Aqueles Cariocas

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O Carioca aí está, o Vasco segue sua boa trilha e não se pode esquecer: o futebol brasileiro chegou aos cinco títulos mundiais pela riqueza de suas rivalidades locais, tanto nas partidas que vieram a se tornar os clássicos quanto contra os times de menor investimento.

Antigamente o futebol cabia na Gávea, nas Laranjeiras e em General Severiano. Depois nasceu o lindo estádio de São Januário e este passou a ser a casa dos grandes jogos até 1949. Quando o Maracanã nasceu, foi um divisor de águas: as grandes platéias tornaram-se gigantescas, o grande campo virou a casa do nosso futebol. Em oito anos, o Brasil saiu da derrota para o Uruguai para os espetaculares 5 a 2 contra a Suécia. O Rio era a caixa de percussão do país, o resto ia junto.

Contudo, o futebol não se limitava aos clássicos: os times do Centro e do subúrbio eram recheados de bons jogadores, os estádios eram alçapões e a disputa esportiva era vigorosa. Nunca houve moleza em Conselheiro Galvão, Figueira de Melo, Bariri, Campos Sales, Italo del Cima e outros. Nos anos 1970, com a fusão do futebol entre o antigo Estado da Guanabara e o Rio de Janeiro, times como Americano e Volta Redonda sempre deram trabalho. Muitas vezes, as casas estavam cheias.

A partir dos anos 1980, a monocultura de sobrevivência do futebol brasileiro, baseada no dinheiro da TV, foi reduzindo a força dos campeonatos estaduais, com fórmulas estrambóticas, horários impróprios e outros inconvenientes, afastando aos poucos os torcedores dos estádios. Os times pequenos foram ficando à míngua e até os tradicionais Bangu e America sucumbiram à segunda divisão do Rio.

Nos últimos anos, praticamente esta década e meia de século XXI, com exceção dos jogos decisivos, não tivemos nenhum campeonato emocionante, revelando grandes talentos, fazendo a diferença aos olhos dos espectadores. A fórmula de disputa é sempre um “me engana que eu gosto” para que no final dê o óbvio: Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo decidindo. Os times não têm mando de campo e muitos estádios não podem ser utilizados simplesmente porque a Sra. Rede Globo não quer.

Em quarenta anos, a Federação de Futebol do Rio teve três presidentes. Sinal inequívoco de clientelismo e falta de renovação de idéias.

O futebol carioca pode melhorar muito e até voltar aos seus tempos de glórias, mas precisa ser virado e sacudido de cabeça para baixo. Uma competição local forte, equilibrada, atrativa para o torcedor e divertida como espetáculo serviria bem mais do que mera preparação para o enfadonho campeonato brasileiro de quase 40 jogos, onde 10 times são geralmente figurantes.

Os mais velhos entendem perfeitamente o que humildemente eu quis dizer.

TIGRES X VASCO

Diante do lanterna, num dos raros estádios do Rio onde um time pequeno pode ser mandante, o Vasco fez um partidaço no primeiro tempo, de onde saiu com um injusto 0 a 0. O goleiro Renan pegou quase tudo e, quando não o fez, o Riascos perdeu.

Na etapa final, a pressão continuou, o time perdeu trocentos gols e, a dez minutos do fim, a cabeçada de Thalles pôs justiça no placar – a jogada do gol tinha sido a vigésima finalização vascaína, contra apenas cinco do adversário.

Logo depois, o excelente goleiro Renan falhou feio e Nenê, esperto, consagrou a vitória, que podia ser bem mais ampla. Pena que o mesmo Nenê tenha tomado o terceiro cartão amarelo e, com isso, fica de fora na rodada de meio de semana.

ADEUS, RMP

Acabou – ou virou purpurina – uma das maiores tribunas jornalísticas da história da Flapress por quase quatro décadas, massacrando impiedosamente os rivais em O Globo.

O jornalismo esportivo GLS perde um de seus próceres.

@pauloandel