Até quando esperar?

“Não é nossa culpa. Nascemos já com uma benção”. (1)

Quarta-feira. Nesse dia, O Vasco tem mais um jogo pela frente, dessa vez pelo Campeonato Carioca e o que aconteceu desde a semana passada? Nada, se for pensar um pouco mais a respeito. E dessa vez nem a história de um time de glórias foi capaz de salvar uma nau à deriva faz tempo. Sem comandante, sem mapa, sem comandados… Simplesmente nada.

A derrota para o Vitória, no Barradão selou o fim da campanha vascaína na Copa do Brasil deste ano. Claro que, mesmo sendo ainda na terceira fase, o oponente era o mais difícil dos cariocas. O único a disputar a Série A do Brasileirão. O placar magro e as oportunidades perdidas só serviram para mostrar o que todo torcedor sabe faz tempo. O Vasco não tem time. Nem mesmo o Luís Fabiano jogando os 90 minutos e ainda sem condições, não foi capaz de salvar da tristeza. É bem certo que depender somente dele e do Martin Silva nunca adiantaria, só adiar o inevitável. E o Cristóvão, enfim caiu. Na verdade sequer era para ter passado pela porta de São Januário novamente.

“Mas isso não é desculpa…” (1)

Por um momento a torcida teve um desejo de luz. Que a diretoria pudesse trazer um nome para o comando que tivesse a mente aberta, capacidade comprovada. Qualquer coisa melhor que o Cristóvão Borges seria um grande presente e eis que surge o Milton Mendes. (Por Deus, que diabos alguém poderia pensar em escolher um técnico responsável pela queda de um time para a segunda divisão, no ano passado? E ainda pensar que fez um ótimo negócio.) Realmente é caso para a torcida dar as costas e nunca mais pisar em um jogo. Mas sabemos que tudo isso é mais do que o nome e a tradição de um time com mais de 100 anos.

“Com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração.” (1)

E mesmo com o nome definido, coube ao Bigode, o triunfal Valdir ser o técnico no jogo contra o Botafogo, no domingo. Pouca torcida, jogo de dar sono. Não vale nem a cerveja para distrair. Pelo menos pudemos ver um pouco mais de atitude, mas não o suficiente para ganhar a partida. E mais uma vez amargamos um jogo contra um time da primeira divisão sem vitória, este ano. Sei não.

Sabe aquele gosto amargo que se sente cada vez que o começo do ano promete com uma série de jogos desastrosos? Pois é, nós já vimos este filme antes e creiam, vou amar este time como sempre, mas realmente a toalha está lá para ser jogada e terminarem o round. Um time incapaz de ligar meio com ataque e diretoria após diretoria arcaica, incapaz de pensar fora da caixa e se valendo de um passado bem distante, trazendo nomes beirando a aposentadoria (Se aposentar com menos de 50 anos e com uma baita poupança? O que o Governo está fazendo que ainda não fisgaram esses seres para a Reforma da Previdência?), fora técnicos sem expressão ou conhecidos apenas pelos seus fiacos, não vai dar para segurar a cadeira da Primeirona, esse ano.

“Até quando esperar, a plebe ajoelhar, esperando a ajuda de Deus” (1)

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(1) Música “ Ate quando esperar “ (Plebe Rude – do álbum de estréia “O concreto já rachou”)