Afinal, cadê a torcida do Vasco?

Ontem, pela 26ª rodada da série B, apenas 1.943 testemunhas viram o jogo do Vasco em São Januário… Afinal, onde está a nossa torcida?

Esse tema foi bastante debatido nos últimos dias, e eu vejo múltiplas causas para essa ausência de nossa torcida nos jogos no Rio de Janeiro – pelo menos quando jogamos fora, os vascaínos comparecem.

Para começar é bom lembrar o que estamos disputando. Ser rebaixado três vezes para um clube gigante como o Vasco, num espaço curto de tempo, não é impune. Traz muitas consequências, e uma delas é o desinteresse de sua torcida. Na primeira vez, em 2009, havia um sopro de esperança. Novos ventos pairavam sobre a nau vascaína com o fim da ditadura euriquista e a esperança de inovações e progresso com a, na época, recém empossada administração Dinamite. A torcida se uniu ao clube como poucas vezes vimos na nossa história e, apesar da série B, voltamos triunfais.

No segundo rebaixamento, ainda houve um apoio maior se comparado a esse ano. Mesmo com uma campanha questionável diante da exigente torcida vascaína, que queria não só a volta à primeira divisão, mas o título também – algo natural quando se fala de um do maiores clubes do mundo, houve público razoável. No fim do campeonato, muito mais para ajudarmos de alguma forma a nossa volta do que por conta de bom futebol.

Mas nesse ano, a paciência acabou. Não há nada que motive o torcedor comum, a ir à São Januário torcer pelo Vasco. No início ainda havia os reflexos da boa arrancada na série A no ano passado, o bicampeonato carioca e a incrível série invicta. Mas depois que ela findou…

Horários e dias ruins dos jogos são outros motivos. Como sentir-se motivado a ver um jogo numa sexta-feira às 21h30m contra o “poderoso” Joinville? Duríssimo!

Há também a questão do valor dos ingressos e da facilidade que temos hoje em dia para ver o jogo na TV. Uma equação que desestimula muito o torcedor comum a sair de casa e ir ao estádio.

Até a nossa superioridade, sorte, camisa, fraqueza dos demais ou como queiram chamar, durante a primeira parte do campeonato quando navegamos à frente de todos sem quase nenhum susto, hoje nos traz desestímulo. Uma das coisas que sustentam a graça do futebol é a brincadeira com os amigos torcedores dos rivais. Convenhamos: qual é a graça de bradar para os rivais que somos líderes das até aqui 26 rodadas da segunda divisão? Ainda mais quando, como na situação atual, os nossos principais rivais estão bem na série A.

Tudo isso não motiva, não nos impele a ir ao jogo. Ao contrário, nos repele.

Minha geração teve a sua juventude marcada por um time que venceu quase tudo que disputou. É muito duro ver a situação em que nos encontramos agora.

O medo que nos ronda é o de voltarmos à série A – que deve acontecer sem maiores problemas, para no ano que vem sofrermos tudo de novo. Qual é o planejamento? O que estamos fazendo para que não tenhamos que passar por isso novamente? Será que nos contentaremos agora a isso? Será que viveremos para sempre de uma “freguesia” sobre o nosso maior rival, de títulos regionais e de campanhas, com sorte, apenas regulares no Campeonato Brasileiro?

Sobre o jogo de ontem? Vencemos. Só.

Andando pelas ruas daqui de Botafogo, encontro meu amigo Luiz, o “framenguista”. E ele emenda logo de primeira:

– Tá sentindo o cheirinho?

– Cheirinho de que…?

– De épita!!!

– Ué… Mas vocês já são hexacampeões?

– Somo sim!!! Deu ontem da Grobo!!

Calei-me e segui o meu caminho…

Desculpem-me pela longa ausência nesse espaço… Meu computador anterior faleceu… E até que eu conseguisse outro demorou um pouco mais do que eu gostaria, mas agora eu voltei!

Foto da capa: Ana Paula Dias, de sua página no Facebook.