A falta do debate – Parte 1

Caros Amigos Vascaínos,

Ao som de Samba Triste – Baden Powell, vamos ao que interessa,

Prólogo

A humanidade avançou muito no campo tecnológico, os avanços na medicina e tratamento de doenças, porém não observo esse mesmo avanço quando se analisa a sociedade, o pensamento e as regras vigentes.

Pouco evoluímos porque ainda não aprendemos a debater as ideias como merecem ser debatidas. No geral somos a mesma massa de manobra que comprou o engodo do Collor como Caçador de Marajás.

O Leitor pode discordar à vontade desse posicionamento, afinal tivemos no ano de 2013 um ano de ebulição política, manifestações em todo país e algumas cidades do mundo. Mas o que foi germinado pelos R$ 0,20 centavos na passagem de ônibus não pode ser considerado mais uma vitória, já que no Rio de Janeiro as passagens tiveram um aumento retroativo aos 2 anos, ou seja, com alguns meses de atraso os poderosos conseguiram o que queriam.

As vitórias conquistadas, a PEC 37 e a temporária vitória da “cura gay”, foram insuficientes e poderiam ser mais numerosas se o debate sobre sobre o que se quer protestar fosse mais aprofundado.

Mas o que isso tem a ver com o Vasco?

A falta de debate é um problema coletivo, e no Vasco não é diferente. Discutiremos isso aqui em duas colunas. Nesta, vou abordar como certos assuntos são mal abordados pela mídia e a própria sociedade vascaína.

Exemplo 1 – Doutor Leven Siano

O Doutor Leven Siano, especialista em Direito Esportivo, fez uma dura crítica nas redes sociais ao Jurídico do Vasco.

PV - 4 - Leven Siano

Fico me perguntando por que nenhuma mídia aprofundou mais o assunto? No que faltou coragem do Jurídico do Vasco? O que poderia ter sido feito que nosso Jurídico negligenciou? Em contrapartida, caberia também um direito de resposta ao Jurídico do Vasco. O que eles teriam a dizer sobre essa declaração?

 

Exemplo 2 – Frank Assunção

Um dos maiores micos da “des”administração do Roberto Dinamite é o Frank Assunção. Poderíamos listar uma série enorme de declarações polêmicas, mas vamos ficar com essa aqui de dezembro de 2013.

Nessa época Frank Assunção posou ao lado do xeique Mr. Ahmed Hashim Khoory (Vice-presidente da Fly Emirates e presidente do Al-Nasr, clube de Dubai).

PV - 4 - Frank Assunção

O “amico” ficou de apresentar um projeto em janeiro ao Vasco, que todos ainda lembram, traria o Walter Zenga como técnico, a Fly Emirates reconstruiria São Januário e ficaria com todos (?) os direitos e yadda yadda yadda.

Sobre o “amico” nunca entendi porque ninguém do Vasco fez algo, judicialmente, para impedir esse senhor de falar em nome do Clube. Será que ele ainda tem poder para tal? Também não lembro de declaração na mídia do Vasco contrariando esse senhor.

 

Exemplo 3 – Cristiano Koehler e seu plano emergencial de 90 dias.

http://www.supervasco.com/noticias/cristiano-koehler–serr-preciso-um-plano-emergencial-de-90-dias-157559.html

Logo quando esse senhor chegou ao Vasco, em dezembro de 2012, ele prometeu esse plano. Planejamento, na minha opinião, é uma coisa tão importante que eu sou capaz de atribuir grande parte da culpa do Rebaixamento do Vasco a não execução desse plano.

O objetivo desse plano naturalmente era manter o Vasco viável financeiramente. Nada foi feito. Tivemos um ano inteiro correndo atrás das benditas CNDs e o resto do clube completamente negligenciado.

Não é uma obrigação da mídia cobrar o Plano Emergencial do Vasco. Mas dos Vascaínos é sim. Tirando a Cruzada Vascaína, que protocolou carta no Clube e cobrou publicamente em seu site e também fez em reuniões com o próprio Cristiano Koehler cobrando a realização desse plano, todos os outros grupos/candidatos sequer se preocuparam com isso. Os Conselheiros da situação todos se omitiram. O presidente do Conselho Deliberativo fez de tudo para o Conselho não se reunir.

E eu pergunto a vocês, por que os candidatos que se omitiram a cuidar do Vasco quando era importante, quando a nau estava à deriva? Serão essas pessoas que amam verdadeiramente o Vasco? Que defenderão o Clube sempre que ele precisar? Porque esse debate do plano emergencial nunca foi importante para os candidatos?

Exemplo 4 – O Nepotismo no Vasco da Gama

É uma vergonha para todos os Vascaínos a falta de ética do Presidente em contratar a firma do seu genro, o senhor Gerson Oliveira de Almeida Júnior (Locaflat) como prestadora de serviços de Viagens e Hotelaria.

As filhas do Presidente, Luciana e Roberta Marins, são donas da Loja Gigante da Colina no Norte Shopping. Evidentemente isso não garante nenhum ato ilícito, mas o conflito de interesses fica evidente entre os interesses do Vasco e os interesses pessoais dos lojistas.

De fato isso foi bem noticiado pela mídia, e a resposta fantástica do nosso presidente foi o ódio político. Usa-se aquele trunfo para desviar o foco e devolve-se em forma de acusação “isso é apenas para desestabilizar o time”.

Mas o debate não foi aprofundado pelos Vascaínos. O Conselho Deliberativo nunca opinou a respeito. O Conselho de Beneméritos também não. Apesar dessas práticas nefastas do Presidente, o título da Copa do Brasil em 2011 foi suficiente para reelegê-lo.

O mandato do Dinamite está acabando e eu posso apostar com cada um de vocês que a Locaflat será um item de destaque no Balanço do Vasco na rubrica de dívidas.

 Epílogo

O Vascaíno precisa perceber que para entender esses 13 anos de poucas vitórias, 2 conquistas em 13 anos, 2 rebaixamentos e uma avalanche de notícias ruins será necessário debater com profundidade o que acontece no Vasco e é inevitável colocar o dedo na ferida.

Varrer a sujeira para debaixo do tapete é interesse apenas daqueles que se locupletam do Vasco e querem a perpetuidade desse ridículo status quo. Renovar é preciso, mas mudar a mentalidade também.

Ao Som da Marcha da Quarta Feira de Cinzas – Toquinho e Vinícius de Moraes, me despeço

Horacio