Autoconfiança

Hoje à tarde, o Kiko Abreu, autor aqui do Panorama, perguntou num grupo que frequentamos no facebook (mentes, e dementes, brilhantes) o que eu admirava no maior rival futebolístico. A resposta foi rápida: autoconfiança.

Você que está lendo, tape o nariz e pense por um instante no império do mal. Há algumas semanas estavam num buraco aparentemente irreversível, com um time destruído, segurando a lanterna do campeonato. De repente, ganharam um jogo na base do vamos-lá. Pronto. Foi o suficiente para os torcedores da “nação” voltarem a acreditar que dava pra sair de onde estavam mesmo com um dos piores times do campeonato.

É claro que muito disso vem artificialmente com a eterna ajuda da imprensa e com meia dúzia de pênaltis, errinhos etc. Mas não é esse o ponto do texto (pelo menos não essa parte dele). E sim o tremendo efeito positivo que isso tem. A torcida empurra. Acreditam naquele bando de pernas de pau e os incentivam, tanto no grito quanto no pensamento.

Quem já assistiu a qualquer dessas palestras de auto-ajuda ou de coaching ouviu esse ponto. Esforço, trabalho, dedicação e fé. Persistência. Não desistir. Acreditar, ainda que o mundo fale contra, ainda que tudo pareça errado. Fé. Confiança.

Iludidos pela imprensa, hipnotizados pela auto-suficiência, bêbados de megalomania, o fato é que acreditam. E a gente deixou de acreditar. Estamos perdendo deles no momento em que titubeamos, em que acreditamos nesses “vices” e outros pessimismos que tais.

Semana passada, depois de várias sovas, nossas redes sociais começaram a temer não voltar à 1a divisão. Estávamos, naquele momento, a um mísero ponto do 4o colocado e a três do líder. Então por que raios eles, na lanterna, podem acreditar no impossível e a gente, numa posição muito melhor, fica se urucando e olhando só pra baixo? Onde foi parar nossa autoconfiança? É, amigos, o time é aquela merda, o Diogo Silva tá sendo escalado, mas a gente tem de engolir nossos medos e empurrar aquele bando pro nosso lugar de direito. Estamos com tanto medo de perder, de virar América, disso, daquilo, que perdemos nosso orgulho. E isso, nós temos de recuperar. Mas isso não é só um fenômeno coletivo. Começa ai, dentro de você.

Amigo, ganhe Julio Brant, Eurico ou qualquer outro candidato, continuaremos sendo Vasco. Então, tá na hora de esquecer esse surto de autopiedade, botar garra uruguaia e acreditar na nossa força. Porque se a gente não acreditar, ninguém vai.

Me apaixonei por baseball no ano de 2003, quando comecei a assistir e entender os jogos e as regras. Tive a grande felicidade de escolher torcer pelo Boston Red Sox. O time paixão de Boston acabou ganhando o campeonato do ano seguinte, de 2004. Depois de oitenta e seis anos de espera. Sim, oitenta e seis. Estádio lotado, torcedores de todas as idades enlouquecidos pelo time. Derrotas não espantam torcida.

Ninguém aqui deixará de ser Vasco porque o time perdeu. Se o fizer, definitivamente nunca foi Vasco.

Ainda quanto a autoconfiança e motivação, o Vasco contratou hoje um dos melhores treinadores do país. Um cara folclórico sim, mas que entende de futebol, de Vasco e de motivação. A imprensa o diz ultrapassado. Ultrapassado por quem? Quem, nesse mercado de técnicos-professores-doutores sabe mais de futebol que o Joel? Quem detem que conceitos ou táticas que ele não conhece ou domine? Professor Muricy Ramalho? Professor Tite? Professor Luxemburgo? Professor Cristovão Borges? Abelão? O corajosíssimo Marcelo Oliveira?

Certamente nenhum deles.

Chegamos então ao segundo ponto desse texto, a imprensa esportiva e seus vocábulos.

Joel Santana é um técnico ultrapassado. Acima escrevi uma lista de técnicos diferenciados. O que esse termo sensacional quer dizer? Nada. Num Aurélio de 1986, este termo sequer existe. Ele é um neologismo, uma invenção pedante da brava e capacitada imprensa esportiva.

Semana passada mais uma página (rubro)negra foi escrita no futebol brasileiro. O Flamengo venceu o Coritiba nos pênaltis, após vencer o tempo normal por 3 a 0, com erros inacreditáveis de arbitragem. A imprensa? Disfarçou os absurdos em frases como: “Apesar da garra do time e do show da torcida, a arbitragem teve papel decisivo…”. “Em jogo de arbitragem polêmica…”

Polêmica é a nova palavra “diferenciada” para embrulhar para presente e atenuar os descalabros vistos em campo. Não houve polêmica alguma. As cadeiras azuis e as amarelas do maracanã coraram de vergonha com o que viram. Nem o mais rubro-negro dos jornalistas imparciais questionou o completo absurdo das marcações do juiz Reway. Dois pênaltis mequetrefes. O segundo deles de embrulhar o estômago. Daqueles de você olhar e se questionar como alguém tem coragem de marcar aquilo. Não satisfeito, o terceiro gol vem de uma falta violentíssima não marcada.

Os sujeitos que acomodam tais erros em “apesares”, são os mesmos que questionam Ricardo Teixeira, Marin, Del Nero… Mas jamais os campeonatos que a entidade organiza. Jamais questionam a lisura das arbitragens, que sempre favorecem o mesmo lado. Já esqueceram do gol de 33 cm do auxiliar Castanheira, já esqueceram do impedimento de um metro no último minuto e agora vão esquecer dessa partida, na qual com a raça e a força da nação, o mais querido conseguiu uma vitória histórica.

Teve uns errinhos de arbitragem. Mais deixa isso pra lá.

Aqui não. Essa é uma das funções mais importantes da internet. Publicar a verdade sem filtros, censuras ou desejo de agradar a quem quer que seja pra vender jornal ou preservar meu emprego.

E sem me importar com os que acham que é tudo maluquice, teoria da conspiração, mania de perseguição. Tem até vascaíno (chato) que acha.

Pra esses, recomendo o seguinte: Pegue uma moeda e jogue pro alto, esperando cair seis vezes seguidas cara. Difícil, né? São os seis sorteios seguidos que o mais querido disputa em casa a segunda partida de um mata-mata da Copa do Brasil. Tudo coincidência.

abraços

Zeh