A receita do Spór

Pode ser que dê certo, pode ser que não. Mas já se passaram dez rodadas e o Sport lidera o campeonato brasileiro deste ano.

Um fato raro se pensarmos que o último time do Nordeste a levantar o caneco foi o Bahia, no já distante ano de 1988 (na verdade, 1989, pois a temporada não coube num ano somente…).

Desde o início da era dos pontos corridos, o Brasileiro ficou na mão de poucos clubes: Cruzeiro (2003, 2013 e 2014), São Paulo (2006, 2007 e 2008), Corinthians (2005 e 2011), Fluminense (2010 e 2012), Flamengo (2009) e Santos (2004).

Claro, ainda é muito cedo para qualquer prognóstico numa competição de 38 rodadas, que atravessa um semestre e, pior, com times que são desmontados pelas transferências de jogadores no meio do caminho.

Num futebol muito nivelado por baixo, sem grande brilho técnico e com ênfase na força física – tudo muito diferente do acontecia no Brasil de décadas atrás -, times com elencos modestos mas bem arrumados têm conseguido resultados expressivos e a cobiçada vaga à Libertadores.

O que o Sport, um velho chapa vascaíno, tradicional exportador de grandes valores para São Januário (Ademir Menezes, Vavá, Juninho), tem de especial para liderar a tabela neste momento?

De cara, o treinador há mais tempo à frente de um clube na série A: o ainda desconhecido Eduardo Baptista, filho do Nelsinho, também treinador e ex-lateral de Santos e São Paulo. Foi mantido mesmo com insucessos no campeonato pernambucano. Ganhou confiança e isso acaba atingindo o elenco positivamente.

Salários rigorosamente em dia, oásis em se tratando de Brasil.

Um time sem nenhum craque mas com jogadores valorosos, rodados e em busca de reafirmação no cenário nacional: Diego Souza, Ibson, Brocador, o atacante André, entre outros. Agora, Marlone. Força física.

Difícil dizer em julho o que sucederá em dezembro. Mas uma coisa é certa: simplicidade e eficiência podem andar juntas com bons resultados. Assim tem sido o começo dos pernambucanos no certame.

Hoje, o Sport é o líder e um dos favoritos ao título. Sem firulas, devaneios, megalomanias e decorebas de marketing.

Uma lição para os adversários e, principalmente, para a arrogante CBF.

@pauloandel

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