Alemanha x EUA

Um jogo disputado, rápido, empolgante e cercado de curiosidades. Eis o confronto entre EUA e Alemanha em Recife, no último dia de fechamento dos grupos antes da fase final da Copa do Mundo.

Primeiro, de forma muito positiva, a simpatia que o time estadunidense conquistou dos brasileiros, deixando de lado velhas (e justas) querelas relativas a questões políticas e de opressão econômica. Muito bom ver que o futebol virou de vez uma realidade nos Estados Unidos, vide o tamanho de sua torcida que viajou para o Brasil atrás das partidas de seu time.

O atual treinador da Alemanha, Joachin Low, havia sido o auxiliar de Jurgen Klinsmann, hoje o técnico estadunidense, quando ambos eram companheiros na seleção de seu país. Os dois, muito amigos.

Cinco jogadores do time dos EUA são filhos de pais americanos com mães alemãs em bases militares dos EUA na Alemanha, dando um tempero extra ao confronto.

Sendo o empate bom para os dois times, porque rejeitá-lo? Simples: a Alemanha já participou do desconfortável “empate amigo” com a Áustria na Copa da Espanha em 1982, que tirou a Argélia daquela competição. No jogo paralelo, Portugal tentando fazer a sua parte contra Gana e esperando o que acontecia no Recife.

Por fim, uma brincadeira típica dos brasileiros. Em baixa no cenário nacional, os flamenguistas adotaram a seleção germânica como seu segundo time em função de sua camisa rubro e preta, que lembra o modelo flamengo. Curioso também que, de Rostock a Munique, não houvesse – ou há – um único alemão que soubesse dessa associação entre o onze alemão e o time da Gávea, na verdade Lagoa. Pelo menos no Rio, natural que as outras grandes torcidas então prestigiassem o American Team. É sempre engraçado.

O domínio alemão na primeira etapa não teve grande resultado: muita posse de bola e poucas chances de gol, ainda que perigosas. Por seu lado, a equipe estadunidense, com humildade, buscava os contra ataques. Quase marcou em um bom chute diagonal pela esquerda. Apesar da superioridade técnica o time alemão careceu de criatividade para furar o bom sistema de marcação dos estadunidenses.

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Começando o período final, veio Klose a campo em lugar de Podolski. Artilheiro, matador, tentando ultrapassar Ronaldo e se tornar o maior artilheiro das Copas do mundo. E no começo Mueller fez um golaço: bola de curva, canto esquerdo, beijando a rede. Porém, como em seguida Gana empatou o jogo que perdia para Portugal, o cenário do grupo em nada se alterava. Mesmo com a torcida ianque empurrando, o time dos EUA continuava tímido e sem o ímpeto que esperava, apesar da combinação dos resultados garanti-los nas oitavas. E da chuva. Enquanto isso, saiu Schweinzteiger e entrou Gotze. O jogo melhorou.

Perto do fim, Cristiano Ronaldo marcou o gol luso que seria uma espécie de canto do cisne, 2 x1. Mas o saldo negativo de gols permanecia. O time português pagou o preço da estreia desastrosa. No Recife, cada segundo para os estadunidenses era um século; mesmo assim tentavam se aproximar do gol do jeito que podiam – ou, ao menos manter a bola longe de sua própria intermediária, com sucesso. No último minuto Lahm impediu o gol americano; logo em seguida, uma cabeçada perigosíssima contra Neuer. Ainda deu tempo de um germânico tentar invadir o gramado, enquanto os conterrâneos estrearam a camisa rubro e preta com uma boa vitória magra. De volta à realidade off Copa, os flamenguistas sabem que o caso é outro. Cristiano Ronaldo também.

@pauloandel