A hipocrisia “jôniana”.

No dicionário, hipocrisia é um substantivo feminino, característica do que é hipócrita; falsidade, dissimulação; ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade; caráter daquilo que carece de sinceridade.

O moralista francês do século XVII François, o Duc de la Rochefoucauld, revelou de maneira mordaz a essência do comportamento hipócrita:

François de La Rochefoucauld

A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.

Um dos jogadores mais experientes do líder Corinthians, o centroavante Jô, desandou a elogiar a bela atitude do zagueiro são-paulino Rodrigo Caio, que admitiu ter cavado o pênalti em partida contra o São Bento, pelo campeonato paulista desse ano. Nessa oportunidade, em entrevista ao vivo no programa “Bem Amigos” do canal fechado Sportv, que foi ao ar no dia 13/03/2017, o atacante cobrou honestidade dos atletas em campo, e disse que a mudança no futebol, passa pelo comportamento dos jogadores.

Mas, como bem disse o comentarista Juninho: “o mundo dá voltas…”. E eis que seis meses depois, esse mesmo Jô, ao perceber que não conseguiria cabecear uma bola alçada na pequena área para fazer o gol, estica intencionalmente o braço e marca o gol da vitória do Corinthians contra do Vasco, de maneira irregular, desonesta e vergonhosa.

Nem perderei o meu tempo aqui discutindo se o “fiscal de linha” ou sei lá como se chama aquele sujeito vestido de árbitro que fica na linha de fundo para, justamente, “fiscalizar” esses lances, estava encoberto ou não pela trave.

Esse, ao menos, pode dar uma desculpa (que para mim, obviamente, seria esfarrapada) de que não viu.

Mas o Jô…?!? Logo ele que tanto elogiou o companheiro de profissão, que disse que os jogadores deveriam ser mais honestos em campo, que não deveriam pressionar tanto os árbitros para auferirem vantagens indevidas nas partidas, que a melhora do futebol passa por aí…

Ao final do jogo, perguntado se fez o gol com a mão ou não, revelou sua face hipócrita, o seu mau caratismo, ao afirmar que apenas se jogou na bola, que se a bola bateu ou não na mão, ele não sentiu…

Das duas uma: ou ele sofre de uma doença neurológica que causou a perda do sentido do tato em seu braço direito, ou simplesmente é um tremendo mau caráter mesmo.

Perder é sempre muito ruim. Perder de maneira desonesta me causa revolta, náuseas, nojo… Particularmente a injustiça me atinge demais.

Mas não podemos cair na mesma esparrela. Se algum dia acontecer a mesma coisa ou algum outro lance do qual formos nós os beneficiados, e isso provavelmente vai acontecer, não podemos ser também hipócritas e acharmos que aí tudo bem. Ou pior: acharmos que um erro compensa outro erro, afinal se erraram contra, errar a favor seria justo.

Não. Não é. Seria tão revoltante quanto foi hoje. Deixemos a hipocrisia e o mau caratismo para o Jô.

Gostei do time. Dentro de suas limitações, enfrentando a melhor equipe do campeonato, na sua casa, com sua torcida lotando o estádio e ainda pressionado pelos últimos mau resultados, suportamos bem a pressão e até criamos boas chances de gol.

O que não dá para prever é a falta de caráter de uns e outros.

Vida que segue. Essa derrota era até previsível. Faltam 15 pontos em 14 jogos.

Depois de publicadas as entrevistas com os então candidatos à presidência do clube, mais dois se apresentaram. O ex-vice geral Fernando Horta e o atual presidente Eurico Miranda.

Estamos tentando contato com as duas campanhas para encaminhar as mesmas perguntas e algumas particulares, como fizemos com os outros três.

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