Aldir, Aldir

O Brasil perdeu um de seus maiores literatos e o Vasco perdeu um de seus maiores torcedores.

Nasceu com o Expresso da Vitória e viveu a juventude na seca de 1958 a 1970. Mas tudo era menos pesado com Vavá de centroavante. O mundo se curvava à Cruz de Malta.

E o mesmo Aldir encarou a ditadura no Brasil ao escrever “O bêbado e o equilibrista”, hit na voz de Elis Regina – que gravou os versos do poeta por todos os anos 1970. Poeta de mil letras e gravações, tanto com os rubro-negros João Bosco e Moacyr Luz quanto com outro craque vascaíno das cordas: Guinga.

O Aldir escritor, homem das ruas e da boemia, atento à antropologia dos botequins e suas histórias infindáveis. Rua dos Artistas e arredores. O Rio da prosa fácil, da poesia, dos abraços e porres inesquecíveis, do velho Maracanã e do bonde de São Januário.

Viveu onde morreu: a grande Tijuca. Vila Isabel, Aldeia Campista, Andaraí, Muda. Um condado com espírito próprio.

Em mais de sessenta anos de travessia vascaína in loco, escreveu livros, textos e poemas sobre o clube. Vestiu a camisa. Cobrou dos dirigentes. Cantou. Chorou. Viu Roberto, Romário, Edmundo, Juninho, Felipe, Leão, Orlando Lelé, Almir Pernambuquinho, Silva, Tita, Bismark, tanta gente.

É dele a seguinte sentença: “Se for para a Segunda Divisão, sou Vasco. Se for para a Terceira, sou Vasco. Se o Vasco acabar, ainda sou Vasco.”. Melhora tradução, impossível.

A tarde cai feito um viaduto. Os parceiros choram, os amantes da música e da literatura choram. Todos merecíamos mais, a começar pelo próprio Aldir Blanc. Já que é impossível, resta a esperança de mais uma estrela a brilhar iluminando o mar, não mais na Terra mas agora no céu.