A fritura começou

Não gosto muito de escrever logo depois de uma derrota como esta de hoje. Mas não tem jeito. Então, vamos tentar digerir este Luverdense 2 x 1 Vasco que nos colocou temporariamente na zona de rebaixamento da Série B, algo que nunca ocorreu na nossa passagem anterior neste mundo de humilhações que é a segunda divisão.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Vasco padece de um sério mal nesta Série B: está jogando ainda com a cabeça e da mesma forma em que atuou no Carioca. O assalto no último minuto de jogo, que nos tirou um título certo, precisa ser esquecido o quanto antes. Passou. Não vai voltar. Não haverá outro jogo – é só um jogo de pressão na Federação do Rio de Janeiro, cujo resultado prático eu ainda não consegui enxergar. Mas não sou o rei do bastidor.

Quanto à forma, é preciso avisar ao Adílson Batista e aos jogadores que estão entrando em campo que não estamos mais atuando contra times da Série A, que cadenciam mais o jogo, como foi nas quatro partidas finais do Carioca – para lembrar, empatamos três (uma era vitória, mas foi roubada) e ganhamos uma. Na Série B, tudo é mais corrido e faltoso.

Qualquer menino de 10 anos que começou a jogar futebol na escola e a assistir jogos ao lado do pai há uns meses sacou de cara a proposta do jogo. O Vasco veio para ganhar, era o gigante, o favorito. O Luverdense queria se defender e arrumar um golzinho no contra-ataque. O problema é que o Vasco, hoje, atuou com a certeza que venceria na hora em que bem entendesse. E, por isso, entrou jogando a 30km por hora, enquanto o modesto adversário veio a 100. A colisão foi fatal.

O time teve chances de abrir o placar, e o lance do Montoya foi capital em vários aspectos. Primeiro, por que ele, que não é brilhante, mas sim um bom jogador. Assim, tentou fazer a jogada e, ao perdê-la, caiu em desgraça com o treinador. A partir daí, foi visto dando carrinho para desarmar, voltando para marcar, mas nada adiantava. Seu destino estava selado. Adílson iria sacá-lo. Sua ousadia e seu erro foram fatais. Se o Vasco marcasse 1 x 0 ali, a partida tomaria outro rumo. O jogo de Montoya, também. E a vida de Adílson, como explicarei adiante, idem.

Mas Montoya perdeu e, logo depois, o Vasco levou o 1 x 0. Um gol, aliás, construído nos desfalques do time. Foram inadmissíveis os dribles sofridos por Aranda e Rafael Vaz – vou dar um desconto para o Luan, que me lembrou o Vítor em 1998, pois ele era o último homem antes da conclusão. Dribles desmoralizantes, dados em jogadores sem ritmo de jogo e sem qualidade técnica – a mim, nenhum deles engana mais. Ali, com Guiñazú e Rodrigo, dificilmente o gol sairia. Mas não eram os dois titulares, fundamentais como o goleiro Martín Silva. Eram os reservas Aranda, Vaz e Diogo Silva – este, além de ruim, é azarado como poucos.

Depois de passar pelos dois, o lateralzinho do time matogrossense chutou e Diogo Silva fez uma bela defesa. No rebote a bola sobrou limpa para Reinaldo, que fez o 1 x 0. E aí a feição do jogo mudou. O Luverdense arrumou o gol e pôde explorar a fragilidade do time do Vasco quando joga desfalcado – especialmente quando os ausentes são Martín Silva, Rodrigo, Guinãzú e Edmilson, a espinha dorsal do time, ao lado do Douglas, jogador que desapareceu após a final do Carioca.

Corremos o risco, já na primeira etapa, de levar mais gols, pois o time se mandou e deixou exposta. O intervalo era um alívio.

Mas tudo pode piorar, e lá se foi o Adílson fazer sua força para estragar o que já estava ruim. Tendo em mãos o atual elenco do Vasco, que não é ruim, mas muito limitado em termos de reposição, ele saca o Montoya por birra. Sim, só pode ser. Porque, em sã consciência, não tem como tirar ele e colocar o William Barbio – não falo de tirar Reginaldo para pôr Yago, pois, por mim, o Reginaldo nem passaria perto do portão da Rua General Almério de Moura.

Sem Montoya, o Vasco ficou armado com uma defesa frágil, protegida por dois volantes fracos, com Douglas criando (?) e um trio de frente com dois guris (Thalles, que ainda está verde, e Yago) e William Barbio… Armação pior, impossível. Para agravar a desgraça, André Rocha me comete o pênalti mais idiota dos últimos tempos e, pimba, a humilhação estava completa: Luverdense 2 x 0 e gritos de olé.

Por um instante, após o gol de Yago, achei que os caras tinham juntado sangue nos olhos e iriam resolver a parada. Quase empataram o jogo e, repentinamente, pararam. Achei estranho. Me pareceu um recado à galera e ao comando do Vasco. Algo do tipo: “Olha, nós não somos os manes que parecemos. Sabemos jogar. Só não vamos mais meter o pé na bola para ajudar o bailarino aí de fora de campo. Porque, o que ele fez com o Montoya hoje, pode fazer com outros guris ou com um de nós. Portanto, acabou a lua-de-mel”.

joel

Pode ser maluquice minha, mas, do pouco que conheço dos boleiros, por via das dúvidas, liga para o Joel e manda ele voltar com a prancheta, pois faz calor demais em Angola. Se for para ressuscitar um fantasma do passado, ao menos que venha um simpático e bonachão.

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Na entrevista pós-jogo, o “brilhante” Adílson Batista disse que faltou inteligência. Em outra ocasião, criticou o Montoya, chamando o cara de “Defederico” (promessa corintiana que não vingou).

Boleiro odeia isso.

Como ele foi do ramo (vá lá, não muito…), já deveria saber. Vai ver que esqueceu…

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A diretoria do Vasco corre atrás de reforços no Ituano e no São Paulo. Zagueiro, atacante e volante. É bom mesmo. Temos 36 rodadas pela frente, nas quais precisamos marcar mais 72 pontos, uma média de dois por jogo. Estamos com meio ponto por jogo. O alerta acendeu. Sábado que vem e sexta da outra semana temos dois jogos com portões fechados e clima de amistoso. Tem de haver foco. Até o intervalo para a Copa, na partida contra o Boa, em 3 de junho, precisamos somar mais 16 pontos, pelo menos.

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Tá um cheiro desgraçado de charuto no ar… Andreia, traz o Bom Ar….