancamento de torcedores do Chacarita em um jogo transmitido ao vivo pela TV argentina, Di Zeo conseguiu manter sua barra imune à ação policial graças aos contatos com os três poderes na Argentina. Abuelo, o mais célebre chefe da 12, foi para cadeia em 96 por causa da fundação criada para lavar dinheiro de doações feitas para a barra. Entre os doadores, inúmeros políticos, empresários e jogadores.

Sim, jogadores do Boca estão entre os principais financiadores de La 12, bem como dirigentes e treinadores. Ano de Copa do Mundo é ano de a cúpula da barra visitar o elenco xeneize e pedir dinheiro para mandar seus integrantes ao Mundial, seja qual for o país-sede. Houve mundiais em que até planos de parcelamento foram apresentados ao atleta.

Quem colabora, tem o nome gritado na Bombonera. Quem não dá dinheiro, acaba perseguido até deixar o time. Entre os técnicos a lógica é a mesma, embora um deles tenha conseguido manter a carteira fechada para a organizada e ainda assim ter vida longa no clube. Carlos Bianchi, o mister Libertadores, foi visitado pelos chefes da 12 no seu primeiro dia de Boca. Disse não faria doação alguma. Dirigentes se cotizaram para fazer um repasse em nome do treinador, que conseguiu trabalhar em paz para fazer do Boca o time mais temido da América do Sul no início do século, mas nunca teve seu nome gritado pelos torcedores.

Chantagear jogadores, técnicos e dirigentes não é o único negócio da 12. A facção vende seu apoio a candidatos em ano de eleição, tanto no clube como na política real. Também organiza tours pela Bombonera, permitindo a turistas ter o seu dia de barra brava, cobra pedágio de ambulantes e donos de bar da Bombonera e gerencia os estacionamentos em torno do estádio.

Esse último ponto, aliás, foi o motivo da mais recente confusão envolvendo La 12. No mesmo dia em que os dois palmeirenses foram assassinados em São Paulo, integrantes da La 12 trocaram tiros com guardadores de carro que ousaram se infiltrar nas ruas gerenciadas pela barra. Separados por 1.679 quilômetros, os dois fatos são muito mais próximos do que aparentam. E deixam a lição de que sem uma ação enérgica das autoridades, as organizadas são capazes de atingir um poder quase indestrutível. Na Argentina, o caminho já parece sem volta. No Brasil, ainda há (pouco) tempo para evitar o pior.

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Enrique “El Carnicero” Ocampo; José “Abuelo” Barrita, Luis “Cabeza de Poronga”, Santiago “El Gitano” Lancry e Willian “Uruguayo Richard”; Fernando Di Zeo; Rafa Di Zeo, Mauro Martín e Maximiliano Mazzaro; Cristian Fido Desbaus e “El Loco” Luís.

Esses onze nomes não formam a escalação de um time vitorioso ou que tenha sido campeão com o Boca Jrs, mas qualquer torcedor do clube da Ribera conhece muito bem a fama de cada um deles. Desde o final dos anos 60 esses personagens se alternam no comando da famosa “segunda bandeja de la Casa Amarilla” na mística Bombonera, o clássico lugar da barra brava mais conhecida no mundo: La 12.

Querer compará-la com alguma torcida organizada, no modelo daquelas que conhecemos no Brasil, é um tremendo engano. Principalmente por cinco diferenças básicas: o poder que possuem dentro do clube, as conivências e negociatas com os dirigentes, a influência dentro da política e da polícia, o montante de dinheiro que movimentam e a impunidade com que estão acostumados a lidar; não encontram casos similares no Brasil.

A história da barra brava do Boca passa por ilegalidades, corrupção, politicagem, fortunas, crimes, favores, traição, tiroteios, sangue e mortes. De tempos em tempos, La 12 vive a sua própria guerra civil.

“Quique El Carnicero” foi o primeiro a vislumbrar a possibilidade de lucrar com o Boca no começo dos anos 70. Enriqueceu às custas do clube e até conseguiu armar um comércio justo em frente à Bombonera, onde ainda hoje são vendidos produtos associados ao Xeneize. Diariamente turistas passam por ali e param para tirar fotos com um boneco em tamanho real de Maradona, sem desconfiar a origem daquele negócio.

Mas Quique era centralizador e não queria incluir novos sócios na divisão do dinheiro que vinha, naquela época, basicamente da revenda ilícita de ingressos pela barra. Criou inimigos internos e La 12 sofreu o seu primeiro golpe; um homem conhecido por sua violência e de nome José Barrita, vulgo “Abuelo”, apontou seu revólver para Quique em uma partida do Boca contra o Newell’s em Rosario e assumiu o controle da barra brava desde então. Depois de 20 anos, a “segunda bandeja” passava a ter um novo referente.

Com Abuelo no poder, La 12 se modernizou e expandiu seus negócios. Era tanto o dinheiro que entrava em caixa, que tiveram a ideia de “legalizá-la”. Surgiam ao mesmo tempo a “Fundación Jugador Número Doce” e outro personagem que se destacaria na linha de frente daí em diante: Rafa Di Zeo, que comandava um grupo considerável de barras que vinham da zona sul da grande Buenos Aires, mais precisamente do município de Villa Lugano, e que continua servindo como base de recrutamento para o exército particular de Rafa.

Ao lado de seu irmão, Fernando Di Zeo, ascendeu rapidamente e logo apareceria em pé ao lado de Abuelo no “paravalanchas”. A estrutura da barra brava é extremamente hierárquica e a posição que os homens ocupam na popular, determina o grau de influência e de poder dentro da organização.

Rafa esperou pelo seu momento e quando sentiu uma pequena fragilidade nessa estrutura, soube que era a hora certa de atuar.

O segundo golpe: de Abuelo a Di Zeo

Abuelo havia sido preso pela morte de dois torcedores do River Plate depois de um Supeclássico disputado na Bombonera em 1994. Outros nomes importantes na barra foram detidos posteriormente e acabaram com penas maiores que a do próprio líder. Di Zeo arquitetou seu plano e espalhou o rumor de que José Barrita tinha entregado todos e por isso, a sua sentença foi aliviada. Abuelo foi considerado traidor e deposto do comando para nunca mais voltar.

Foi o segundo golpe dentro da cúpula da 12 e deixou, por pouco tempo, Santiago Lancry no comando dos negócios. Mas Lancry não personificava a liderança que os demais barras esperavam. Di Zeo assumiu o poder em 1996 e ficaria até 2007, quando foi preso por porte de arma de fogo em uma briga contra integrantes da barra brava do Chacarita Juniors na Bombonera.

Deixou o pupilo Mauro Martín no seu lugar, com a promessa de que este devolveria o comando a Rafa assim que saísse da prisão.

O terceiro golpe: de Di Zeo a Mauro Martín

O poder é um vício e o dinheiro sempre foi a razão de tanta guerra. Di Zeo ganhou a liberdade em 2011 e avisou que queria ser novamente o “capo”. Mauro negou entregar a barra e esse pode ser considerado o terceiro golpe interno que La 12 sofreu.

Em novembro desse mesmo ano, em um jogo contra o Atlético Rafaela na Bombonera, os torcedores assistiram a um acontecimento histórico e assustador na mesma proporção. Duas barras bravas do Boca dentro do estádio. Aquela que respondia a Mauro Martín continuava em seu lugar tradicional e assistiu como a arquibancada exatamente em frente (que tem seu acesso no lado visitante, pelo rio Riachuelo) foi sendo ocupada por cerca de 900 homens sob as ordens de Di Zeo.

Ambos os grupos estiveram o jogo inteiro cantando ameaças e juras de morte. A televisão argentina aproveitou o tenebroso espetáculo e dividiu a tela com imagens dos dois líderes. O futebol definitivamente era apenas um detalhe.

Como resultado desse episódio, Mauro e Rafa responderam a um processo na Justiça (que não resultou em nada) e seus dos nomes entraram na lista daqueles com restrição de ingresso nos estádios do país até o final do campeonato. Guardaram silêncio e se mantiveram discretos até o final daquele ano e nos primeiros meses do seguinte.

Um novo encontro entre eles ocorreria em 2012. Seria bem mais violento e também uma prévia de tudo isso que está acontecendo atualmente.

O Boca jogava em Santa Fé, Di Zeo se preocupou em sair antes e preparar uma emboscada para o grupo rival. Quando a caravana com os ônibus de Mauro saíram da estrada sob jurisdição de Buenos Aires, foram metralhados por cerca de 40 atiradores do bando de Rafa. Um dos disparos acertou o intestino de Martín que precisou ser socorrido às pressas em um hospital de Rosario.

No começo deste ano (2013) Mauro Martín foi preso, acusado do homicídio de um vizinho no bairro de Liniers em 2011. Na queda levou junto com ele Maximiliano Mazzaro, seu antigo amigo e braço direito na direção da barra brava desde 2007. Mazzaro ficou foragido até junho deste ano quando foi detido perto do Obelisco, no coração de Buenos Aires.

Enquanto esteve se escondendo da polícia, Maximiliano deixou dois homens de sua confiança na direção da barra: Luis Arrieta e Fido Desbaus. Fez questão de avisar e acertar tudo pessoalmente com a diretoria do clube.

Domingo, 14 de julho de 2013. Estudiantes e Boca Jrs marcado para La Plata. Primeira partida do insignificante “Torneo de Invierno”. Um triangular que conta também com o San Lorenzo e é promovido pela AFA em uma época de seca de futebol na televisão.

A partida podia não valer muita coisa, mas Di Zeo conhece o vácuo no poder e aposta todas suas fichas nesse torneio para retomar o que acredita ser seu por direito. Está decidido em voltar ao comando da 12 para quando o campeonato argentino começar em agosto.

Na autopista que liga Buenos Aires a La Plata, ataca o grupo de Desbaus que vinha logo atrás com apenas alguns minutos de diferença. A briga generalizada aconteceu entre os carros e pelo acostamento da movimentada estrada.

Esse conflito deixou algumas contas pendentes que deveriam ser saldadas no fim de semana seguinte, em Bajo Flores.

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Programa “A Liga”, da Band, com a presença da La 12.