À Turma da Fuzarca

O que faria um cronista tricolor escrever num sítio vascaíno, o time que mais aporrinha o meu em clássicos nos últimos 20 anos numa neofreguesia irritante?

Amizade eterna ao editor? Busca de novos desafios profissionais? Falar de futebol para um outro público?
Respeito ao Vasco, sua torcida e sua história?

O entendimento de que adversários não têm que ser inimigos? A compreensão de que o futebol do Rio, aríete do Brasil, não é de apenas uma torcida – como querem fazer crer alguns respeitáveis veículos de comunicação?

Tudo isso e muito mais. Muito mais.

Sempre serei apaixonado pelo Fluminense.

Sempre respeitarei as cores do Vasco.

Não é de hoje.

Lá naquele distante 1982, quem juntou moedas da mesada e foi torcer pela Colina na final da Taça Guanabara? Quem sofria quando Roberto Dinamite (não confundir com o atual presidente) arrancava pra cima de Tadeu? Quem estava lá vendo o apoteótico começo de Romário? Ou levando alguma namorada vascaína ao estádio? Sem contar meu inesquecível e saudoso amigo Xuru, a quem muito acompanhei em jornadas vascaínas por aí. Alguém vai chamar isso de arco-íris. Para mim, exercício de solidariedade a um correto irmão.

Um dos melhores professores de matemática que tive na vida é um símbolo das arquibancadas cruzmaltinas e benemérito do clube: Amâncio Cezar.

Conheci Dulce Rosalina. Sou amigo de infância do neto de Ademir Menezes. Vi Guina, Paulinho, Lito, Wilsinho, Orlando Lelé e, sem piadas contra aquele jornalista desgraçado, Zandonaide.

Desconto as finais. Meus dois grandes jogos do Vasco contra o Flu foram em 1981 e 1988. Dois campeonatos brasileiros.

Jogões.

No primeiro, Cesar deitou e rolou. No segundo, Washington fez chover.

Jogos de 50, 80, 100 mil pessoas. Geral lotada. Muitas bandeiras. O eco inconfundível de “Vascooooooo” contra o idem “Neeeeeense”.

Nas duas partidas que mencionei acima, a torcida dos dois times aplaudiu.

Não existe futebol sem o outro. Amar o Flu não me impede em nada valorizar São Januário.

Ok, estou muito longe de ser uma autoridade em história do Vasco, mas vi e vivi muita coisa nestes 36 anos que frequento futebol, de modo que espero escrever boas linhas por aqui.

O que acho quase impossível é ter outro cronista tricolor que respeite mais o Vasco do que eu.

Caro leitor, se souber de algum, por favor indique imediatamente ao nosso editor Zeh Catalano e serei um demitido sereno.

Estar aqui é uma honra para mim.

A turma é da fuzarca!

Obrigado pela atenção. Semana que vem eu volto.

Panorama Vascaíno

@pauloandel