A era da desinformação

Copa de 98, Brasil x Noruega, último jogo da fase de grupos para o Brasil. Quase no final do jogo, o juiz marca um pênalti que ninguém viu. Pênalti de Junior Baiano. É o gol da vitória norueguesa, que não atrapalha a nossa classificação, mas mostra que as coisas não vão tão bem assim.

Cá entre nós, ingenuidade. Em sendo um lance com Junior Baiano, o país inteiro devia ter visto que tinha algo errado. Três dias de indignação em todas as mídias se passaram até que aparecesse a imagem de um único câmera, em um ângulo improvável atrás do gol, mostrando de forma cristalina o pênalti de Junior Baiano.

Brasil 1 x 2 Noruega, 1998 (melhores momentos)

Silêncio na imprensa indignada. Surpresa. Nem sempre o que se vê é a verdade.

Em 1989, eu estava no famoso jogo Brasil e Chile, o da fogueteira, na linha de fundo. A claridade do sinalizador me fez tirar os olhos da bola, que estava no ataque do Chile, do outro lado do campo, para ver o que acontecia do meu lado do campo. Pude então começar a acompanhar o sinalizador a partir do meio da sua trajetória até o gramado. Vi cair longe do goleiro. Estava numa posição privilegiada do estádio. E do lado de um casal que carregava uma inacreditável pocket-tv. Eu nunca havia visto uma na vida. E como estavam do meu lado, com o estádio superlotado e com o jogo sendo transmitido pro Rio, eu via os lances ao vivo e podia acompanhar o replay. A tv nunca teve a cena. As imagens já mostram o sinalizador no chão. Longe do goleiro, mas as imagens não mostravam o que eu havia visto. Jogo interrompido, incerteza reinante. Não em mim. Tinha visto. Ninguém me contou. O tempo e as investigações mostraram o que aconteceu.

Brasil 1 x 0 Chile, 1989 (melhores momentos)

Se qualquer dos dois lances tivesse acontecido hoje em dia, além de um maior número de câmeras em ângulos diferentes, teríamos certamente N imagens gravadas por celulares de populares que filmam qualquer lance teoricamente sem importância. Como exemplo, o terrível 11 de setembro. O impacto do 1o avião só foi filmado pela câmera de um bombeiro, que fazia um treinamento na rua.

Vasco 3 x 2 Criciúma, 2013 gol do Juninho filmado por mim

Mas o incrível de toda essa tecnologia é que mesmo a sua existência não garante que o povo – eu, você – saiba e veja a verdade dos fatos.

Ontem, León x Flamengo. Jogo marcado por uma expulsão aos 12 minutos de jogo. Dois pênaltis claros marcados pelo juiz, que apitou a partida sem senões. O 1o deles, cometido pelo brocador. Na hora em que atacante mexicano, na marca do pênalti, ia chutar a gol, foi tocado por trás e jogado no chão. O lance foi mostrado por três ou quatro ângulos distintos. O último deles, por trás do gol, tira qualquer dúvida do lance. Pênalti.

Pra minha surpresa, de manhã, a reportagem daquele canal diz que a derrota do Flamengo se deu por causa da desastrosa atuação do juiz, marcando pênalti inexistente. E mostra apenas o pior ângulo de visão do lance. Aquele que reforça aquilo que não aconteceu. Que nega a verdade.

Quantos impedimentos esquecidos? Tira teimas deslocados? Impedimentos mostrados fotogramas pra trás ou adiante, quando a bola já saiu do pé do jogador. Milésimos de segundo bastam pra subverter a verdade.

No meio da rua, rojões, cinegrafistas, celulares. Teses levantadas em cima de imagens em movimento ou paradas. As imagens que deveriam nos mostrar a verdade viram cada vez mais armas da mentira. A reportagem no maior canal de tv do país é uma história da carochinha, baseada na supressão de imagens que deveriam dizer o contrário daquilo que é dito.

Então, a conclusão a que se chega é que a mera existência de milhares de imagens não é suficiente para que a verdade surja e prevaleça. Pelo contrário, a diversidade de material de origens diversas e não confiáveis serve para aumentar a balbúrdia e semear a confusão e a desinformação. Pois é cada vez mais fácil criar, mudar, copiar, editar…

Caminhamos num ritmo tal que, em poucos anos, poderemos tratar os jornais televisivos como peças de ficção, como uma novela, nos quais cada empresa dará a sua versão romanceada dos fatos. Hoje eles já o são, porém disfarçados de verdade. Esta sim é a grande falecida destes anos. A verdade.

Lembra o famoso paradoxo do queijo. Quanto mais queijo, mais buracos. Quanto mais buraco, menos queijo. Logo, quanto mais queijo, menos queijo.

E cada vez mais Nelson Fodrigues se mostra correto: o video tape é burro. Os mp3 também.

Abraços,

Zeh

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1 Comment

Francisco Nertã

Com o Eurico não teríamos sidos roubados como por exemplo: o Campeonato Brasileiro de 2011. Começou com CBF escalando árbitros mal intencionados, o Sistema Globo apoiando as decisões dos árbitros e mostrando tira-teimas manipulados, jornais de seu grupo execrando o Vasco e sua Torcida, a Federação Paulista agindo junto a CBF para beneficiar times Paulistas e motivando adversários de menor porte, árbitros escalados pela CBF não assinalando pênaltis a favor do Vasco e marcando faltas e penalidades máximas duvidosos contra o Vasco, gols legítimos do Vasco anulados, gols ilegítimos dos adversários confirmados, impedimentos inexistentes marcados contra o Vasco e impedimentos dos adversários não confirmados, times em condições de ganhar o titulo beneficiados com erros de árbitros etc. .
O processo para prejudicar o Vasco começa nas primeiras rodadas para dissimular e não chamar a tenção e continua. e maneira mais sutil durante todo campeonato, seja ele qual for.

Nenhum time do Brasil tem uma historia igual do VASCO, é uma saga de perseguições, preconceitos, ódio, inveja lutas, derrotas, superação e gloria!!!!

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