A turma é da fuzarca!

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Era jogo para o Maracanã, pois. O velho Mário Filho, cheio de sinalzões das rádios ecoando por entre cem mil corações apaixonados, não esse arremedo de boutique brega que foi erguido em seu lugar, frio, delivery, lounge, sem alma, sem os pulmões populares que escreveram a gênese do Clássico dos Milhões. Mas não tem Maracanã. Há mais de cinco anos o torcedor carioca não sabe direito o que é o Maracanã, e os mais novos talvez nunca venham a saber.

A força do clássico vem dos tempos da Taça Salutaris, a primeira pernada deles. De lá para cá, os dois rivais navegaram pelos oceanos afora. Já disputaram tudo. A consolidação do futebol brasileiro se deveu às grandes rivalidades regionais que acabaram se espalhando pelo Brasil inteiro. Então, acima de tudo, Vasco e Flamengo em campo significam uma baita responsabilidade.

São Januário é um dos mais belos estádios do Brasil. Vintage, clássico, obra do povo, casa de capítulos importantes da história do Brasil. Volta a abrigar o grande clássico depois de muitos anos.

Neste campeonato que, tecnicamente, não significa grande coisa mas ainda tem o charme e a tradição, o Vasco começou melhor, enquanto o Flamengo tem para si mais manchetes – pensando bem, sempre fizeram assim. Com menos gente nas arquibancadas do que o devido, o velho grande clássico ainda desafia sentimentos e definições. Na hora do jogo, tudo zera e é pau a pau.

Velho simpatizante de fora que sou, a cada espiada nas jogadas vou procurar aquele drible do Catinha, a passada do Zanata, aquela arrancada fantástica do Romário na Taça Guanabara de 1986, aquele chutaço do Tita em 1987. Algum grande passe do Geovani, o cruzamento do Winck, uma cabeçada do Bismarck. Ainda lembro do Seu Oto Glória e do querido Titio Orlando Fantoni. Aquela voz incomparável do Orlando Baptista. Ou lembrar do velho Telefunken lá de casa, quando encostei o ouvido na caixa e fiquei muito irritado com aquele gol do Rondinelli. E meu pai dizia “O que você tá fazendo aí?”.

Claro, agora é tudo diferente, mas as camisas em confronto no gramado são uma página eterna do futebol brasileiro. Não é preciso ser vascaíno nem flamenguista para entender que este é um daqueles jogos dos jogos, que nunca terminam, que fazem mergulhos profundos na alma do torcedor. Mesmo com tudo diferente do que deveria ser, a turma vai gritar, vibrar e cochichar sobre o jogo nos pontos cardeais do Brasil. É uma pena que a cartolagem seja sempre menor do que os nossos grandes clássicos.

Ah, o Acácio! E o Lito? Chamem o Guina e o Paulinho por favor! Por ora, Nenê neles!

@pauloandel