Aula de Probabilidade

Não bastou apenas reduzir nas manchetes desta segunda-feira o natural impacto de barbeiragens da arbitragem, típicas de domingo passado, anteontem, no Maracanã.

Foi preciso também forjar álibis.

A essa altura, você já leu que o Vasco “foi beneficiado” pela burrada cometida pelo América-MG tivesse alguma relação com São Januário.

Normal. É uma maneira de desviar o foco das bocadas.

As mentiras são vastas, a começar pela bravata de “eterno vice”, que não resiste a cinco minutos de biblioteca futebolística. Basta estudar de 1923 a 1977.

Pouca gente sabe da história da garfada da Taça Salutaris, tungada de forma inacreditável em 1927 e nascimento de uma das maiores falácias do futebol brasileiro: a do “Mais Querido”.

Os últimos dias fazem pensar no cálculo de probabilidades, ferramenta essencial dos tempos modernos, pessimamente utilizada quando se trata de futebol brasileiro.

Qual é a probabilidade de um time da arbitragem não ver uma bola meio metro dentro do gol? Ou de não ver uma irregularidade no último lance de uma partida final?

Alguém sabe dizer qual é a probabilidade de um ladrilheiro subitamente invadir o gramado do Maracanã e interrromper a pressão do adversário derrotado numa grande final?

Qual é a probabilidade de ocorrência de “papeletas amarelas”?

Até aqui, falei apenas de erros graves que trouxeram grandes prejuízos históricos ao Vasco, time que admiro desde criança como adversário de gramado que sou – os que acompanham esta coluna sabem do fato de eu ser um torcedor do Fluminense, muito diferente e longe de ser um “tricolor de merda” tal como um covarde débil mental comentou aqui, na apoteose de sua bundamolice. Mas não preciso torcer pelo Vasco para respeitar sua história, tradição e torcida, que definitivamente não prioriza os que possuem anemia intelectual.

Escrever aqui é apoiar uma causa que chega a ser óbvia, embora o óbvio nem sempre seja tão simples.

Falo da descarada predileção de poderosos interesses por um time em detrimento dos demais concorrentes.

Aqui corrijo um erro de expressão: torço sim pela volta do Vasco ao seu habitat natural, pela sua reestruturação e por tantas coisas que permitam reviver emocionantes decisões de futebol como as de 1976, 1980, 1984, 1993, 1994, 2003. É claro que quero vencer, mas não me dói perder para um adversário melhor num momento. A história não é feita só de vitórias e felicidade, assim como a vida. Como tricolor, quero o Vasco forte e brigando com meu time, forte também. Tempos de Maracanã lotado, lembra?

Volto aos erros. O conjunto de coincidências que vem acontecendo há anos e tem marcado 2014 pelos mais incríveis erros a favor do mesmo time chega a envergonhar pessoas de bem.

Quem se posiciona contra esta farsa recebe de volta as pechas de sempre: chororô, segunda divisão, terceira divisão, flor, eterno vice, sem torcida etc.

Se fosse apenas por parte de torcedores, seria apenas o exercício de megalomania. Mas não é: há um aparelhamento claro, coordenado em manchetes e “análises isentas”. Milhões compram essa pasteurização. O resultado aí está. Uma vez manipulado, sempre manipulado.

Nos últimos 35 anos, com a chancela de poderosos interesses do setor de comunicação, o último da fila virou o primeiro na base da marreta. Se não desse no campo, a primeira página confrontava. A situação hoje em 2014 chega a assustar.

O pior de tudo é ver a passividade de alguns diante de algo tão grave e evidente.

Você aí: pense no Vasco e se mexa.

Ainda bem que este “tricolor de merda” jamais se calará, seja para defender o Fluminense de seu coração, o Vasco de seu respeito e admiração, o Botafogo e uma história de mais de cem anos na qual alguns sonham em passar uma borracha stalinista da pior qualidade.

Em tempo: respostas para os cálculos sugeridos nesta publicação, cartas para esta redação.

A luta é longa, árdua e tem bem mais do que apenas três cores.

@pauloandel