América, Real Madrid e Barcelona

Vivi um fim de semana de extremos no futebol. Claro, o ápice foi Real x Barcelona. Mas por uma oportunidade, no sábado à tarde, acabei avisado por um amigo da transmissão online de Grêmio Mangaratibense x América, pela 2a divisão do campeonato carioca.

Mangaratiba é uma pequena cidade da Costa Verde (sul) do Rio de Janeiro, que fica espremida entre a Serra do Mar e o mar propriamente dito. Nessa região (maravilhosa) ficam alguns hotéis e resorts de alto padrão (e custo…). A Itália escolheu ficar exatamente ali pra se preparar para a Copa. Grande escolha. Veremos imagens paradisíacas dos italianos e suas donnas em praias sensacionais.

Para o América, no entanto, não houve nada de sensacional. Foi uma luta duríssima, ganha aos 43 do segundo tempo. Conseguiram a vitória de que tanto precisavam. Um a zero. Aniceto Moscoso, o estádio do Madureira, é um Maracanã perto do campo de Mangaratiba. Acanhado? Não. Minúsculo. Por um contador na tela, vi que cerca de 250 torcedores acompanharam a transmissão via web, como eu. E mais um grande número de abnegados berravam “sangue” num lugar a cerca de 100km do Rio de Janeiro, num fim de tarde de sábado.

O América que vi disputar finais, semifinal de Brasileiro (de 1986), o grande e eterno América, tenta ressuscitar. A transmissão, feita por torcedores, é emocionante. Os sujeitos estão ali por causa do América. Só há uma câmera, e ela passa o jogo inteiro posicionada num angulo esquisitíssimo, na posição do banco de reservas do time visitante em São Januário, só que mais no alto. O gol do América sai no gol oposto, já com o crepúsculo se avizinhando num dia com nuvens carregadas e vento. Quase não deu pra ver. Mas deu pra ouvir a tremenda emoção do narrador com o gol salvador ao literal apagar das luzes.

As lições: não há limites para o buraco em que um clube pode se meter. Depois de um tempo, a luta pelo retorno se torna mais e mais difícil. A torcida se acostuma ao sofrimento, a nenhum retorno. Mas ela não morre. O comportamento das pessoas que vi naquela transmissão berrando naquele estádio minúsculo e depois comemorando efusivamente em redes sociais prova que o que se sente por futebol não é paixão. É amor.

De certa forma, isso me tranquiliza.

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Hoje, depois do Vasco, Real x Barça. Estádio apinhado. TVs do mundo inteiro. Clima de guerra em campo. Os maiores craques. Luxo.

A batalha é muito mais política do que futebolística. Duas regiões distintas, uma delas com desejos separatistas, línguas distintas. Cada clube representa um estilo de vida.

Em campo, de diferente, só os craques. Nenhuma inovação tática. O jogo é resolvido com a bola sendo dada a Messi ou esticada para Cristiano Ronaldo. Nada surpreendente. Times se defendendo com 7, 8 jogadores. Taticamente um jogo chato, que só ganha peso pela carga de drama que o transformam numa batalha campal. Acaba sendo um grande espetáculo, mas aquém do que se espera de dois grandes times. Não o são hoje em dia.

De certa forma, isso também me tranquiliza.

A grande diferença do jogo é que os dois clubes conseguiram transcender a Espanha e a Catalunha. São potências mundiais, porque olharam para fora de seus mundinhos anos atrás.

E a gente? Pra onde vai? Pra Madrid? Ou pra Mangaratiba?

Abraços

Zeh