A lenta agonia do Beach Soccer

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A imagem acima, bela comemoração de mais um dos títulos conquistados pelo Brasil no futebol de areia, não faz jus à atual situação de abandono deste esporte.

Durante décadas, o futebol na praia foi um dos principais celeiros de grandes jogadores no Brasil; basta falar em nomes como os dos goleiros Renato Valle (da Máquina Tricolor) e Paulo Sérgio (Vasco), Cláudio Adão, Edinho, Júnior e Paulo Cézar Caju, por exemplo. Mas sempre era tratado com distância regulamentar: sempre amador e sobrevivendo do sacrifício dos aficionados. De toda forma, a praia ajudou a forjar alguns dos maiores talentos da história do Maracanã.

Mais tarde, com o advento do Beach Soccer, o futebol de areia finalmente chegou à televisão. Com craques de todos os lados, a Seleção Brasileira conquistou trocentos títulos na areia. Dona CBF abocanhou a história e, como entidade máxima do esporte bretão, toca o barco para os portos desejados.

Resultado: sem calendário, sem competições estruturadas com aporte financeiro, sem perspectivas, os atletas precisam ter outras fontes de renda – e, se quiserem treinar adequadamente, precisam fazer dupla jornada.

Se os clubes de futebol estão à míngua, reféns da televisão, imagine os da areia.

A nova – mas nem tão nova assim – trata da Copa do Mundo de Beach Soccer que será disputada no começo de julho em Portugal.

Para muitos, pode parecer piada de mau gosto, mas já começa com o fato de que os atletas não possuem bolsa, patrocínio e nem suporte de preparação que não seja um cachê. Ah, e pouca gente sabe que acompanhar as partidas da Seleção nos finais de semana ensolarados mundo afora, via televisão, não dá um centavo aos jogadores de direito de imagem: para jogar na equipe, é preciso abrir mão desse direito.

É sabido que alguns jogadores com brilhante passagem pelo Beach Soccer não estarão na disputa em Portugal por um simples motivo: o cachê para disputar a competição é MENOR do que o preço de uma passagem de avião de ida do Rio de Janeiro para Lisboa. Sem volta. Não é piada, mas sim uma tragédia.

O futebol feminino sofre mazelas semelhantes há anos.

Sobre a Seleção Brasileira na Copa América, esta sim multimilionária e estruturada, não é necessário falar dos resultados…

Alguma coisa está fora da nova ordem mundial.

Muita coisa, aliás.

Ninguém fala mais de Marin, nem do alemão suicida de São Conrado.