Aplausos.

Fim do jogo de ontem e entre as comemorações dos jogadores e da torcida corintiana (merecidíssimas, aliás…), uma multidão de vascaínos aplaudia seus jogadores. Resumia-se ali o que foi o jogo de ontem.

Aplaudia-se a façanha de conseguir o empate diante de uma equipe muito melhor – os números não mentem: campeões brasileiros com 3 rodadas de antecedência, 12 pontos a frente do segundo colocado, com apenas 4 derrotas em 35 jogos e mais um monte de estatísticas que poderia se desfilar por aqui.

Esse time do segundo turno do Vasco não merece passar pelo que está passando. Longe de ser uma equipe brilhante, mas ao menos não é um time para ser rebaixado. São 21 pontos em 16 jogos contra os fatídicos 13 pontos do primeiro turno, conseguindo dobrar o seu rendimento.

É uma equipe que, num campeonato dificílimo, jogando muito pressionada o tempo todo, conseguiu nos últimos 12 jogos ter apenas uma derrota.

Uma equipe que ontem enfrentou um time superior em todos os aspectos, com boa parte do segundo tempo em desvantagem numérica e ainda assim arrancou um empate quando muitos davam a derrota como certa.

Mas infelizmente os erros da primeira fase do campeonato pesam… E como pesam! Esse grupo recebeu uma herança maldita deixada por jogadores que não honraram a camisa que vestiam. Herdeiros de um fardo deixado por uma série de erros cometidos por uma diretoria ultrapassada, que apostou num título que no momento atual do futebol brasileiro, também é ultrapassado e pouco expressivo. Que em um dado momento enxergou solução num técnico que deveria ser no mínimo impedido de passar pela rua General Almério de Moura para todo o sempre, e ainda assim insistiu com esse sujeito rodadas e derrotas após rodadas e derrotas.

Quando finalmente acertou nas contratações, infelizmente o passivo era muito grande…

Ainda dá? Sim. Mas será ou seria uma façanha da mesma magnitude que seria vencer ontem o campeão.

No primeiro tempo, apesar das diferenças gritantes, criamos poucas chances e com muita luta fizemos com que tais diferenças fossem minimizadas. Faltou-nos talvez alguma sorte e capricho nas conclusões.

Vale também reconhecer que o adversário queria muito mais ver o tempo passar do que realmente jogar para vencer, pois isso lhe bastava para conseguir ser campeão.

Talvez o lance mais significativo do primeiro tempo tenha sido a infantilidade de um jogador rodadíssimo e capitão do nosso time. Por que diabos o Rodrigo insistiu nas reclamações para recuperar uma bola para cobrar uma falta assinalada na intermediária defensiva? Foi punido por um cartão amarelo bobíssimo que teve consequências decisivas no jogo.

Logo nos minutos iniciais do segundo tempo, mais uma bobagem do nosso capitão que aliás, ontem completava sua centésima partida pelo Vasco. Foi expulso depois de um verdadeiro golpe de taekwondo sobre o atacante corintiano.

A essa altura, os mais de 19 mil presentes ontem em São Januário não acreditavam que o Vasco pudesse fazer mais alguma coisa, e passaram a achar que um empate já seria uma façanha e tanto.

E eis que para estupefação de todos, jogando de maneira heroica, nosso time surpreende marcando um gol. Eram cerca de 27 minutos do segundo tempo. Bastaria segurar uns 20 minutos e uma jornada épica aconteceria…

Mas infelizmente nosso lateral direito deve ter faltado às aulas de posicionamento e de marcação em cruzamentos vindos da outra lateral. Errou na primeira e a bola caprichosamente saiu diante de um Martin Silva vencido. Errou na segunda quando a bola cabeceada quicou no gramado e saiu por cima. Mas o terceiro erro não passaria impune…

Uma compreensível sensação de frustração tomou conta de nós e o Caldeirão esfriou… Não havia mais pernas e nem talento para marcarmos novamente e restou-nos segurar o ímpeto do já campeão e não transformar em tragédia o que poderia ter sido uma jornada fantástica.

No fim o empate, se analisado friamente sob as diferenças das equipes e lembrando que jogávamos com inferioridade numérica por grande parte do segundo tempo, deveria ser comemorado sim… Mas olhando a tabela do campeonato…

Estamos a quatro pontos de sair do Z4 e nada mais nos resta a não ser vencer os próximos três jogos. Serão três decisões, sendo duas jogadas fora de nossos domínios…

Há coisas que eu não entendo no futebol. Talvez por isso ele seja ainda um esporte tão fascinante…

O que leva um clube que acaba de ser tornar hexacampeão (de verdade!), sob acusações nem tão injustas assim de ter sido favorecido em várias ocasiões do campeonato, a comemorar o título com camisas que lembram os antigos uniformes utilizados por ladrões?