A primeira vitória e o torcedor cruzmaltino

Enfim, a primeira vitória. Depois de um empate insosso com o Bangu e uma derrota em uma pelada contra o Flamengo no Maracanã, uma vitória suada sobre o Boavista ontem. E outra pelada, um jogo de baixíssimo nível técnico, com poucas chances de gol.

O jogo de ontem foi truncado, muito fechado. O Vasco, com Abel, segue com uma característica similar ao time de 2019: um time que tem dificuldades severas para propor jogo. E isso já tinha sido a tônica contra o Bangu. Ontem, mais uma vez, o time demonstrou isso de forma latente. Muitos erros no último passe, o time cruzmaltino só acertava o passe, quando tinha a chance de contra-atacar, ou seja, é um time reativo. Lógico, isso será a tona ao longo do ano. No primeiro tempo, uma chance para cada lado: uma aos 35 com Cano e outra aos 24, com Jefferson Brás, com fácil defesa de Fernando Miguel.

No segundo tempo, o panorama pouco mudou. O Boavista seguiu recuado e tentando os contra-ataques. O Vasco procurou imprimir mais velocidade com a entrada de Gabriel Pec. Mesmo assim, o onze cruzmaltino pouco conseguia chegar. Aos 18 minutos, Gabriel Pec cobra falta e German Cano sobe e Klever faz a defesa. Já aos 26 minutos, em boa tabela entre Vinicius e Henrique, este deu uma caneta em Wellington Silva e cruzou e a defesa afastou. Entretanto, aos 44, quase o desastre: Renan Donizete cruza, a bola passa no meio da zaga cruzmaltina e Luis Soares livre dá um bico na bola e acerta a trave. Que alívio. E no último minuto, Marrony ganha a dividida, toca para Gabriel Pec que cruza certeiro na cabeça de Cano que cabeceia sem chances para Klever e decretar a primeira vitória do Vasco no Carioca 2020.

Agora, sobre os últimos acontecimentos extra campo. É recorrente a revolta de parte da torcida cruzmaltina com as dificuldades financeiras deste início de temporada. Em primeiro lugar, é preciso se entender que muita coisa mudou e o futebol mudou muito desde 2000, quando Calçada deixou a presidência do Vasco. Surgiu a Lei Pelé, começou a era do clube-empresa e o Vasco parou no tempo. E de um clube unido nos tempos de Calçada, Eurico, com sua natureza centralizadora e desagregadora começou a implodir o outrora poderoso Vasco, dividindo o clube e sua apaixonada torcida. E isso infelizment, hoje é a tônica em que um clube dividido se deteriora politicamente e a torcida briga entre si. Frequentemente na internet, há xingamentos e ofensas entre os próprios torcedores. Em segundo lugar, não adianta a torcida reclamar nas redes sociais e exigir dos jogadores da base recém promovidos, uma responsabilidade que nem todos têm ainda apurada de construir uma boa equipe. A gente entende que há 20 anos, o Vasco sofreu grande insucessos, 3 rebaixamentos. Mas não é em um, dois anos que se consertarão 20 anos de gestões desastrosas.