Acabar o quê?

tabela 07 08 2015

Dada a atual situação no campeonato brasileiro de 2015, é natural a preocupação da torcida vascaína. Ninguém esperava que São Januário passasse por um momento tão complicado em termos de pontuação. O caminho à frente não será nada fácil; ninguém é louco de considerar moleza a manutenção na primeira divisão.

Entretanto, o foguetório de certa parte da imprensa com a atual posição cruz-maltina tem mais a ver com a tradicional manchetagem do que propriamente um embasamento matemático.

Longe de minimizar o problema de agora, algumas reflexões são pertinentes.

Até agora, o Vasco disputou 16 jogos. Tem 10 derrotas, três empates e três vitórias. Sim, uma caminhada que não faz jus às tradições vascaínas. Contudo, nas três primeiras rodadas, foram três empates contra Goiás, Figueirense e Internacional – partidas onde poderia ter saído vencedor. Depois, uma sequência implacável de cinco derrotas, até a vitória sobre a Gávea. Depois, novas derrotas para Chapecoense, São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Corinthians – entre elas, a vitória no clássico contra o Fluminense.

Não é nenhum absurdo dizer que nos jogos contra São Paulo e Grêmio, o resultado foi enganoso. No desastre em São Januário contra o primeiro adversário, Riascos perdeu três gols inacreditáveis. Na partida disputada no sul, tudo estava sob controle até um inacreditável gol contra. Enfrentando o Palmeiras, a má jornada de Martín Silva pesou; entretanto, poucos jornais disseram sobre o cartão amarelo injusto que Dagoberto recebeu depois de um impedimento mal marcado.

É claro que a campanha é ruim, mas o que quero dizer aqui é que, por detalhes, o Vasco poderia estar fora da zona de rebaixamento e até mesmo numa posição um pouco mais acima.

Gênios das redações vaticinaram: com oito pontos a menos do que na 16ª rodada em 2013 (total de 12 atualmente), quando sucumbiu na última rodada (em circunstâncias funestas da Flamenguesa até hoje não desvendadas, mais a zona de Joinville), o Vasco já foi para o beleléu…

Um pergunta inevitável: o que um campeonato tem a ver com o outro?

Por que se uma competição explica outra, ano passado quem fez mais de 38 pontos se salvou, por exemplo.

Que tal dizer que o time está a seis pontos do Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro, ou a oito do rival que é tido como o maior time do Sistema Solar?

É uma diferença significativa? Sim, sem sombra de dúvida. Mas de forma alguma é possível atestar quem já caiu neste momento.

Restam 22 partidas. O Vasco tem tradição, história e força para vencer metade delas. Com hipotéticos 33 pontos somados aos 12 que possui, chegaria a 45. Não é certo que escape do descenso com isso, mas é bem possível. E não há competição no mundo onde o time da Cruz de Malta não possa vencer metade dos seus jogos.

Ninguém é ingênuo em não perceber a gravidade da situação. Mas também ninguém precisa ser desinformado a ponto de acreditar nos pêsames da FlaPress. Sete pontos nos próximos três jogos (Joinville – logo mais no Maraca – e Coritiba, no Rio, mais Santos na Vila Belmiro) e o Vasco começa a respirar melhor.

Acreditar é preciso.

@pauloandel