A primeira batalha da decisão

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Então tivemos o primeiro jogo da decisão do Estadual do Rio 2016 em que o Vasco venceu por 1 a 0, gol de Jorge Henrique. Ao fazer esta análise da partida é preciso fazer considerações acerca dos dois times. São equipes que jogam de forma muito parecida, times irmãos, tanto que estão a decidir o Carioca deste ano. São times que priorizam o coletivo.

O Botafogo, guardadas as devidas proporções, adota um esquema similar ao Atlético de Madrid, que vem demonstrando muita eficiência na Champions League e no final agora do Campeonato Espanhol. Os colchoneros adotam um esquema de forte marcação defensiva e contra-ataques cirúrgicos. Podemos até considerar um futebol feio, mas é eficiente e decide jogos e campeonatos. Foi assim que eliminaram o Barcelona e ganharam o primeiro jogo contra o Bayern. Claro que não podemos comparar Atlético de Madrid e Botafogo, o primeiro é infinitamente superior ao segundo.

Já o Vasco também aposta no coletivo; entretanto tem um grande talento na meiuca, que é Nenê. E certamente em um jogo que se têm times que tem no outro tem sua imagem e semelhança, o talento ainda decide. E esse é o grande diferencial entre Vasco e Botafogo atualmente.

Noves fora, voltando ao jogo de hoje, o Botafogo joga de forma um tanto ou quanto “feia”, mas eficiente. E dominou a maior parte do jogo. Já o Vasco teve algumas dificuldades. Sobretudo no primeiro tempo em que a marcação alvinegra foi praticamente perfeita. Tanto que Nenê e Andrezinho, os pilares do meio-campo da Colina, não apareceram no jogo praticamente. Entretanto, praticamente não tivemos chances claras de gol. A rigor, foram apenas dois arremates, um do Botafogo defendido por Martin Silva e uma cabeçada de Riascos. Os demais chutes foram bem distantes do gol. A forte marcação se caracterizou no primeiro tempo, onde as defesas suplantaram os ataques de longe.

O segundo tempo começou de forma muito similar ao primeiro. Mas o Vasco melhorou mais a sua saída de bola e, em um de seus primeiros ataques, no lado direito de ataque do Vasco, Nenê dá meio que um elástico no marcador, esconde a bola, consegue abrir espaço a cruza para a área. A defesa alvinegra e seu goleiro se atrapalham, o baixinho Jorge Henrique se agiganta e num suave toque de cabeça encobre Jefferson com a bola vai entrando mansamente no fundo do gol. Uma trapalhada do goleiro alvinegro que socou literalmente o nada. Durante os quinze minutos seguintes, o Botafogo sentiu o golpe e sua marcação eficiente começou a dar espaços perigosos para os contra-ataques vascaínos.

Depois da parada técnica, o Botafogo se acalmou e voltou a marcação eficiente e começou a tomar conta do jogo, voltando a ter o domínio da partida, com Ribamar se movimentando muito e criando algumas chances. Em um arremate proporcionou uma defesa de Martin Silva; em outra chance, no pivô, serviu Bruno Silva que tentou encobrir Martin Silva e este fez uma defesa de almanaque com muito reflexo colocando para escanteio.

Então Ricardo Gomes colocou os atacantes Neilton e Sassá para aumentar a ofensividade de sua equipe. Mas em um lance na lateral esquerda do Vasco, em disputa com Jorge Henrique, Sassá, em uma entrada mais de ultimate fighting, do que futebol, acerta a perna de Jorge Henrique e acaba expulso. Mesmo assim, o time da estrela solitária não se entregou e tentou, de forma atabalhoada o gol de empate, mas sujeito aos contra-ataques do time da Colina. Nos minutos finais, Nenê quase fez um gol olímpico. E em outras cobranças levou perigo à area do Botafogo.

Em suma, foi um jogo típico de decisão, nervoso, de muita marcação e transpiração, onde mais uma vez o talento de Nenê pôs a bola na cabeça do baixinho Jorge Henrique para decidir o primeiro round. Só que foi apenas a primeira de duas batalhas. Domingo que vem, serão mais noventa minutos de transpiração e emoção para ninguém botar defeito. Quanto a nós vascaínos, cabe mantermos a pegada e a eficiência defensiva para ao menos empatarmos, mantermos e invencibilidade e por fim, conquistarmos o bicampeonato.

P.S: Jorginho ratificou que continua na Colina até o final da temporada. Sábia decisão.

Imagem: Ernesto Carriço – O Dia