A Argélia sem Caniggia e Maradona

Há alguns jogos cuja importância transcende o que se passou em campo e trazem consequências para todo o esporte. O terrível Brasil x Argentina de 1990 é um exemplo disso. Pra quem não se lembra, ou não era nascido, o Brasil havia feito 3 jogos ruins na fase inicial, ganhando de Suécia, Costa Rica e Escócia sem convencer a ninguém. Pra surpresa de todos, a adversária nas oitavas de final seria a Argentina, que havia começado ainda pior, inclusive perdendo para Camarões na abertura da Copa.

Contra a Argentina, o Brasil jogou muito bem. Pressionou desde o início, colocou bola na trave e mandou na partida inteira. Até que Maradona, jogando no sacrifício, achou Caniggia sozinho pra driblar Taffarel e marcar o gol da partida pra eliminar o Brasil nas oitavas de final. Essa partida foi tão marcante que provocou uma mudança na forma de atuar dos times brasileiros e na própria seleção brasileira. Foi o início da chamada “Era Dunga”, jogador de confiança do técnico Lazaroni que ficou marcado como uma espécie de culpado pela derrota e que deu a volta por cima na Copa seguinte.

Ontem, no Mineirão, um time de grandes revelações belgas estreou frente ao sempre monótono time da Argélia. Mas até a monotonia se surpreendeu com o ferrolho Argelino. Todos atráas da linha da bola, da intermediária para trás. Um embolão terrível, um treco feio de se ver, cujo objetivo se restringia a impedir que a Bélgica jogasse futebol. Claro que é um recurso válido. Claro que é futebol. Mas é irritante. Pra piorar, a Argélia ainda abriu o placar com um gol de pênalti (bem marcado) num dos pouquíssimos ataques do jogo inteiro.

Quando tudo parecia perdido, o time belga resolveu a partida em cinco minutos, com gols de Fellaini e Mertens, os dois reservas postos em campo para tentar vencer a barreira armada pela Argélia.

O time da Bélgica é um sopro de novidade num futebol que segue ainda sisudo e sem imaginação. Uma derrota ontem teria sido um castigo não só à juventude de imaginação, mas ao futebol. Ainda bem que não. Até onde vão? Os próximos dias dirão.

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Guillermo Ochoa deveria ser figurinha conhecida da torcida brasileira. Ele era o goleiro do America do México na inesquecível sova de 3 a 0 que este aplicou no pré-classificado Flamengo em pleno Maracanã pela Copa Libertadores. Mas o povo só se lembrava de Cabañas. A atuação dele contra o Brasil, ontem, pelo México, foi facilitada pela pouquíssima quantidade de chutes a gol dados pela seleção brasileira. Foi uma atuação abaixo da crítica de um Brasil pouquíssimo inspirado. Se continuar assim, não chegaremos a lugar nenhum.