A violência da Fiel

E eis que numa das rodadas iniciais do Campeonato Paulista, o Corinthians visita Urbano Caldeira e toma uma sova de 5 a 1. Início de campeonato, técnico novo (Professor Mano Menezes, retranqueiro que só, tomando de cinco), jogadores fora de forma. Há uma série de justificativas plausíveis para o desastre.

Não para cerca de 100 torcedores que invadiram o clube, protestaram, bateram em quem não tinha nada com isso e praticaram roubos. Segundo declaração de alguns deles, a atuação foi incompatível com a camisa do Corinthians. Como consequência, o medo. O atacante Guerrero, autor do gol do campeonato do mundo, pediu para não jogar contra a Ponte Preta, hoje. Fala-se da saída de Pato, por falta de ambiente com o grupo e torcida (volto a esse assunto mais tarde).

Passo longe de apoiar gestos de violência ou truculência de qualquer espécie. Mas suponha agora que os mesmos 100 cidadãos tivessem ido ao clube de forma ordeira, sem provocar arruaças, roubos etc. A simples visita de uma torcida organizada ao clube para protestar contra uma atuação indigna mostra para time e dirigentes que as ações destes têm sim um reflexo imediato na vida de milhões de pessoas e que estes serão cobrados, tal como somos cobrados em todas as nossas atutudes por nossos chefes, mulheres, maridos, pais, amigos etc. Mostra a existência de gente disposta a protestar. Gente que não admite qualquer comportamento quando vestindo a camisa da sua paixão. Talvez essa seja a mais importante ação de uma torcida dita organizada.

Provavelmente quem leu o texto até aqui já sabe onde quero chegar. Me causou profunda tristeza (mas não surpresa) a fátidica segunda-feira, 9 de dezembro, dia seguinte à vergonha de Joinville. Reinou no Vasco um ambiente de finados. Não ouvi falar de protesto algum. Nada. Ficou a mensagem de resignação, de uma torcida perigosamente acostumada aos reveses. Seja ou não essa impressão uma verdade, ela é sim passada. Exatamente como ocorre com o povo brasileiro e sua dificuldade de protestar por aquilo que de direito. O único protesto foi feito uma semana depois, por cerca de 50 abnegados (os dezoito do forte Vascaínos).

Então, será que estamos (o vascaíno – eu, você, seu filho, mulher…) acostumando-nos a perder? Achando isso tudo normal? O que fazer para mudar essa realidade? Com que espectativa você vai assistir, hoje, ao primeiro jogo de 2014? Tem de ganhar? Empate tá bom? Quero que ganhe, mas não acredito? É bom pensarmos nisso. Muito do que estamos vivendo passa por esse raciocínio individual tornado coletivo.

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O Vasco joga hoje provavelmente sem Montoya, o que é uma pena, pois seria a ocasião de vê-lo em ação num jogo importante no Maracanã. Em não o tendo em campo, espero que o nosso professor não me invente Pedro Ken como 4o homem de meio campo. Seria o fim. Provavelmente isso faria o Vasco entrar em campo sob o coro de Burro! Burro!

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Pato tem uma cara de flamengo…