A entrevista com o Eurico

Nove e meia da noite de ontem e eu, ao invés de me divertir assistindo a Botafogo x Estudiantes, tive de fazer a penitência de assistir à entrevista de Eurico Miranda. Tudo bem, estamos na quaresma e certamente ganhei algumas indulgências por ter feito tal sacrifício.

Que espetáculo deprimente. Que aula de auto suficiência e de arrogância. Que personalidade oposta a tudo o que o Vasco significa. Isso talvez seja o mais chocante. Em suas principais características, Eurico personifica aquilo que mais diz detestar. Se comporta como um flamenguista clássico, arrotando verdades, se mostrando superior ao resto da humanidade e garantindo resultados baseado em puro achismo.

É, no entanto, um homem inteligente, que continua sabendo controlar os interlocutores e driblar as perguntas adversas, enrolar, subverter. Falou o que quis, o tempo todo, com os entrevistadores cheios de dedos e pisando em ovos. Presidente pra lá, presidente pra cá. De útil, muito pouco. Disse, com todas as letras, que Cristóvão foi o técnico “bom, bonito e barato” que havia no mercado. Minimizou os xingamentos das tribunas. Disse que Euriquinho e Álvaro Miranda estão onde estão por competência e falta de opções melhores.

Que está no Vasco até hoje porque o Vasco precisa dele.

Que no dia em que o Vasco não precisar mais dele, vai embora pra casa imediatamente.

Que não existe oposição no Vasco.

Ai, eu pergunto: a que Vascaínos a imprensa procura para comentar a entrevista do Capo?  Quem é referência na política do Vasco hoje?  Roberto Dinamite? Morto e enterrado. Edmundo? Juninho Pernambucano? Julio Brant (que se manifestou em seu facebook)? Roberto Monteiro? Este é o único nome plausível da lista a ser perguntado sobre o que vimos ontem. É pouco. Muito pouco perto da multidão de Vascaínos que viram com o mesmo constrangimento que eu um cidadão se portar daquela forma enquanto presidente do Vasco da Gama.

Importante: eu não estou aqui concordando com a inexistência de oposição (graças a Deus) mas infelizmente é fato a nossa carência de líderes, pois infelizmente nenhum dos nomes acima tem este perfil. Falo isso por aqui há pelo menos seis meses…

E as águas de março estão para fechar o verão.

É preciso que o maior número possível de Vascaínos assista à entrevista. Ela é uma oportunidade importantíssima para que pessoas menos próximas do dia-a-dia do clube possam entender o que é o Vasco de hoje. É muita ingenuidade acreditar que todo mundo conheça o que é e como age o senhor Eurico Miranda. Em luta eterna com a Globo, Eurico está afastado das mídias há tempos e é tratado por muitos, até hoje, como o cara que desafiou a poderosa. O que vimos ontem nada tem de romântico. É decadente, envelhecido, ultrapassado, anacrônico e egocêntrico. Em um sem número de vezes, ao responder sobre o Vasco, Eurico o fez na primeira pessoa do singular. “Eu” isso, “Eu” aquilo. Ele se acha a personificação do Vasco.

Quem vota precisa se questionar se é isso que deseja para o futuro do Vasco.

Rezo para que essas pessoas pensem bem. E que tenham em quem votar na próxima eleição. Amém.

/+/

No intervalo da entrevista, mudo pro Botafogo e vejo Pimpão resolver mais um jogo para General Severiano. Lembro de vários professores-doutores de futebol das redes sociais que debochavam do Vasco por tê-lo contratado. Enquanto esteve em São Januário, foi útil, dedicado e profissional. Agora, está sendo fundamental para o Botafogo na Libertadores. Nos anos 2000, ainda se trata jogador com preconceito por causa do nome. Nós, tão modernos e conectados, que criticamos o preconceito alheio. Pior ainda quando se trata de torcedor do Vasco. Nossa história não merece.