Algo parecido com futebol

Enfim, mesmo com o time recheado de reservas, o Vasco começou a apresentar alguma coisa parecida com futebol – embora longe do que chegamos a mostrar em certas partidas do Campeonato Carioca. E não só pelos 3 x 0 aplicados há pouco no Atlético-GO, mas também pelo segundo tempo da partida contra o Treze. O traço de união nestas duas vitórias é a escalação da garotada.

Luan (titular desde o Carioca), Thalles, a dupla Yago e Marquinhos e, sobretudo, o excelente volante Danilo deram uma luz de futebol a um time que ameaçava ir mal por defeitos de esquema tático – esse 4-2-1-2-1 que o Adilson Batista adora tem graves problemas de articulação de jogadas – e por falta de visão do treinador, que insistia em escalar uma nulidade chamada Reginaldo. A presença destes cinco rapazes deu mais velocidade e talento ao time, facilitando as vitórias nas últimas duas partidas.

Infelizmente, o melhor deles tem apenas mais alguns jogos em São Januário. Danilo vai embora, vendido pelo Vasco a um grupo de investidores. Deve ir para o Sporting Braga. Será o próximo Phillipe Coutinho – garoto que deu adeus ao clube para despontar na Europa. Não me surpreenderei se, daqui a alguns anos (ou meses), Luan, Thalles, Yago e Marquinhos pegarem a mesma reta. Este é o destino das promessas do futebol brasileiro, sobretudo se reveladas por clubes sem dinheiro, caso do Vasco.

Mas, enquanto a meninada estiver em nosso elenco, vamos poder ter um gás extra e acertar o time. Hoje e quarta-feira, com eles no time, o Vasco acelerou o jogo e pôde encarar os adversários de igual para igual. Contra o Treze, isso foi mais flagrante, já que, depois de mais um primeiro tempo medíocre do Reginaldo – mais, um meu Deus do céu – e de uma atuação pálida do canhoto Montoya, escalado como ponta-direita, os meninos entraram e mudaram a cara do jogo, nos levando de uma derrota vexatória a uma vitória que quase eliminou o desgastante jogo da volta.

Hoje, escalados desde o início, Marquinhos e Yago partiram para dentro da defesa do Atlético-GO desde o começo de jogo e, graças a uma destas jogadas, conseguimos a falta que levou à magistral cobrança de Douglas, em um dos seus raros momentos de inspiração no jogo. O 1 x 0 antes dos cinco minutos de partida acalmou o time, que soube superar os goianos com sobra.

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Na volta do intervalo, com a mexida do adversário, foi possível enxergar o eterno erro do Adilson – a lentidão para observar que perdeu o campo e precisa alterar o time. Passamos dez minutos de sufoco, até a saída de Marquinho para a entrada de Aranda – que teve até boa atuação. Corrigido o erro de marcação, o time se soltou, anulou as jogadas do Atlético-GO e conseguiu dois gols de bola rolando, ambos do lateral-esquerdo Marlon, que voltou bem ao time, com a barração de André Rocha pela direita.

No geral, todo o time jogou bem. Desde o Martín Silva – goleiro bom não dá azar – ao Fellipe Bastos. Começamos, enfim, a entender o que é Série B, fazendo um jogo mais corrido, com o time mais compactado, defesa mais segura e ataque veloz. Pena que nosso melhor jogador, o Douglas, ande tão mal tecnicamente. Se ele estivesse atuando como na época em que veio para o Vasco, estaríamos já com nove pontos e na liderança do Campeonato – o que é questão de tempo, na minha opinião.

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Em breve, vamos ter a volta de Edmílson – e aí eu acho que o Thalles volta para o banco. Quando Guiñazú regressar, Danilo já terá ido para a Europa. Pedro Ken e Fellipe Bastos vão brigar pela mesma vaga, com Fabrício correndo por fora. Na posição do Everton Costa eu aposto minhas fichas no atacante Rafael Silva, que tem um estilo de jogo semelhante. Reginaldo, espero, não deve ter o contrato renovado e sua vaga vai cair no colo de Marquinho ou Yago – hoje estaria mais para o segundo.

Só tenho uma dúvida: Adilson vai colocar Rodrigo de volta ou manterá Douglas Silva, seu homem de confiança?

Eu colocaria Rodrigo de volta no time. Mas eu não sou o Adilson.

Se essa linha lógica se mantiver, o Vasco titular terá Martín Silva, Diego Renan (André Rocha), Luan, Rodrigo (Douglas Silva) e Marlon (Diego Renan); Guiñazú, Fellipe Bastos (Pedro Ken ou Fabrício) e Douglas; Yago (Marquinho), Edmílson e Rafael Silva. No banco, além dos que sobrarem, teremos ainda Montoya e Bernardo.

Não é time para encarar o Real Madrid, mas, no papel, pega e bate fácil vários times da Série A. E em todos da B por pelo menos dois gols de diferença. Como eu disse, no papel…

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Uma coisa me intriga: apesar de achar ele um zagueiro displicente, Rafael Vaz vinha jogando e, de repente, sumiu até do banco. Bernardo já está recuperado, tem futebol para fazer sombra ao Douglas, mas apenas treina no sábado de manhã. Afinal, Adilson, qual é o pó com esses dois?

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Fabio Lima entrou no segundo tempo do jogo de hoje e deu trabalho. O jogador passou um ano no Vasco escondido, sem jogar, porque um imbecil pegou o cara emprestado sem passe fixado. O mesmo idiota que brigou com Felipe, que espantou Juninho Pernambucano no começo do ano passado, que trouxe Michel “Hobbit” Alves para ser o goleiro titular, que demitiu Gaúcho no vestiário, sem consultar os outros, e que acabou defenestrado.

A dúvida é: quem contratou, e por que contratou, este camarada?

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Na última coluna, enxerguei no time um clima de “fim de lua-de-mel” do grupo com Adilson e falei, de pura molecagem, para ressuscitarmos o Joel, em vez de trazermos “Don Charutón”. Teve gente que levou a sério. Era ironia. Mas só a parte do Joel.  Quanto ao relacionamento do elenco com Adilson, vamos aguardar mais um pouco…