A grandeza que não soube sair de campo

Reportagem do Globo Esporte mostrou, às novas gerações de vascainos, o ídolo que foi o Roberto Dinamite. Entre 1972 e 1993, pude vê-lo em campo inúmeras vezes. Sofri com a sua venda para o Barcelona, a quase volta para o Flamengo e me realizei com seu encontro com a torcida vascaína nos 5 x 2 frente ao Corinthians.

Como jogador, Roberto foi inquestionável. Como presidente, justamente o contrário. Sairá, este ano, da história do clube levando algumas marcas absolutamente lamentáveis, como o fato de não ter conquistado (pelo menos até agora) nenhum Carioca e de ter participação ativa em um rebaixamento do clube, e passiva no outro.

Será um presidente que não deixará saudade como o jogador deixou. Cercou-se de pouca gente boa – alguns, que conheço pessoalmente, espero ver em outras chapas, pois têm caráter e trabalham. Mas a maioria merece ser esquecida e, lamentavelmente, ainda vai influir nas próximas eleições vascainas.

Só espero que o Roberto não acabe de vez com sua história, aliando-se ao Eurico em troca de votos para as eleições legislativas deste ano. Porque, aí, vai morrer de vez a imagem do grande Roberto, do atacante inigualável, para ficar o retrato do político. O meu ídolo de infância não merecia ser tão maltratado pelo homem que não teve a grandeza de saber sair das quatro linhas da diretoria vascaína.

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Minha estréia no clássico dos milhões foi em 1977. Mais precisamente no dia 24 de abril. E foi épico. Vasco 3 x 0, com um gol de Zanata, aos 11 do primeiro, e dois de Roberto no segundo tempo, um de pênalti aos 22 e outro dois minutos depois – este um golaço, com o centroavante deixando os dois zagueiros do Flamengo no chão.

Era um baita time…

Mazzaropi, Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio; Zé Mário, Za­nata (que deu lugar a Helinho) e Dirceu; Fumanchu (substituído por João Paulo, que foi expulso), Roberto e Ramón. No banco, o titio Orlando Fantoni.

No outro lado, o rival tinha Zico, Rondinelli e Luisinho, eterno ídolo do América.

Me lembro particularmente da minha primeira bandeira, do golaço do Zanata, do meu pai vibrando a cada gol.

Foi o primeiro de muitos clássicos. Naquele ano mesmo, vi o time ser campeão em cima do rival, nos penaltis, com Mazzaropi parando a cobrança de Tita e Roberto selando o Carioca. Depois daquele título, assisti as finais de 82, 87, 88… Vi muitos jogos decisivos, muitas vitórias e, claro, algumas derrotas.

Mas nunca esqueci aquele jogo de abril, o jogo onde a minha vascainidade ficou consolidada.

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Douglas chegou no ônibus e já sentou na janela. Ganhou a 10 que foi do Roberto de outrora, começa titular e entra com moral. Só espero que seja pelo futebol, e não pela ação do seu empresário.