Bela vitória sobre um adversário inexistente

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Vamos combinar, antes de mais nada, uma coisa: o time do Audax-RJ não existe. É tão ruim como o Masters do Friburguense, no qual enfiamos 6. Não tem jogadores de qualidade – chega a ser deprimente ver o Jorginho Paulista, campeão brasileiro de 2000 e autor de um dos gols de Vasco 3 x 1 São Caetano, arrastando-se, como um burocrata, na lateral-esquerda. Também não tem técnico – foi constrangedor ouvir as instruções do Válber , um cara que, quando jogador, se usasse metade dos 10% de cérebro a que todos têm direito, teria sido um dos melhores zagueiros do mundo.

Feita esta combinação prévia, vamos ao que interessa: apesar da falta de adversário pelo segundo jogo seguido, o time do Vasco fez um belo primeiro tempo. O segundo foi só um coletivo de luxo. E foi um bom primeiro tempo por vários fatores, mas destaco um, para começar: o bravo Adilson Batista mudou o esquema sem mudar. No papel, o Vasco ainda vem para campo escalado em um aparente 4-3-3. Mas estamos variando, segundo as alternativas de jogo, entre um clássico 4-4-2, um arrojado 4-3-2-1 e um interessante 4-3-1-2.

Fácil de ver isso em campo. Em determinados momentos, quando o time é atacado, Montoya tem sido um meia. Volta para compor, com os três volantes, o bom sistema de marcação. Ali, no meio, tem sido difícil para os adversários conduzir a bola. Este reforço adicional – Barbio e Edmílson também mordem, só que mais na frente – melhorou o desempenho de Guiñazu. Claro, a entrada do eficiente Aranda no lugar do porra-louca Abuda também deu gás novo ao argentino de 35 anos. Mas a marcação está mais compacta e encaixada e as linhas de armação da equipe ficaram mais próximas, o que facilita o jogo e evita as bolas esticadas por zagueiros, que quase sempre morriam nos pés da defesa adversária.

Se é um meia marcador quando o Vasco tem sido atacado, na maioria das vezes Montoya (e ontem, depois, o Bernardo, que é ainda mais ofensivo e chuta melhor a gol) aparece armando as jogadas, caindo da direita ou da esquerda para o meio. Seu rendimento na direita do campo melhorou muito e ele esconde bem a bola na canhota, o que tem dificultado a marcação rival. Fora que enxerga o jogo e dá metidas de bola milimétricas – nisso ele é melhor que o Bernardo. Sentiu ontem, e espero que seja apenas um desconforto – se for contusão, complica. Mas foi alentador ver o Adilson trocar o Montoya pelo Bernardo. Sinal de que ele entendeu que ser ofensivo não é rechear o time de atacantes, mas fazer a bola chegar na frente.

Em certas ocasiões, o posicionamento do Montoya no meio ganha o reforço do William Barbio, que ontem jogou um partidaço – e olha que não gosto do estilo limitado dele. Nos últimos jogos, o guri recua para o meio e dali parte em direção à área, na reta ou diagonal, confundindo a marcação e aumentando o poderio de ataque. Como Edmílson está inspirado – seu gol foi feito com um toque errado na bola -, o Vasco tem sido eficaz na frente como ninguém foi até agora.

Atrás a coisa também ficou confortável. Martín Silva é um goleiro gelado. Não se emociona com nada, não muda a feição quando faz uma boa defesa e a torcida vibra – depois do ano passado, todos nós comemoramos defesas… Me lembra um pouco o Taffarel, que não suava quase, não esboçava grandes reações e nem fazia defesas vistosas, mas que, pelo grau de frieza, pegava pênalti como quem chupa um Chicabon e buscava bolas impossíveis sem precisar fazer acrobacias para foto. O Silva sabe se colocar na área igualzinho ao Taffarel. E isso faz uma diferença…

Na zaga, o Rodrigo joga sério e compensa as juvenilidades ocasionais do Luan. Rodrigo não inventa e se precisar meter um chutão, vai isolar a redonda. Na maior calma. Marlon, na lateral esquerda, vem crescendo, mostra que sabe cruzar e aparece bem na área – se a cabeçada do Bernardo não entrasse, ele faria o terceiro gol, pois estava livrinho da silva. Com paciência, pode dar caldo. Já o André Rocha tem sido um pisca-pisca. E tem apagado mais que iluminado. É bom o Diego Renan entrar logo em forma, pois tem vaga para ele neste time.

Faltou o Fellipe Bastos… Bem, ontem foi 10% melhor do que tem sido, com um belo passe para o quarto gol. Como tem sido, no máximo, um jogador nota 4, jogou para levar um 4,4. Muito pouco. Prefiro ali um meia mais ofensivo, mas isso não temos. Meu temor é que pinte ali, já, já, o Pedro Ken. Sai o 6, entra o meia-dúzia…

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Tá na hora de trazer mais um meia para o grupo. Pode ser o Ramirez, do Corinthians. Mas eu espicharia o olho para o plantel do Cruzeiro. Afinal, como andam os acordos de cavalheiros entre as duas diretorias? Da venda do Dedé, faltaram uns quatro empréstimos. Da venda do Marlone, outros tantos. Passou da hora de valer o escrito.

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Juninho se aposentou. Uma pena. Gostava muito do que ele fazia dentro de campo. Não sei se gosto tanto assim de suas atitudes fora dele.

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A porrada interna na Força Jovem tem artífice. Ganha um charuto Pimentel n° 5 quem descobrir o nome e o porquê de tanto interesse.

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Domingo é o Botafogo. São 321 jogos, com 137 vitórias e 96 empates. Se um botafoguense começar a falar no seu ouvido, concorde com tudo. O freguês tem sempre razão e nós somos os donos da padaria.